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Archive for novembro, 2012

28
nov

Dica de site: Le Journal de La Photographie

Foto: Stefan Bremer.

Aos amantes da fotografia que estão sempre buscando sites especializados com informações e imagens que podem servir de referência, nós temos uma ótima indicação feita pelo professor Sergio Sakakibara: O Le Journal de La Photographie é daquelas páginas que merecessem ser acessadas diariamente. De origem francesa, mas com representantes do mundo inteiro, o endereço eletrônico surgiu de um sonho um tanto audacioso. Seus criadores sentiam que nenhum meio de comunicação atual cobria a fotografia em toda a sua extensão, e não existia na web uma fonte completa o suficiente sobre os eventos da área no mundo. No site, existem tanto notícias sobre nomes clássicos e contemporâneos quanto uma agenda completa e atualizada de workshops, exposições e lançamentos de obras fotográficas em mais de 10 países.

Foto: Ansel Adams.

Foto: Aleksander Bochenek.

Se digitamos “fotografia” em um mecanismo de busca online, mais de 300 milhões de links aparecem como disponíveis – e os criadores do site sentiam falta de um espaço de alto nível sobre o tema, no qual as imagens e informações fossem filtradas e organizadas. De seu lançamento em 2010 para cá, a página viu crescer suas fontes: já identificou até o momento mais de 400 galerias dedicadas à fotografia e 50 festivais ao redor do mundo, além de 25 casas de leilão. Os criadores celebram o fato de que hoje quase todos os grandes museus possuem um departamento fotográfico, como Metropolitan, MoMA, Tate Modern.

Foto: David Gulden.

Foto: Guillaume Herbaut.

Os criadores ainda justificam que sua intenção é tentar capturar a mutação do mundo fotográfico em toda a sua riqueza e complexidade, o que não é feito, de acordo com os próprios, por nenhum veículo atualmente. Disponível nos idiomas inglês e francês, tem seu foco de abordagem livre, lúdico e autoral: aspectos técnicos costumam ser deixados de lado em textos e resenhas. Outro detalhe interessante é que eles disponibilizam links externos, devidamente traduzidos e aprovados. É possível assinar o site em forma de newsletter e sua visualização também está disponível para iPad.

Foto: Todd Hido

Foto: Kristina Sereikaite.

Aos interessados em colaborar com projetos editoriais, divulgar eventos ou disponibilizar seus porfólios, vale acessar o site e conferir mais informações.

27
nov

“Há mais prazer, para mim, nas coisas como elas são” David Hurn

Retrato de David Hurn.

É possível dizer que David Hurn transitou por quase todas as áreas de sua profissão em seus mais de 50 anos de carreira. Como fotojornalista, documentou a invasão soviética na Hungria. No campo da fotografia publicitária, trabalhou nos bastidores de longas como James Bond e Barbarella, além de ter retratado o País de Gales e seu povo em diversas séries de livros. Agora, aos 78 anos e aposentado, mantem-se tão ocupado quanto sempre.

Foto: David Hurn.

Foto: David Hurn.

Nascido no Reino Unido, mas com origem galesa, David Hurn aprendeu a fotografar de forma autodidata, dando início a sua carreira em 1955, aos 21 anos, como assistente na agência Reflex. Ganhou reputação internacional em 1956 ao documentar como fotógrafo freelancer a revolução na Hungria, mas logo distanciou-se da cobertura jornalística tradicional. Buscou construir um caminho diferente de abordagem fotográfica. Mais pessoal, em sua própria definição. Tornou-se um associado da Magnum em 1965 e membro definitivo dois anos depois. Em 1973, criou a renomada Escola de Fotografia Documental em Newport, no País de Gales, e desde então também ministra workshops no mundo inteiro.

Foto: David Hurn.

Foto: David Hurn.

Em uma de suas mais repetidas citações, Hurn diz: “A forma como a vida se desenrola na frente da câmera é tão repleta de complexidade, magia e surpresa que acho desnecessário criar novas realidades”. E é justamente a poesia da realidade, nua e crua, que busca registrar em suas fotos. Nelas, os assuntos aparecem com uma naturalidade quase desprevenida, preservando até mesmo nos retratos certa neutralidade jornalística. Não por acaso, em primeiro lugar em sua lista de fotógrafos favoritos está Weegee, repórter especializado nas cenas de crime nova-iorquinas nas décadas de 1930 e 1940. Hurn afirma nunca ter compreendido como ele pode ser tão extraordinário ao tratar de um assunto extremamente difícil sem nunca descuidar da composição.

Foto: David Hurn.

Foto: David Hurn.

No ano passado, para celebrar seus 55 anos de carreira, a Third Floor Gallery de Londres sediou a exposição Passing Time, com mais de uma centena de imagens do prestigiado fotógrafo. No lançamento, quando questionado sobre qual a sua foto favorita, Hurn comparou suas fotografias aos filhos: “Qual deles você gosta mais? Acho que o que está fazendo menos bagunça no momento. Se você acorda feliz pela manhã, tende a escolher uma foto mais alegre”. Coincidentemente ou não, essa mesma comparação foi feita pelo professor Ricardo Chaves na última aula do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul quando aconselhava os alunos a buscarem ajuda na hora da edição. Sem a curadoria da sua mostra, Hurn afirma, nunca conseguiria decidir quais imagens melhor representavam não apenas as bem vividas décadas de sua carreira, mas sua visão da fotografia como um todo.

Foto: David Hurn.

Foto: David Hurn.

23
nov

Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul em clima de encerramento

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Depois de meses de muito estudo, nos quais os alunos foram instigados a viver fotografia na teoria e na prática, chega ao fim o Módulo Avançado do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. Antes de esses novos profissionais chegarem ao mercado, há um dos mais esperados momentos do curso, que é quase um ritual de passagem: a banca com a apresentação dos trabalhos de conclusão. Instigados por meses a mergulhar no mundo da fotografia na teoria e na prática, os alunos tiveram a chance de mostrar o resultado dessa vivência a um júri de peso, composto por nomes de alto nível das mais diferentes áreas: Eduardo Veras , Guilherme Dable, Niura Legramante e Ricardo Chaves. Também estiveram presentes os professores responsáveis pelas aulas de Projeto, Guilherme Lund, Leopoldo Plentz e Raul Krebs , que com referências e exercícios práticos ajudaram a preparar os alunos para a construção do TCC.

Foto: Camilo Santa Helena.

Um dos detalhes mais bacanas do curso, nas palavras do professor coordenador Manuel da Costa, é o fato de que ele não é fechado, permite que se dê ênfase a uma determinada área de atuação dentro da fotografia – e é justamente no TCC que os alunos têm a chance de se expressar dentro de sua área preferida. O processo de avaliação, como explica Lund, assemelha-se às leituras de portfólio: “É uma ‘leitura de ensaio’, mas menos despretensiosa”. Os estudantes são avaliados individualmente em frente ao grupo, e as opiniões do júri sobre as imagens são divididas com todos os colegas, o que funciona como uma aula.

Em sua fala introdutória, Eduardo Veras destacou seu prazer em participar da banca e chamou atenção ao fato de que as avaliações consistem em possibilidades de leitura: “A cada um, cabe filtrar e aproveitar tanto os elogios quanto as críticas”, aconselhou. Niura completou afirmando que se tratam de sugestões, “às vezes ficamos em cima do trabalho e não vemos algumas coisas que alguém que vê de fora percebe”.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

Como o representante do Fotojornalismo, Kadão deu aos alunos uma importante contribuição ao dividir como seu olhar funciona dentro da rotina de uma redação. “Em grandes coberturas, chegamos a ver quatro mil fotos em um dia. Muita coisa já passou pelos meus olhos e a verdade é que a fotografia é como um poema, uma música. Às vezes bate, às vezes não bate, toca ou não toca. Com sorte, muda a vida. Os grandes artistas são aqueles com os quais muita gente se identificou”, opinou.

Kadão também alertou os alunos a respeito da edição: é necessário tomar cuidado com a redundância na montagem de um ensaio. “Quando tiverem dificuldade de editar, busquem uma opinião, um curador. Temos muito apego com nossas fotos, são como filhos. Alguém de fora não tem a nossa paixão”. Dable completou alertando para a importância da escolha da foto de capa, que determina como todo o trabalho será percebido.

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.

O grande conselho de Niura foi que os alunos permaneçam treinando o olhar, que analisem a composição de outros fotógrafos não para copiar, mas para introjetar a visão dentro de si – daí a importância de possuir referências nas áreas de interesse. Todos os professores, além de criticarem pontualmente os trabalhos, dividiram com os alunos nomes importantes de diferentes áreas que poderiam servir como inspiração.

Depois, os alunos, os professores e os jurados rumaram para o centro de eventos da ESPM-Sul para brindar o encerramento dessa etapa e, claro, trocar mais algumas figurinhas. Notícias sobre mais essa leva de profissionais formados pelo Centro vocês certamente vão conferir aqui mesmo, no nosso blog. Parabéns para eles!

Foto: Carlos Hilgert Ferrari.