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Archive for abril, 2012

20
abr

“Plural”, por Alexandre Raupp.

Autorretrato de Alexandre Raupp.

Formado pelo curso anual de fotografia da ESPM-Sul no ano passado, o fotógrafo Alexandre Raupp realiza a partir de hoje, 20 de abril, a exposição “Plural” na Galeria II do Espaço Cultural da ESPM-Sul. Paralela à mostra “Movimento”, com esculturas de Pedro Giardello, ela estará aberta para visitação de 21 de abril a 26 de maio. A inauguração será realizada hoje às 19h30.

Ensaio "Era uma casa muito engraçada...". Foto: Alexandre Raupp.

Raupp iniciou sua relação com a fotografia quando ingressou no curso de Publicidade e Propaganda, em 2008. Trabalhou durante um ano no Centro de Fotografia da ESPM-Sul antes de realizar o Curso Avançado de Fotografia Digital, em 2011. Antes dessa mostra, participou da exposição “Nas Trilhas do Olhar”, realizada durante o Canela Foto Workshops deste ano. Atualmente, trabalha como fotógrafo freelancer, com foco em publicidade e eventos.

Ensaio "Era uma casa muito engraçada...". Foto: Alexandre Raupp.

Raupp explica que “Plural” é o resultado de quatro anos do estudo da fotografia. Neste período, descobriu como eternizar em imagens momentos singelos do cotidiano — e um dos ensaios disponíveis no espaço, “Era uma casa muito engraçada…”, é um bom exemplo disso. Para fazê-lo, valoriza todas as etapas do processo fotográfico: a ideia, a captura, a edição do resultado, a reflexão posterior. “Todo o desenvolvimento e conteúdo de um trabalho é que o torna reflexivo. A fotografia ensina a olhar. Pensar, fotografar, pensar, pensar…”, conta.

Ensaio "Era uma casa muito engraçada...". Foto: Alexandre Raupp.

Plural

Alexandre Raupp

Exposição de Fotografias

Espaço Cultural da ESPM-Sul – Galeria II
Rua Guilherme Schell, 268

Abertura: sexta, 20 de abril das 19h30 às 22h

Visitação: 21 de abril a 26 de maio de 2012
Segunda a sexta: das 8h às 22h
Sábado: das 9h às 15h

20
abr

Mestres da Fotografia: Bill Brandt

Bill Brandt Portrait, 1979.

Ao longo do século XX, Bill Brandt (1904 – 1983) atingiu a excelência na fotografia documental, ao ponto de suas fotos serem consideradas um testemunho da sociedade britânica do entre-guerras, e se consagrou como artista cujas imagens surreais podiam atingir a abstração. Esse legado versátil lhe valeu a posição de fotógrafo inglês mais influente e admirado. Ainda hoje suas fotos permanecem enigmáticas.

Racecourse, 1930's. Foto: Bill Brandt.

Sailor Cox bookmaker, 1933. Foto: Bill Brandt.

A Paris de 1929 é o local escolhido por Brandt para iniciar a sua carreira. Naquela época, a cidade das luzes vibrava com o surrealismo e fotógrafos como Brassaï, Kertesz e Cartier-Bresson já estavam em atividade. Lá, o jovem Brandt se torna assistente do americano Man Ray, um artista que elevou o experimentalismo na fotografia a novas alturas.

Lamplighter, Kensington, 1930's. Foto: Bill Brandt.

Great Union Canal, 1940's. Foto: Bill Brandt.

Piccadilly Circus, 1930's. Foto: Bill Brandt.

Apesar de entrar na fotografia pela porta da arte, quando Brandt retorna à Inglaterra, em 1931, sente-se atraído pelos contrastes sociais. Durante uma década, ele se dedica a registrar em filme tanto a pobreza dos subúrbios quanto os lares ricos de Londres.

In a Mayfair Drawing Room, 1930. Foto: Bill Brandt.

Northumbrain coal miner eating his evening meal, 1937. Foto: Bill Brandt.

A partir dos anos 40, Brandt começa a produzir retratos de grandes artistas como Picasso,  Magritte e Brassaï, seu fotógrafo predileto. “Eu sempre fotografo as pessoas em seus próprios ambientes”, disse ele, que também costumava esperar pacientemente até que seus modelos esquecessem da câmera e parassem de posar.

East end girl dancing the Lambeth walk, 1937. Foto: Bill Brandt.

Eton Sprawls, 1933. Foto: Bill Brandt.

Após a 2ª Guerra Mundial, Brandt reorienta sua produção para o campo da arte e começa a fotografar nus, retratos e paisagens. Compra uma antiga câmera de lente grande-angular e faz uso das suas distorções que deixam clara a influência do Surrealismo. Tiradas de ângulos inesperados, as fotografias desse período envolvem a anatomia feminina em jogos de luz e sombra em alto contraste e sempre em preto e branco. Muitas vezes os corpos adquirem a aparência de esculturas.

Nude. London, 1958. Foto: Bill Brandt.

Nude. Bealgravia, London, 1951. Foto: Bill Brandt.

Nude. Micheldever, 1948. Foto: Bill Brandt.

Em algumas fotos do livro “Perspective of Nudes” (1961), partes do corpo se camuflam na paisagem: mãos ganham a textura de pedras, as curvas de quadris viram montanhas, orelhas ou pés aparecem desligadas de seus corpos.  Muitos desses efeitos são obtidos no processo de revelação das fotos.

Nude. East Sussex, Ear on Beach, 1957. Foto: Bill Brandt.

Nude. Baie des Anges, 1959. Foto: Bill Brandt.

Nude. Baie des Anges, 1959. Foto: Bill Brandt.

“Eu não estou interessado em regras e convenções… a fotografia não é um esporte”.

Bill Brandt era bastante tímido e não costumava falar das suas fotografias. Mas ele abriu uma exceção para série Master Photographers, da BBC. Em 1983, ele concede uma entrevista na qual revê seu catálogo relembrando o contexto de fotos célebres e compartilha algumas práticas, como a insistência em trabalhar instintivamente, sem planejar, ou que, ao receber encomendas de retratos, sempre batia 24 fotos, e não 12, “para garantir”.

19
abr

Pieter Hugo, fotógrafo da África subsaariana

Pieter Hugo Portrait, 2009.

O fotógrafo Pieter Hugo vive na Cidade do Cabo, na África do Sul, mas costuma cruzar o continente africano em busca de uma boa história. O conjunto da sua obra, bastante focada em retratos de grande formato, poderia compor uma galeria de tipos humanos peculiares: curandeiros, apicultores, albinos, lavadores de taxis, criadores de hienas, e por aí vai.

Chris Nkulo and Patience Umeh, 2008. Foto: Pieter Hugo.

Hugo começou a fotografar quando o apartheid chegava ao fim e se tornou herdeiro da tradição fotográfica política da África do Sul, marcada por fotos impactantes como as de David Goldblatt. Mas a denúncia presente no seu trabalho é bem diferente: sem opinar sobre o que é certo ou errado, ele elege temas com a ambição de mostrar uma África complexa, muito além da miséria que repercute na mídia.

O material para dois de seus livros foi conseguido na Nigéria, inclusive a famosa série The Hyena and Other Men (2005–2007). O trabalho nasceu do fascínio de Hugo por um grupo de homens que domavam hienas e desfilavam com elas pelas ruas de Lagos como se fossem animais de estimação. Para falar de Nollywood (2008), uma das maiores indústrias cinematográficas do mundo, o fotógrafo pediu que atores encenassem mitos e símbolos dos filmes como se estivessem em sets.

Alhaji Hassem with Ajasco, 2007. Foto: Pieter Hugo.

Abdullahi Mohammed with Gumu, 2007. Foto: Pieter Hugo.

Looking Aside(2003–2006) é constituída por retratos realizados em estúdio de pessoas cuja aparência costuma causar desconforto. Ao aproximar a câmera de albinos e cegos, Hugo força o espectador a encarar o que na vida real o faria desviar os olhos.

Steven Mohapi, Johannesburg, 2003. Foto: Pieter Hugo.

Em 2004, com “Rwanda 2004: vestiges of a genocide”, Hugo produziu um documento poderoso do genocídio da tribo Tutsi em Ruanda. Ao saber que, quase dez anos depois do massacre, os rastros da violência continuavam presentes, o fotógrafo viajou até o país e revelou os vestígios da tragédia por meio de retratos, paisagens e objetos abandonados.

Genocide site, Ntarama Catholic Church, 2004. Foto: Pieter Hugo.

Na sua monografia mais recente, intitulada “Permanent Error”, o artista rumou para Accra, a capital de Gana, e documentou Agbogbloshie, um imenso lixão que recebe detritos eletrônicos de várias partes do mundo. Em suas fotos, montanhas de monitores, celulares e videogames estragados parecem compor um cenário pós-apocalítptico onde, no entanto, várias pessoas trabalham diariamente.

Yakabu al hasan, 2009. Foto: Pieter Hugo.

Abdulai Yahaya, 2010. Foto: Pieter Hugo.

Com vários livros publicados, Pieter Hugo é considerado um dos grandes nomes da fotografia contemporânea. Em 2006, ele obteve o primeiro lugar na categoria “retratos” do World Press PhotoEm 2011, mesmo ano em que veio ao Brasil participar do 7º Paraty em Foco, o artista venceu o Prix Seydo Keita, o mais prestigioso prêmio de fotografia na África.

Emeka Uzzi, 2009. Foto: Pieter Hugo.

Emeka Onu, Enugu, Nigeria, 2008. Foto: Pieter Hugo.

Recentemente, aventurou-se como cineasta. Ao lado de Michael Cleary, Hugo assina a direção e a filmagem do clipe “Control”, versão do DJ sul-africano Spoek Mathambo para “She’s Lost Control”, do Joy Division. A filmagem em preto e branco dialoga com a temática do vídeo no qual personagens  negros interagem com tinta e poeira branca.