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Archive for abril, 2012

27
abr

Alunas do curso anual de Fotografia realizam exposição beneficente

Foto: Ana Carolina e Manoela Dutra.

As ex-alunas do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Ana Carolina e Manoela Trava Dutra participarão de uma exposição durante o Sarau CulturAU, realizado no dia 28 de abril a partir das 18h no salão da Paróquia Matriz de Porto Alegre. O evento tem como objetivo destacar talentos gaúchos de diferentes áreas e, ainda, arrecadar fundos para uma ONG protetora de animais. A mostra, intitulada “Você acredita na gente?”, tem tudo a ver com essa proposta. Seu objetivo é suscitar questões como maus tratos, abandono e posse responsável de animais domésticos e seus 12 retratos são de cães resgatados das ruas, alguns já adotados, outros ainda a espera de um lar. A dupla capitaneia o projeto “Cão em Quadrinhos”, que une iniciativas sociais, venda de produtos e fotografia, tudo focado na sua maior paixão: cachorros.

As fotografias expostas fazem parte de uma dessas iniciativas sociais lideradas pelo CQ, o projeto Amizade Não se Compra. Seu objetivo é fotografar, sem custo nenhum, animais abandonados para ajudá-los a encontrar um novo lar. A lógica faz muito sentido: imagens alegres, espontâneas e profissionais, distantes do caráter de urgência que caracteriza esses cliques, valorizam os bichinhos e estimulam que sua adoção aconteça mais rápido.

Foto: Ana Carolina e Manoela Dutra.

Formadas em Design também pela ESPM-Sul, Ana e Manoela criaram o “Cão em Quadrinhos” em 2009 e trabalham exclusivamente com ele desde o ano passado. Além das fotografias gratuitas para ONGs e outros protetores, elas também realizam books pagos para mascotes, uma iniciativa que tem cada vez mais procura. As duas se especializaram no ramo de forma autodidata, pela prática, pelo estudo do comportamento dos cães e pelo aprendizado empírico, fruto da própria paixão. Manoela conta que desenvolveram suas próprias técnicas e, agora, estão elaborando um curso para pessoas que tem interesse em fotografar seus mascotes. “Não encontramos nenhuma iniciativa focada nisso aqui no Sul, nem mesmo em outros estados”, afirma.

Não é fácil captar a personalidade dos cachorros na hora dos cliques, como muitos podem pensar. Antes de fotografá-los, quando o cão já tem casa, um questionário é enviado ao dono para conhecer um pouco mais sobre o temperamento do mascote. “No dia da sessão, deixamos o animal conhecer o ‘terreno’, principalmente quando é em estúdio, e se familiarizar com a gente”. Por terem estudado o comportamento canino, entendem e interpretam bem suas atitudes, o que torna a direção do ensaio mais fácil. Além disso, utilizam petiscos, brinquedos, sons e comandos para atrair sua atenção. “Cada animal tem uma personalidade então precisamos estar prontas para usar todas as técnicas, com destaque para a paciência. Cada um tem seu tempo, assim como as pessoas”.

Foto: Ana Carolina e Manoela Dutra.

Na opinião de Manoela, os animais resgatados são mais fáceis de trabalhar, principalmente pela ausência da interferência do dono. “O animal é mais livre de manias e vontades e, dessa forma, quando aplicamos as técnicas de adestramento, eles respondem com mais rapidez. Além disso, pela falta de carinho e atenção, tem muito mais vontade de trabalhar e estar perto da gente”, conta. Mas pela carência e por estarem geralmente em espaços pequenos, têm mais energia contida para gastar antes dos cliques. “Aproveitamos e brincamos um pouco com eles antes de iniciar”.

Além de serem seu assunto predileto, as duas consideram os cães modelos excelentes. “Sempre espontâneos, não se preocupam com a ‘maquiagem’, edição, photoshop. São ótimos clientes!”, diverte-se Manoela.

Retrato de Ana Carolina.

Retrato de Manoela.

“Você acredita na gente?”
por Ana e Manoela Trava Dutra, do Cão em Quadrinhos
no Sarau CulturAU
Salão da Paróquia Matriz de Porto Alegre
28 de abril a partir das 18h
Ingresso antecipado: R$5 (pode ser adquirido na Paróquia Matriz, com o Cão em Quadrinhos ou em outros pontos de venda que podem ser encontrados no site do evento).

25
abr

Bahia intensa: a fotografia apaixonada de Mario Cravo Neto

Autorretrato de Mario Cravo Neto.

No último dia 20, o fotógrafo e artista Mario Cravo Neto completaria 65 anos. Faleceu em 2009, em Salvador (BA), onde nasceu, fez suas principais fotografias, desenhos e esculturas e deixou boa parte de seu legado. Para muitos, “Mariozinho”, como era chamado, criou uma forma inédita de olhar a Bahia, seu povo e as entranhas de sua religiosidade, dedicando-se com delicadeza corajosa ao candomblé e ao catolicismo.

Deus da Cabeça(e), 1988, e Voodoo(d), 1988. Fotos: Mario Cravo Neto.

Óde(e), 1988, e Mandala(d), 1989. Fotos: Mario Cravo Neto.

Seu interesse pelo ofício surgiu ainda menino ao conviver com fotógrafos do mundo inteiro que passavam pela cidade. O contato se dava por meio de seu pai, Mario Cravo Junior, integrante da primeira geração de artistas plásticos modernistas baianos. Conhecer o trabalho desses fotógrafos, e de outros amantes das artes que frequentavam sua casa, seria definido por ele como um pano de fundo, um meio onde vislumbraria formas de criar o que gostaria de expressar. A influência das pinturas rupestres, de Brancusi, Pierre Verges, Faulkner, Ezra Pound, Carl Jung e outras manifestações artísticas ocidentais também são atribuídas a seu pai, de quem recebeu as primeiras orientações no campo da escultura e do desenho.

Mãe Branca(d), 1990, e Ângela e Lukas, torso com penas brancas(e), 1989. Fotos: Mario Cravo Neto.

Abrigo(e), 1990, e Akira com talco(d), 1997. Fotos: Mario Cravo Neto.

Em 1964, acompanhou o pai no programa “Artists on Residence”, patrocinado pela Ford Foundation e sediado em Berlim. Por lá, manteve contato com o artista italiano Emilio Vedova (1919 – 2006) e com o fotógrafo Max Jakob. Mudou-se para Nova Iorque em 1968 para estudar na Arts Students League. Foi orientado pelo precussor da arte conceitual na cidade, Jack Krueger, e aventurou-se pela primeira vez nos campos da escultura em acrílico e da fotografia, realizando o ensaio em cores On the Subway.

Fotos: Mario Cravo Neto.

Fotos: Mario Cravo Neto.

Ao retornar ao Brasil, mergulhou no universo religioso afro-cristão característico de Salvador. As imagens em preto e branco feitas em estúdio durante o período o tornariam uma referência internacional. As das ruas da capital baiana estão entre as mais conhecidas já feitas no estado brasileiro, atrás apenas dos registros do francês Pierre Verger.

Fotos: Mario Cravo Neto.

Fotos: Mario Cravo Neto.

Definido pelos amigos como neurótico pela perfeição e por ser constantemente contestador, sua obra capta o misticismo com uma sensibilidade assustadora, áspera. Mescla, em um só tempo, pacto cultural e crítica social. Cravo Neto valoriza a importância da cultura e da simbologia baiana, mas denuncia em cores a miséria local, em especial do Pelourinho. Para muitos, como o artista visual Valdomiro Bezerra, ele atualiza a visão de valorização da cultura baiana que já havia emergido nos anos 1940 com artistas como Odorico Tavares, Caribé, e os próprios Mario Cravo Junior e Pierre Verger.

Criança com balão(e), 1990, e Silêncio, 1992. Fotos: Mario Cravo Neto.

Pedro com dois cachorros(e), 1989, e Homem com peixes. Fotos: Mario Cravo Neto.

A Flecha em Repouso, sua última exposição, em 2008, reflete a luta contra um câncer, mas fora do âmbito pessoal. Mostra, em imagens inéditas, a batalha pela vida de uma forma geral. O pai, Cravo Júnior, ainda vive. Durante a mostra Eternamente Agora – Um Tributo a Mário Cravo Neto, em 2010, falou sobre o filho pela primeira vez depois de sua morte, definindo-o como um amigo, confidente, irmão e colega.

Exposição Flecha em Repouso. Foto: Mario Cravo Neto.

Exposição Flecha em Repouso. Foto: Mario Cravo Neto.

23
abr

O fotógrafo-astronauta

Foto: Andre Kuipers.

Alguns fotógrafos acessam a cobertura de um prédio, sobem montanhas ou alugam aviões para conseguir um ponto de vista privilegiado do seu assunto. Mas o astronauta holandês Andre Kuipers leva isso ao extremo: neste momento ele está numa nave a mais de 400km de distância da Terra. Lá de cima, ele consegue fotografias cheias de texturas inesperadas e cores vibrantes, e a sua sensibilidade para os “momentos decisivos” resulta em imagens que vão muito além das tradicionais fotos de satélite.

Foto: Andre Kuipers.

Foto: Andre Kuipers.

Foto: Andre Kuipers.

As imagens em altissima definição são feitas com uma câmera Nikon. Há flagrantes de eventos insólitos como a erupção vulcânica do Monte Etna, na Itália, ou a aurora boreal sobre a Dinamarca. Mas Kuipers também captura cenas delicadas como o reflexo do sol num rio ou o brilho de Paris à noite. Difícil não gostar mais do planeta depois de ver fotos assim.

Foto: Andre Kuipers.

Foto: Andre Kuipers.

Foto: Andre Kuipers.

O fotógrafo-astronauta embarcou em dezembro para uma missão que vai até julho de 2012. Na  International Space Station, Kuipers, que também é médico, realiza experimentos científicos em biologia, química, física, e mais. Quase todos os dias ele encontra tempo de fotografar e postar suas fotos no Flickr e no Twitter, onde já tem mais de 200 mil seguidores.

Foto: Andre Kuipers.

Foto: Andre Kuipers.

Foto: Andre Kuipers.