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Archive for julho, 2012

27
jul

Eduardo Biermann, aluno da ESPM-Sul, é finalista de concurso mundial da Nike

 

Foto: Divulgação.

O estudante de Publicidade e Propaganda e ex-funcionário do Centro de Fotografia, formado pelo curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul, Eduardo Biermann conquistou, no último final de semana, a oportunidade de registrar a final mundial do The Chance, promovido pela Nike, que acontecerá em Barcelona. O concurso, que tem como objetivo recrutar, treinar e lançar novos nomes para o futebol mundial pretende, em paralelo, mostrar ao mundo jovens talentos da fotografia e descobrir novas formas de descrever através das imagens uma das maiores paixões do mundo, o futebol. Para isso, a Nike buscou a parceria de escolas e universidades de renome no campo da fotografia, entre elas a ESPM-Sul.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

Depois de ter seu portfolio analisado, boa parte dele ilustrando shows de bandas nacionais e internacionais, Biermann foi selecionado para a segunda etapa do concurso que aconteceu no CT do Sport Club Internacional, aqui em Porto Alegre, no dia 19 de maio.  Foi o primeiro contato da sua lente com a agilidade do esporte e, para ele, o maior desafio até o momento: se familiarizar com o novo. “O futebol era uma temática ainda não explorada por mim. Os movimentos, os gestos, as emoções, tudo acontecia muito rápido. Foi difícil se adaptar até o reconhecimento do ambiente e até que eu conseguisse entender como as relações aconteciam”, explica. Naquele sábado o fotógrafo levou toda a sua criatividade, técnica e experiência adquiridas nos palcos para os gramados e conquistou, assim, uma vaga para a seleção seguinte, que aconteceria no Rio de Janeiro, nos dias 20, 21 e 22 de julho.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

Ao lado dos jogadores selecionados, Biermann enfrentaria agora a “peneira” nacional que poderia levá-lo à grande final, na Espanha. As primeiras fotos foram de um treino dos meninos e tiveram como cenário a praia de Copacabana ao entardecer. “Extraordinário”, relembra o fotógrafo. Na mesma noite de sexta-feira os candidatos foram informados de que deveriam entregar 40 fotos na manhã de domingo. Apesar da pressão do momento, ele conta que se manteve tranquilo: “Estava preparado para aquilo”.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

No sábado pela manhã, a caminho da Granja Comary, centro de treinamento da Seleção Brasileira, os fotógrafos receberam o briefing: captar a garra, força de vontade, determinação, dor, alegria e o talento com a bola no pé daqueles meninos, cada um com sua trajetória, sua personalidade, mas com um sonho em comum. “Durante a viagem fiquei pensando em como poderia solucionar aquela questão. Precisava dA foto, estava focado”. Biermann sabia que deveria fazer o que aprendeu desde os primeiros cliques, aos 17 anos, quando comprou sua primeira câmera, uma Nikon D40. Sem palavras, sem vídeos, somente através de momentos decisivos ele deveria por em prática aquilo que o encanta na fotografia: passar o sentimento, contar histórias. E foi essa sensibilidade, acompanhada do talento e do olho treinado – depois de muito esforço, estudo e dedicação à fotografia – que conquistaram os jurados e fizeram com que delegassem a ele a tarefa de representar o Brasil na última etapa do The Chance.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

O fotógrafo embarca para a Espanha no dia 19 de agosto para acompanhar no La Masia, CT do Barcelona, os passos de Wallace Camilo e Jamerson Júnior Neves, os jogadores que conquistaram uma vaga para a grande final. “A expectativa para essa última etapa é muito grande. Pretendo me preparar física e tecnicamente, com o auxílio dos professores Manuel da Costa e Guilherme Lund, os dois mestres da minha caminhada na ESPM-Sul e que agora estão me acompanhando nesse momento tão importante. Sou muito grato a ambos”, revela.

Foto: Eduardo Biermann.

Foto: Eduardo Biermann.

Junto com o trabalho de fotógrafos de outros 15 países, as imagens de Biermann serão agora analisadas, entre outros jurados, pelo cineasta estadunidense Spike Lee, embaixador criativo do projeto, e concorrerão ao prêmio final do concurso: fotografar o próximo catálogo mundial da nova coleção da Nike.

25
jul

Josef Koudelka e suas fotografias do exílio

Retrato de Josef Koudelka.

O tcheco Josef Koudelka realizou uma das grandes fotorreportagens da história antes de saber o significado da palavra “fotojornalismo” ou sequer conhecer seu mais célebre veículo, a revista “Life”. Obedecendo à sua intuição, ele registrou os sete dias de protestos que agitaram Praga em 1968, quando a cidade foi ocupada pelas forças militares da União Soviética. Com o talento reconhecido por nada menos do que a agência Magnum Photos, de Robert Capa e Cartier-Bresson, ele seguiu produzindo monografias consideradas verdadeiras obras-primas do século XX.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

Nas fotografias realizadas na fatídica semana de 68, Koudelka correu grandes riscos para conseguir capturar cenas incrivelmente comoventes da resistência tcheca ao exército soviético que sairia vencedor, encerrando o período conhecido como Primavera de Praga. O fotógrafo utilizou uma câmera primitiva e rolos de filme de cinema cortados em tiras. Esses registros foram contrabandeados para fora do país e publicados em um grande jornal sob a assinatura P.P. (Prague Photographer), pois Koudelka temia represálias. Esse trabalho se tornou um divisor de águas para Koudelka, que conseguiu asilo político em Londres e, embora ainda sob a proteção do anonimato, teve suas fotos reconhecidas internacionalmente com o prêmio Robert Capa Gold Medal Award.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

Nos anos seguintes, já associado à Magnum, Koudelka deu continuidade a um projeto começado em 1962. Com a chegada de cada verão, ele partia em viagens pela Europa documentando grupos de ciganos. Ele obtinha a permissão de várias famílias na Checoslováquia, Romênia, Hungria, França e Espanha para se juntar a elas por longos períodos nos quais dormia ao ar livre e fotografava o peculiar estilo de vida desses grupos. O resultado dessa cruzada, muitos retratos em preto e branco revelando personagens um tanto irreais, transformou-se no seu primeiro livro: “Gypsies”, publicado em 1975.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

"Prague Spring 1968". Foto: Josef Koudelka.

Sem a possibilidade de retornar ao país natal e inquieto demais para permanecer num só lugar por muito tempo, Koudelka manteve um estilo de vida nômade, intercalando temporadas em Londres com viagens constantes. Em 1988, publicou seu segundo livro, “Exiles”. O conjunto dessas fotos é um testemunho do estado de espírito do homem que vive no exílio, elas parecem falar sobre a natureza da alienação.

"Gypsies". Foto: Josef Koudelka.

"Exiles". Foto: Josef Koudelka.

Breve cronologia de Josef Koudelka – Nasceu em 1938, numa pequena cidade da região de Morávia, na antiga Checoslováquia. Ele realizou suas primeiras fotografias ainda como estudante, nos anos 50. No início da década de 1960, enquanto trabalhava como engenheiro, começou a fotografar ciganos na Checoslováquia e aceitar encomendas para fotografar peças de teatro em Praga. Em 1967, tornou-se fotógrafo em tempo integral. Em 1987, Koudelka ganhou a cidadania francesa. Em 1991, retornou a Checoslováquia pela primeira vez.

23
jul

Gregory Crewdson: fotografias com produção de cinema

Retrato de Gregory Crewdson.

A produção por trás de cada fotografia do americano Gregory Crewdson é tão extensa que é frequentemente comparada à de um filme. Com a ajuda de uma equipe de profissionais que inclui cenógrafo, produtor, diretor de elenco e diretor de locação, entre muitos outros, ele constrói sets cujo objetivo não é filmar, mas, depois de meses de trabalho, produzir apenas uma imagem. Em 2012, a conexão de Crewdson com a sétima arte se tornou ainda mais próxima com o lançamento do documentário “Gregory Crewdson: Brief Encounters”. Nele, o diretor Ben Shapiro mostra os bastidores da épica série de fotografias “Beneath the Roses”, produzida entre 2002 e 2008.

Foto: Gregory Crewdson.

Foto: Gregory Crewdson.

Muitas fotos de Crewdson, impressas em grande escala, mostram o lado oposto do “sonho americano”. Criadas em pequenas cidades dos Estados Unidos, elas possuem um tom surreal e misterioso. É fácil perceber que há algo errado nas cenas, mas bem complicado tentar descrevê-lo. Algumas tentativas recorrem a palavras como solidão, alienação, inquietação, desamparo, vazio. O certo é que tudo que vemos é irreal, a ação dos personagens foi coreografada e cada detalhe do cenário foi pensado para depois ser capturado com precisão por uma câmera de grande formato e inclusive submetido à pós-produção.

Untitled (The Father). Foto: Gregory Crewdson.

Untitled (The Mother). Foto: Gregory Crewdson.

Na série de fotos “Twilight”, todos os elementos também são planejados meticulosamente, mas a luz é a verdadeira protagonista. Essas imagens aproveitam a luminosidade do crepúsculo ou recriam ela artificialmente. Em algumas situações, chuva ou gelo seco foram usados para completar a atmosfera da foto.

Foto: Gregory Crewdson.

Untitled (Blind Reflection). Foto: Gregory Crewdson.

Crewdson tem duas maneiras bem diferentes de trabalhar. Às vezes, constrói seus cenários em estúdio, como na fotografia Untitled (birth), que foi precedida por meses de planejamento e dezenas de rascunhos. Para concebê-la, a equipe de Crewdson construiu ou transportou todos os elementos para dentro do set, desde o pequeno quarto onde a cena acontece até a neve falsa e o carro que aparece bem discretamente no canto esquerdo.

Untitled (Birth). Foto: Gregory Crewdson.

Foto: Gregory Crewdson.

Outras vezes, seu processo criativo começa com a exploração de cidadezinhas ou subúrbios americanos, por onde ele vaga sozinho em busca de locações potenciais para suas fotos. Ao encontrar um lugar, ele convoca a sua equipe – que pode chegar a 60 pessoas. Enquanto Crewdson concebe o futuro tema da fotografia, seus colaboradores se dedicam a conseguir permissões com moradores e autoridades da região, planejar a logística necessária para trazer dezenas de equipamentos, entre muitas outras atividades. Untitled (Oak Street) é um exemplo de fotografia produzida assim.

Untitled (Oak Street). Foto: Gregory Crewdson.

Untitled (Shane). Foto: Gregory Crewdson.

Mais sobre o artista: Gregory Crewdson nasceu em 1963, no Brooklyn, em Nova Iorque. Ele ganhou fama nos anos 1980 como membro da banda The Speedies, cujo principal single, ironicamente, chamava-se “Let me take your Photo”. Ele estudou fotografia em SUNY Purchase e completou um mestrado em artes na Yale University, onde atualmente integra o quadro de professores. Entre as suas influências, Crewdson cita o trabalho da fotógrafa Diane Arbus, a pintura de Edward Hopper, e filmes dirigidos por Alfred Hitchcock, David Lynch e Steven Spielberg.

Foto: Gregory Crewdson.

Foto: Gregory Crewdson.

16
jul

Lista dos aprovados para o Módulo Avançado do Curso Anual de Fotografia da ESPM – Sul 2012

NOME TURMA 
1 ADRIANO SILVA DE RESENDE A
2 ALECSANDER DA SILVA PORTILIO B
3 ANDREIA GUIMARAES SALAZAR A
4 CAMILLA NEGRI CORREA B
5 CARLOS ALFREDO FRANCO NETTO DA COSTA B
6 CAROLINA RITTER CHIODELLI A
7 CRISTINA TRENTINI A
8 DAMIANE SOBIRAI B
9 DANIELA GARCIA LUFT A
10 DEBORA GROSS DE LIMA KREISLER MELLO A
11 DENISE BOFF B
12 DESIRÉE DE BARROS FERREIRA B
13 DOUGLAS DE SOUZA (C) B
14 GABRIEL PERY LODI A
15 JEFERSON BONATTO B
16 JOÃO OTAVIO RELA PILATI B
17 JOHANN STEFFENS DE OLIVEIRA (C) B
18 JULIANA GOULART CHAVES B
19 LEANDRO NUNES SIBURGER B
20 LUCIANA SOBRAL DE REZENDE A
21 LUIS FRANCISCO OLIVEIRA DA SILVA B
22 MAIARA LUZ DO NASCIMENTO B
23 MÁRTIN CARDOSO B
24 MILENE KENIGER ANDRADE GENSAS A
25 PETTER CAMPAGNA KUNRATH A
26 RICARDO NOSCHANG A
27 ROBERTA VALDEZ STAUB A
28 RODRIGO BOAZ DA CUNHA B
29 SILVIA MARIA POZZOBON GIORDANI A
30 TARCISIO RODOLPHI CARNEIRO B
31 TIAGO ROCHA CAPELINI B
32 TOMAS BRUGGER B
33 VANESSA FUHRMEISTER CANDIDO B
34 YURI SOARES RUPPENTHAL B
35 LUIZ FELIPE KELEN  -
36 MATEUS BASSELS  -

 

OBSERVAÇÃO: A matrícula para o Módulo Avançado é automática somente para quem está em dia com as mensalidades do curso. Aqueles com parcelas em haver deverão dirigir-se ao departamento financeiro da escola para regularizar a sua situação antes de terem a sua matrícula efetivada.

9
jul

Yuri Kozyrev na estrada da revolução

Retrato de Yuri Kozyrev

Fotojornalista há 20 anos, Yuri Kozyrev é famoso por registrar os dois lados de conflitos importantes do mundo todo. Nascido em Moscou, começou na fotografia de guerra cobrindo alguns dos principais embates da antiga União Soviética, incluindo as duas guerras da Chechênia. Imediatamente após os antentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos, embarcou para o Afeganistão para documentar a queda do regime talibã. Mas foi por outra ampla série de reportagens que seu trabalho foi aclamado recentemente: a ampla documentação dos conflitos que marcaram o ano de 2011.

Foto: Yuri Kozyrev, 2011.

Foto: Yuri Kozyrev, 2012.

No ano passado, Kozyrev viajou por sete países (Egito, Bahrein, Líbia, Lêmen, Rússia, Grécia e Tunísia) para cobrir as revoltas e protestos que caracterizaram o período. Para a Revista Time, documentou a queda de ditadores da Primavera Árabe e suas consequências — um de seus ensaios, feito na Líbia após o término da revolução, tinha como objetivo justamente mostrar como a queda de um ditador é apenas o primeiro passo para se chegar à liberdade. O conjunto desse trabalho foi celebrado como um dos mais abrangentes e coerentes com os nove meses de conflitos, sendo que uma dessas imagens ganhou o primeiro lugar na categoria Spot News do World Press Photo 2012.

On the revolution road, 2011. Foto: Yuri Kozyrev

Foto: Yuri Kozyrev, 2011.

Registrada em 11 de março de 2011, essa foto mostra os rebeldes batalhando por Ras Lanuf, uma área de refinamento de petróleo localizada na costa da Líbia que oscilou entre o domínio de Muammar Gaddafi e das tropas contrárias ao seu governo.

Foto: Yuri Kozyrev, 2008.

Foto: Yuri Kozyrev, 2011.

O nome dessa imagem, “On Revolution Road”, deu origem ao título do livro e da exposição sobre toda a jornada: The Arab Spring – On Revolution Road (2011) (algo como “A Primavera Árabe – Na estrada da revolução”, ou “Revolução a caminho”), com curadoria de Deanna Richardson e Francesco Zizola. A obra reúne 66 imagens tiradas entre fevereiro e março do ano passado que mostram a determinação do fotógrafo em registrar a redefinição da alma de cada país. Grande parte delas se concentra nas características mais emblemáticas desses confrontos: a juventude dos revolucionários, o seu uso inteligente da tecnologia e a ocasional abdicação da violência usada como uma ferramenta política. Elas também evidenciam muitos dos contrastes encontrados por Kozyrev no percurso, em especial as diferentes estratégias usadas na luta contra tiranias semelhantes. Por essa obra, Kozyrev venceu o Visa d’or News Awards.

Foto: Yuri Kozyrev, 2011.

5
jul

Weegee e a alma suja de Nova Iorque

Retrato de Arthur Fellig a.k.a. Weegee

Weegee, pseudônimo de Arthur Fellig, foi, para muitos, um fotógrafo a frente de seu tempo, tanto pelo caráter célere e instantâneo de suas imagens quanto por seu conteúdo aterrador. Conhecido pela força e a crueza dessas fotografias em preto e branco, ele atuou no Lower East Side de Nova Iorque como fotojornalista durante as décadas de 1930 e 1940. Seu estilo foi desenvolvido enquanto acompanhava e documentava os serviços de emergência da cidade, registrando com personalidade cenas ora cotidianas, ora de crimes, acidentes, miséria e morte. O impacto dessa forma de fazer fotografia urbana chegou ao cinema: inicialmente em curtas autorais, depois em colaborações com diretores como Jack Donohue e Stanley Kubrick.

Lovers with 3-D glasses at the Palace Theatre, 1943. Foto: Weegee.

Heatspell, 1938. Children sleeping on the fire-escape. Foto: Weegee.

Nascido na Ucrânia em 1899 e batizado de Ascher Fellig, mudou seu nome para Arthur quando emigrou aos Estados Unidos com sua família, em 1909. Em Nova Iorque, trabalhou em empregos pouco tradicionais até descobrir a fotografia, primeiro como assistente de um fotógrafo comercial. Em 1924, foi contratado como técnico de revelação para a Acme Newspictures, depois United Press International Photos, mas abandonou o trabalho para se tornar fotógrafo freelancer. Trabalhava à noite e competia com a polícia para ser o primeiro a chegar na cena do crime. Logo passou a vender suas fotografias para agências de notícias e tablóides como Herald Tribune, Daily News e New York Post.

Simply Add Boiling Water. Foto: Weegee.

Accident, 42nd Street at Third Avenue, 1946. Foto: Weegee.

A grande maioria de suas fotos foi feita com os mais básicos equipamentos e técnicas fotojornalísticas da época. Sem treinamento formal, Weegee era autodidata e revelava as fotos no porta-malas de seu carro, o que ampliava sua atmosfera de instantaneidade e exclusividade, característica, também, de toda a indústria dos tablóides. No final dos anos 1930, era o único repórter nova-iorquino autorizado a ter acesso à estação de rádio da polícia.

Em 1943, cinco de suas imagens foram incluídas na exibição Action Photography do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA); depois, elas foram contempladas na obra 50 Photographs by 50 Photographers, organizada por Edward Steichen. Nessa época, passou a fazer imagens publicitárias e editoriais para publicações como Life e Vogue.

The Critic, 1943. Mrs Cavanaugh and friend entering the opera. Foto: Weegee.

 

Top hat. Outside the Metropolitan Opera House, 1943. Foto: Weegee.

Naked City (1945), “cidade nua”, foi seu primeiro livro de fotografias. A obra inspirou o filme homônimo de Mark Hellinger, que conta a história do assassinato de uma modelo em Nova Iorque. Tanto a estética quanto a temática remete às imagens do fotojornalista, nas quais cenas patéticas de beberrões decadentes e cliques de personagens sofisticados tinham o mesmo peso: eram sempre explícitos, e até desagradáveis, mas nunca feios esteticamente. Seus temas que contemplavam freaks circenses, nudistas e moradores de rua também inspiraram o trabalho de Diane Arbus no início da década de 1960. Para alguns, Weegee pode ser visto como um equivalente americano para Brassaï, que fotografou de forma pioneira cenas de rua da noite parisiense.

Arrested for bribing basketball players, 1942. Foto: Weegee.

 

Two Offenders in the Paddy Wagon. Foto: Weegee.

Em 1957, depois de ser diagnosticado com diabetes, passou a morar com sua futura esposa, Wilma Wilcox, grande apoiadora de seu trabalho. Viajaram extensivamente pela Europa, onde Weegee trabalhou para o Daily Mirror e em projetos literários e cinematográficos até 1968. Nesse período realizou experimentos com distorções e fotografias panorâmicas. A mais famosa dessas imagens mostra Marilyn Monroe grotescamente distorcida e ainda assim reconhecível.

Weegee faleceu em Nova Iorque em 1968, aos 69 anos.