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Archive for maio, 2012

30
mai

“Animal Masses”, por Ingo Arndt

Retrato de Ingo Arndt.

Com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a preservação das espécies, o fotógrafo alemão Ingo Arndt criou o projeto Animal Masses, que reúne imagens de enormes grupos de animais. Borboletas unidas para beber água no México, caranguejos vermelhos em uma ilha australiana, flamingos se alimentando no Quênia e grandes grupos de morcegos e algas são alguns dos coletivos contemplados.

O fotógrafo conta que as espécies se reúnem por diferentes motivos. Enquanto algumas só existem em aglomerações, formando superorganismos, outras juntam-se para reproduzir, migrar, habitar novos ambientes ou sobreviver ao inverno. Para fazer as imagens foram necessários quatro anos de pesquisa e viagens, muitas delas duravam semanas ou meses.

Ingo nasceu em 1968, em Frankfurt, e desde a infância é apaixonado por natureza. Quando percebeu que a fotografia era uma ferramenta útil para sua preservação, profissionalizou-se e passou a trabalhar como um fotógrafo freelancer de vida selvagem, retratando sempre os animais em seus habitats. Com suas imagens, busca estimular as pessoas a cuidarem do meio-ambente.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

Foto: Ingo Arndt.

25
mai

“Meu coração está nos livros que faço” James Mollison

James Mollison Portrait

James Mollison é um dos fotógrafos que encontra no trabalho comercial a verba necessária para executar seus projetos autorais. Queniano e criado na Inglaterra, vive há mais de 10 anos em Veneza, na Itália, onde foi morar em 1998 para trabalhar no laboratório de criatividade da Benetton. Suas imagens foram amplamente publicadas em veículos como The New York Times, The Guardian, The New Yorker e Le Monde.

Nascido em 1973, Mollison estudou Arte e Design na Universidade de Oxford e Cinema e Fotografia na Newport School of Art and Design. Mesmo confiante na qualidade de sua formação, o fotógrafo conta que nos primeiros anos de atuação não se sentia satisfeito com nada que criava, o que mudou quando começou a explorar com mais afinco o uso de cores e a viajar a lugares interessantes à trabalho.

Mollison conta que ao perceber que os projetos que mais o realizavam eram os seus próprios — e que tentar convencer os editores a concretizar suas ideias era geralmente uma luta vã — decidiu fazer seus ensaios de forma autônoma. O primeiro deles, James and other Apes (2004), clicado em 2003, mostra uma série de close ups de macacos. A inspiração foi o insight de que costumamos pensar em cada espécie animal de forma genérica, não como seres com características particulares individuais. Os retratos macro revelam detalhes da expressão de cada um dos gorilas, chimpanzés, orangotangos, entre outros.

Foto: James Mollison.

Foto: James Mollison.

Foto: James Mollison.

O mais jornalístico de seus trabalhos é The Memory of Pablo Escobar (2007), que exigiu intensa pesquisa e inúmeras entrevistas. Com centenas de imagens e alguns depoimentos, o livro conta a história da mais rica e violenta gangue da Colombia. Sua obra seguinte, The Disciples (2008), deu origem a sua primeira exposição individual, sediada na Hasted Hunt Gallery, em Nova Iorque. O objetivo da obra era mostrar a maneira como diversos grupos utilizam celebridades para formar sua própria identidade. Para isso, Mollison frequentou shows de diferentes artistas ao longo de três anos e reuniu fotos de seus mais dedicados fãs. A imagem preferida do autor foi feita em uma apresentação de Rod Stewart em Manchester, em 2005, que mostra lado a lado vários sósias do cantor.

Rod Stewart. Foto: James Mollison.

Madonna. Foto: James Mollison.

Oasis. Foto: James Mollison.

Em 2011 um de seus ensaios se espalhou como um viral pela internet. Com direitos infantis como pauta, mas total liberdade de criação, Mollison se viu pensando sobre a importância que o local onde dormia desempenhou durante os primeiros anos de sua vida. Com essa ideia em mente, viajou ao redor do mundo para retratar 26 crianças e seus respectivos quartos. O resultado foi Where Children Sleep (2010), que possui páginas duplas com imagens dos personagens em um fundo neutro e, do outro lado, o lugar onde dormem, reflexo de seus sonhos, rotinas e condições econômicas. Mesmo que não tenha sido seu mote principal, é impossível não sentir desconforto ao perceber o contraste entre a realidade de cada uma delas. O livro contém um mapa que mostra todos os países contemplados — o que inclui Brasil, representado pela carioca Thais, na época com 11 anos.

Indira, sete anos, de Kathmandu, Nepal. Foto: James Mollison.

Ahkôhxet, oito anos, mora na Bacia do Amazonas, Brasil. Foto: James Mollison.

Natio, quinze anos, Quênia. Foto: James Mollison.

Kaya, quatro anos, Tóquio, Japão. Foto: James Mollison.

Em 2009, voltou a seu país de nascimento para fotografar a imensa variedade de pessoas que está no campo de refugiados Dadaab, localizada na fronteira do Quênia com a Somália. O trabalho comercial segue sendo o meio de financiamento de seus projetos autorais. Ele assume que, de certa forma, mescla sua base em fotografia documental com a plasticidade de seus trabalhos editoriais quando constrói seus livros. Entre os assuntos mais frequentes estão retratos de celebridades, editoriais de moda e campanhas. “Às vezes fazemos pautas ótimas, mas muitas são feitas apenas para que eu possa concretizar meus outros projetos”, conta.

23
mai

Pioneirismo para legitimar a fotografia artística

Alfred Stieglitz Self-Portrait, 1907.

Cronista da transformação tecnológica e cultural da sociedade americana na virada do século XX, Alfred Stieglitz (1864 – 1946) dedicou seus 50 anos de carreira à legitimação da fotografia como uma forma de expressão artística. Além de fotógrafo, é conhecido pelas galerias que administrou em Nova Iorque e por seu forte envolvimento com arte moderna, sendo responsável por introduzir muitos movimentos e artistas de vanguarda europeus nos Estados Unidos.

The Terminal, 1832. Foto: Alfred Stieglitz.

Nascido em Nova Jersey, Stieglitz era o mais velho de seis filhos de uma família judia alemã que emigrou para os Estados Unidos em 1849. Cresceu em um ambiente confortável e teve acesso a uma boa educação, com ênfase incomum em cultura e arte. Em 1881, foi concluir os estudos na Alemanha e cursou química fotográfica com o aclamado Dr. Hermann Wilhelm Vogel. A partir daí, embora permanecesse um apreciador de ciência, música e literatura, seus interesses se tornaram basicamente os campos da arte visual e da fotografia. Um de seus estudos, feito em 1889, revela sua fascinação com os possíveis papéis da luz e em especial com as possibilidades da fotografia como uma forma de expressão.

Spiritual America, 1923. Foto: Alfred Stieglitz.

Quando suas capacidades como fotógrafo começavam a se tornar reconhecidas no exterior, Stieglitz voltou para Nova Iorque e se engajou em campanhas para promover o reconhecimento de seu ofício como arte. Por se recusar a vender suas fotos e a procurar qualquer outro emprego, recebeu ajuda de seu pai para se associar na Photochrome Engraving Company. Stieglitz exigia uma qualidade tão alta à produção e pagava tão bem seus funcionários que nunca conseguia ter lucro. Ainda assim, nos três anos que permaneceu na sociedade, tornou-se um mestre nas artes da fotogravura, adquirindo todos os conhecimentos gráficos que tornariam célebres seus próximos projetos: publicações especializadas.

Ford V-8. Foto: Alfred Stieglitz.

Abraçado à sua crença no potencial estético da fotografia, passou a editar publicações. Primeiro a revista American Amateur Photographer; depois, a Camera Club of New York e o célebre periódico Camera Notes, uma associação de fotógrafos amadores entusiastas. Quando o coletivo passou a se mobilizar contra suas políticas editoriais rigorosas e restritivas, rompeu com o grupo para fundar a Photo-Secession em parceria com fotógrafos como Edward Steichen e Gertrude Käsebier. Stieglitz se tornaria o presidente do espaço de exposições da publicação, a Galeria 291, responsável por despertar no público e na crítica norte-americana interesse pelos modernos movimentos de arte europeus.

Waldo Frank, 1920.Foto: Alfred Stieglitz.

Nessa época, Stieglitz deu vazão a seu envolvimento com Pictorialismo, movimento artístico pioneiro no campo da fotografia. Influenciado principalmente pelo Impressionismo, o Simbolismo e o Naturalismo — e mais tarde, já na segunda década do século XX, pelos movimentos Cubista e Dadaista —, ele buscava expressar sentidos e evocar sensações através da fotografia. Sieglitz foi um de seus principais representantes. Para ele, era comum tratar a foto como uma pintura, fazendo intervenções sobre o negativo usando pincéis, produtos químicos e outros instrumentos.

Ellen Koeniger, 1916. Foto: Alfred Stieglitz.

O contexto de sua atuação profissional é fundamental para que se compreenda a diferença entre as imagens produzidas no fim do século XIX e no início do século XX. No primeiro momento, as fotografias de Stieglitz evidenciavam o vapor da industrialização: o cotidiano aparecia envolto pela névoa, com um primeiro plano nítido e paisagens esmaecidas, quase misteriosas, ao fundo. Na transição para o novo século, o Pictorialismo sofreu influência de movimentos artísticos voltados a uma arte mais abstrata. As texturas e intervenções até então usadas perderam espaço para a precisão visual e os temas urbanos. Nesse período, Stieglitz passou a priorizar planos abertos com maior profundidade de campo que revelavam vários elementos em uma mesma cena.

The Steerage, 1907. Foto: Alfred Stieglitz.

Já na primeira década do século, compôs uma série de imagens noturnas emblemáticas que sugerem o célere crescimento de Nova Iorque, mas foi apenas anos mais tarde, já em 1930, que se referiu diretamente às transformações urbanas com uma série de registros de arranha céus, alguns já construídos, outros em construção. Muitos interpretam essas imagens de prédios, com padrões abstratos e tensões entre a luz e a sombra, como representantes da dualidade de sentimentos que nutria pela cidade, um misto de ódio e fascinação.

From the back window. Foto: Alfred Stieglitz.

Stieglitz era perfeccionista de forma quase patológica: detestava tudo o que não era feito com total dedicação, característica evidente em sua própria obra. Valorizava o poder da fotografia para comunicar a pureza, o frescor e a honestidade que residia na própria personalidade do artista. É por isso que esperava tanto daqueles com quem trabalhava — o que explica as constantes brigas que surgiam em seus relacionamentos.

Foto: Alfred Stieglitz.

Após o encerramento das atividades do jornal e da galeria, em 1917, Stieglitz passou a desenvolver um trabalho mais pessoal, um multi-facetado retrato daquela que seria sua futura esposa e eterna modelo, a pintora Georgia O’Keeffe. No início dos anos 1920, realizou o que chamou de Equivalentes, imagens de nuvens e do céu feitas para demonstrar sua crença de que em artes visuais são as formas, e não assuntos específicos, os responsáveis por transmitir um significado emocional e psicológico.

Georgia O'keeffe, 1920. Foto: Alfred Stieglitz.

Nas décadas finais de sua vida, fotografava com cada vez menos frequência por conta de sua saúde, e quando o fazia, era da janela de sua galeria. As poucas imagens desse período são realizações impressionantes pelo poder de síntese que têm em relação ao resto de sua obra. Para muitos, elas contam a história das diferentes fases de seu desenvolvimento até sua consagração como fotógrafo — e como um dos maiores defensores da fotografia na história.

Equivalent, 1926. Foto: Alfred Stieglitz.