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Archive for julho, 2012

30
jul

Eric Schwabel, o homem-estúdio

Eric Schwabel e seu estúdio portátil, 2010.

Eric Schwabel possui uma carreira bem-sucedida como fotógrafo em Los Angeles, mas há cerca de dois anos seu nome começou a se multiplicar exponencialmente por blogs e sites mundo afora. É o efeito do projeto “Human Light Suit”, um mirabolante estúdio de fotografia portátil que Schwabel acopla ao próprio corpo com o objetivo de produzir retratos ao ar livre sem abrir mão do controle total sobre a luz. Os personagens que ele escolhe fotografar, por sua vez, são pelo menos tão estranhos quanto a sua invenção e compõem uma galeria curiosa de retratos.

Foto: Eric Schwabel

Foto: Eric Schwabel.

A ideia de Schwabel tomou forma pela primeira vez em 2010, no festival Burning Man. Todos os anos, durante uma semana, esse evento leva cerca de 50 mil pessoas para o meio do deserto de Black Rock, no estado de Nevada (EUA), e as desafia a expressarem-se da maneira que quiserem. As regras de conduta são quase inexistentes e a arte é um dos maiores ingredientes de sucesso do evento. Foi o comportamento e a maneira de se vestir dos frequentadores que motivou Schwabel, um frequentador assíduo, a conceber um equipamento capaz de retratar essa estranha comunidade com a qualidade de uma foto de estúdio. As pessoas, cada qual mais exuberante do que a outra, são fotografadas contra o branco da areia e o denso azul do céu do deserto. Apesar dos desafios de fotografar nesse contexto, Schwabel se declara bastante econômico na hora de retocar, preferindo se restringir ao balanço de cor e à saturação especificamente das fotos em closeup.

Foto: Eric Schwabel.

Foto: Eric Schwabel.

O “Light suit” de Schwabel contém luzes, refletores, uma câmera digital de médio formato e grandes baterias recarregáveis através de energia solar que mantêm toda a estrutura funcionando. O equipamento costuma ser alugado com a ajuda de patrocinadores que contribuem através do site kickstarter.com. A arrecadação para a terceira edição do projeto já começou e se estende ate o dia 6 de agosto.

Foto: Eric Schwabel.

Foto: Eric Schwabel.

27
jul

Eduardo Biermann, aluno da ESPM-Sul, é finalista de concurso mundial da Nike

 

Foto: Divulgação.

O estudante de Publicidade e Propaganda e ex-funcionário do Centro de Fotografia, formado pelo curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul, Eduardo Biermann conquistou, no último final de semana, a oportunidade de registrar a final mundial do The Chance, promovido pela Nike, que acontecerá em Barcelona. O concurso, que tem como objetivo recrutar, treinar e lançar novos nomes para o futebol mundial pretende, em paralelo, mostrar ao mundo jovens talentos da fotografia e descobrir novas formas de descrever através das imagens uma das maiores paixões do mundo, o futebol. Para isso, a Nike buscou a parceria de escolas e universidades de renome no campo da fotografia, entre elas a ESPM-Sul.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

Depois de ter seu portfolio analisado, boa parte dele ilustrando shows de bandas nacionais e internacionais, Biermann foi selecionado para a segunda etapa do concurso que aconteceu no CT do Sport Club Internacional, aqui em Porto Alegre, no dia 19 de maio.  Foi o primeiro contato da sua lente com a agilidade do esporte e, para ele, o maior desafio até o momento: se familiarizar com o novo. “O futebol era uma temática ainda não explorada por mim. Os movimentos, os gestos, as emoções, tudo acontecia muito rápido. Foi difícil se adaptar até o reconhecimento do ambiente e até que eu conseguisse entender como as relações aconteciam”, explica. Naquele sábado o fotógrafo levou toda a sua criatividade, técnica e experiência adquiridas nos palcos para os gramados e conquistou, assim, uma vaga para a seleção seguinte, que aconteceria no Rio de Janeiro, nos dias 20, 21 e 22 de julho.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

Ao lado dos jogadores selecionados, Biermann enfrentaria agora a “peneira” nacional que poderia levá-lo à grande final, na Espanha. As primeiras fotos foram de um treino dos meninos e tiveram como cenário a praia de Copacabana ao entardecer. “Extraordinário”, relembra o fotógrafo. Na mesma noite de sexta-feira os candidatos foram informados de que deveriam entregar 40 fotos na manhã de domingo. Apesar da pressão do momento, ele conta que se manteve tranquilo: “Estava preparado para aquilo”.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

No sábado pela manhã, a caminho da Granja Comary, centro de treinamento da Seleção Brasileira, os fotógrafos receberam o briefing: captar a garra, força de vontade, determinação, dor, alegria e o talento com a bola no pé daqueles meninos, cada um com sua trajetória, sua personalidade, mas com um sonho em comum. “Durante a viagem fiquei pensando em como poderia solucionar aquela questão. Precisava dA foto, estava focado”. Biermann sabia que deveria fazer o que aprendeu desde os primeiros cliques, aos 17 anos, quando comprou sua primeira câmera, uma Nikon D40. Sem palavras, sem vídeos, somente através de momentos decisivos ele deveria por em prática aquilo que o encanta na fotografia: passar o sentimento, contar histórias. E foi essa sensibilidade, acompanhada do talento e do olho treinado – depois de muito esforço, estudo e dedicação à fotografia – que conquistaram os jurados e fizeram com que delegassem a ele a tarefa de representar o Brasil na última etapa do The Chance.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

O fotógrafo embarca para a Espanha no dia 19 de agosto para acompanhar no La Masia, CT do Barcelona, os passos de Wallace Camilo e Jamerson Júnior Neves, os jogadores que conquistaram uma vaga para a grande final. “A expectativa para essa última etapa é muito grande. Pretendo me preparar física e tecnicamente, com o auxílio dos professores Manuel da Costa e Guilherme Lund, os dois mestres da minha caminhada na ESPM-Sul e que agora estão me acompanhando nesse momento tão importante. Sou muito grato a ambos”, revela.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

Junto com o trabalho de fotógrafos de outros 15 países, as imagens de Biermann serão agora analisadas, entre outros jurados, pelo cineasta estadunidense Spike Lee, embaixador criativo do projeto, e concorrerão ao prêmio final do concurso: fotografar o próximo catálogo mundial da nova coleção da Nike.

25
jul

Josef Koudelka e suas fotografias do exílio

Retrato de Josef Koudelka.

O tcheco Josef Koudelka realizou uma das grandes fotorreportagens da história antes de saber o significado da palavra “fotojornalismo” ou sequer conhecer seu mais célebre veículo, a revista “Life”. Obedecendo à sua intuição, ele registrou os sete dias de protestos que agitaram Praga em 1968, quando a cidade foi ocupada pelas forças militares da União Soviética. Com o talento reconhecido por nada menos do que a agência Magnum Photos, de Robert Capa e Cartier-Bresson, ele seguiu produzindo monografias consideradas verdadeiras obras-primas do século XX.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

Nas fotografias realizadas na fatídica semana de 68, Koudelka correu grandes riscos para conseguir capturar cenas incrivelmente comoventes da resistência tcheca ao exército soviético que sairia vencedor, encerrando o período conhecido como Primavera de Praga. O fotógrafo utilizou uma câmera primitiva e rolos de filme de cinema cortados em tiras. Esses registros foram contrabandeados para fora do país e publicados em um grande jornal sob a assinatura P.P. (Prague Photographer), pois Koudelka temia represálias. Esse trabalho se tornou um divisor de águas para Koudelka, que conseguiu asilo político em Londres e, embora ainda sob a proteção do anonimato, teve suas fotos reconhecidas internacionalmente com o prêmio Robert Capa Gold Medal Award.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

Nos anos seguintes, já associado à Magnum, Koudelka deu continuidade a um projeto começado em 1962. Com a chegada de cada verão, ele partia em viagens pela Europa documentando grupos de ciganos. Ele obtinha a permissão de várias famílias na Checoslováquia, Romênia, Hungria, França e Espanha para se juntar a elas por longos períodos nos quais dormia ao ar livre e fotografava o peculiar estilo de vida desses grupos. O resultado dessa cruzada, muitos retratos em preto e branco revelando personagens um tanto irreais, transformou-se no seu primeiro livro: “Gypsies”, publicado em 1975.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

Sem a possibilidade de retornar ao país natal e inquieto demais para permanecer num só lugar por muito tempo, Koudelka manteve um estilo de vida nômade, intercalando temporadas em Londres com viagens constantes. Em 1988, publicou seu segundo livro, “Exiles”. O conjunto dessas fotos é um testemunho do estado de espírito do homem que vive no exílio, elas parecem falar sobre a natureza da alienação.

"Gypsies". Foto: Josef Koudelka.

"Exiles". Foto: Josef Koudelka.

Breve cronologia de Josef Koudelka – Nasceu em 1938, numa pequena cidade da região de Morávia, na antiga Checoslováquia. Ele realizou suas primeiras fotografias ainda como estudante, nos anos 50. No início da década de 1960, enquanto trabalhava como engenheiro, começou a fotografar ciganos na Checoslováquia e aceitar encomendas para fotografar peças de teatro em Praga. Em 1967, tornou-se fotógrafo em tempo integral. Em 1987, Koudelka ganhou a cidadania francesa. Em 1991, retornou a Checoslováquia pela primeira vez.