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Archive for março, 2012

30
mar

As esculturas líquidas de Markus Reugels

Markus Reugels.

A fotografia de alta velocidade permite que seja registrado aquilo que o olho nu não nos permite ver com nitidez, como uma bala zunindo, o bater de asas de um beija-flor ou uma bolha estourando. Enquanto cientistas a utilizam para estudar o movimento físico, medindo fenômenos como o efeito gravitacional e a tensão da superfície terrestre, ela também faz parte da rotina de muitos fotógrafos de natureza e fotojornalistas esportivos. As altas velocidades de captura são também utilizadas com propósitos puramente artísticos, como mostra o trabalho realizado pelo fotógrafo Markus Reugels, de Berlim, na Alemanha. Na teoria, apreciar com precisão as formas que a água pode assumir quando se choca com alguma superfície é impossível para o olho humano, mas, na prática, registrar esse movimento em fotos, criando esculturas líquidas, é algo perfeitamente realizável. Reugels é uma das provas disso. Autor do projeto Liquid Splashes, ele já disponibilizou mais de 500 registros que tem a água como protagonista em seu Flickr.

Inside. Foto: Markus Reugels.

Witch Hat #2. Foto: Markus Reugels.

Water Tulip. Foto: Markus Reugels.

Going Up. Foto: Markus Reugels.

Branches. Foto: Markus Reugels.

Terror in the Bubble. Foto: Markus Reugels.

The Gate. Foto: Markus Reugels.

Strobo. Foto: Markus Reugels.

Magic Mushroom. Foto: Markus Reugels.

Painting with Light. Foto: Markus Reugels.

Para criar esculturas efêmeras imortalizadas em cliques, o alemão utiliza água, filtros coloridos e um flash eletrônico de alta velocidade entre outros apetrechos. Em seu processo de criação, pinga gotas em superfícies líquidas para criar formas surpreendentes e imprevisíveis. Reugels também utiliza ingredientes que alteram a consistência do líquido, o que, somado às inúmeras possibilidades de movimento e quantidades de água utilizadas, permite que se alcance grande diversidade de formas. O processo conta com pós-produção para realçar as capturas, mas ele afirma, em seu site oficial, que apenas os tons e o contraste são processados.

Markus Reugels Setup.

Markus Reugels Setup.

Markus Reugels Setup.

28
mar

Mestres da Fotografia: Robert Capa

Robert Capa Portrait.

Nascido em Budapeste em outubro de 1913, Endre Erno Giredmann, conhecido como Robert Capa, foi um dos mais importantes fotógrafos do século 20. Entre as décadas de 1930 e 1950, esteve mais perto dos fatos do que qualquer fotojornalista havia chegado até então. No front das piores guerras, mesclava três de suas mais importantes características: a coragem, o senso apurado de composição e o olhar humano. Nas palavras de seu amigo John Steinbeck, “Capa mostrava o horror de todo um povo no rosto de uma criança”.

Israel, 1950. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1936. Foto: Robert Capa.

A paixão que transparece em muitas de suas imagens era fruto de certa obsessão com o ofício: o mais aclamado fotógrafo de guerra da história odiava a guerra – suas fotografias são justamente um manifesto contra ela. Judeu, deixou a Hungria aos 18 anos e mudou-se para Berlim, onde estudou Ciência Política. Seu desejo original era ser escritor, mas conseguiu um emprego como fotógrafo freelancer e aprendeu a amar a profissão. Com a ascensão do Nazismo, deixou a Alemanha e mudou-se para a França, encontrando dificuldades para conseguir emprego. Adotou o nome Robert Capa nesta época – “cápa”, “tubarão” em húngaro, foi seu apelido na infância. Para incorporar o nome, contou com a ajuda da namorada Gerda Taro, que intermediava o contato de possíveis clientes com o “grande fotógrafo americano”. No começo, ele se dizia tão rico e bem sucedido que podia vender suas imagens pelo preço de tabela padrão.

A French woman who had had a baby with a German soldier was punished by having her head shaved, 1944. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1943. Foto: Robert Capa.

De 1936 a 1939, fotografou os horrores da Guerra Civil Espanhola, ao lado de Gerda, sua companheira e também fotógrafa, e David Seymour. Essa cobertura o tornou famoso mundialmente, com destaque para “The Falling Soldier”, como ficou conhecida sua imagem de um antifranquista no exato momento em que leva um tiro. A fotografia teve repercussão internacional quase instantânea e se tornou um poderoso símbolo da guerra.  Além disso, foi fruto de especulação: muitos, como o jornalista Phillip Knightley, afirmavam se tratar de uma fraude. Nenhum conseguiu abalar a reputação do fotógrafo.

The Falling Soldier, 1936. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1954. Foto: Robert Capa.

Quando Gerta foi morta na Espanha, em 1938, Capa viajou para a China e emigrou para Nova Iorque um ano depois. Como correspondente americano, fotografou a Segunda Guerra Mundial em Londres, Itália e Norte da África, além da Batalha de Normândia. Este episódio deu origem a “The Magnificent Eleven”, um de seus mais famosos ensaios. Na invasão dos Aliados às praias francesas, Capa acompanhou a segunda onda de tropas americanas, que enfrentou grande resistência dos soldados alemães. O fotógrafo tirou 106 fotos e muitas delas foram destruídas em um acidente já no laboratório, em Londres.

Departure of Chiang Kai-shek's German military advisors, 1938. Foto: Robert Capa.

D-day, 1944. Foto: Robert Capa.

Capa era amigo de artistas como Ernest Hemingway, Truman Capote, Pablo Picasso, Henri Matisse, John Huston e Gene Kelly – e todos eles foram belamente retratados por ele. Reza a lenda que seu romance de dois anos com a atriz sueca Ingrid Bergman, amiga do cineasta Alfred Hitchcock, serviu de inspiração para o filme Janela Indiscreta (1954), no qual um fotógrafo de guerra com a perna ferida passa os dias com sua mais potente lente em frente a uma janela, resistindo às tentativas de casamento da namorada.

Françoise Gilot and Pablo Picasso, 1948. Foto: Robert Capa.

Henri Matisse, 1948. Foto: Robert Capa.

É consenso que o título “Fotógrafo de Guerra” é redutor demais para a dimensão e importância de sua obra: Capa esteve na vanguarda da fotografia do século 20. Até então, as fotos de guerra eram feitas com câmeras enormes, que impossibilitavam a espontaneidade e a mobilidade. Ele utilizava uma Leica 35mm, além de uma Contax IIa e uma Nikon S. Por fotografar de perto, deu identidade ao sofrimento e à barbárie, assumindo os mesmos riscos dos soldados que fotografou, com a diferença de que as câmeras eram suas únicas armas. Em 1947, fundou a Magnum Photos ao lado de Henri Cartier-Bresson, David Seymour, George Rodger e William Vandivert. A agência foi uma cooperativa pioneira e trabalhou com fotógrafos freelancers do mundo inteiro.

D-day, 1944. Foto: Robert Capa.

Palermo, 1943. Foto: Robert Capa.

Sua morte, em 1954, foi uma trágica consequência de seu lema, a mais famosa de suas frases: “Se suas fotos não estão boas o suficiente, você não está perto o suficiente”. Pisou em uma mina durante a cobertura da guerra de Indochina para a revista Life. Foi encontrado com a câmera nas mãos.

“Quem se considera artista não consegue trabalho. Considere-se um fotojornalista e, então, faça aquilo que quiser”
Robert Capa para Henri Cartier Bresson

26
mar

As celebridades de Mario Testino.

Mario Testino Portrait. Foto: Adam Whitehead.

Mario Testino é um dos principais fotógrafos de moda da contemporaneidade. Imprime sua marca tanto nos retratos de celebridades quanto em seus trabalhos publicitários, caracterizados por uma mescla equilibrada de sofisticação e sensualidade.

Brad Pitt, Angelina Jolie and their child for Let Me in.

Happy Peaple. Foto: Mario Testino.

Nascido em 1954 em Lima, no Peru, Testino foi o mais velho de 11 filhos e um jovem exêntrico. De origem italiana, sonhava em se tornar padre durante a infância e foi impopular na adolescência por suas extravagâncias. Estudou economia na Universidade do Pacígico, onde sua insistência em usar roupas cor de rosa e saltos de plataforma garantiu que todos soubessem seu nome. Em 1976, partiu para Londres para estudar Fotografia. Morou no piso abandonado de um hospital e começou a trabalhar como garçom para conseguir dinheiro. Seus primeiros trabalhos na área foram produções de books para modelos pela bagatela de 25 libras, com cabelo e maquiagem incluídos no valor.

Kristen Stewart, Vogue. Foto: Mario Testino.

Wedding Belles, Vogue, 2011. Foto: Mario Testino.

Sua carreira começou na Vogue. Hoje, ele colabora com muitas das edições mundiais da publicação (em especial com a britânica, a americana, a francesa e a brasileira), bem como com as revistas V e Vanity Fair. Na moda, destacou-se por seu trabalho com marcas como Gucci, Burberry, Dolce & Gabbana, Estée Lauder, Valentino e Versace (realizou uma grande parceira com sua proprietária, Donetela Versace, para quem foi apresentado através de Madonna). Para a Gucci, desenvolveu campanhas provocantes que marcaram a década de 1990.

Javier de Miguel, Gucci. Foto: Mario Testino.

D&G, 2011. Foto: Mario Testino.

Nos retratos, sempre procura mostrar a personalidade de quem está na frente das lentes, o que, para ele, trata-se de uma escolha: “Existem dois tipos de fotógrafos: aqueles que são obcecados com a técnica e aqueles que preferem o assunto. Eu me pergunto como posso fazer para que meus modelos mostrem o seu melhor”, contou em entrevista a Suzy Menkes, publicada no The New York Times. Em 2002, a National Portrait Gallery de Londres realizou a mais bem sucedida exposição de sua história: “Portraits by Mario Testino”, apenas com retratos do artista.

Kate Moss Portrait. Foto: Mario Testino.

Madonna Portrait, 1998. Foto: Mario Testino.

Grande amigo de Kate Moss — e um dos responsáveis por colocá-la entre as modelos mais bem sucedidas da história —, Testino já clicou muitos dos mais famosos artistas do mundo, entre músicos, atores e modelos. Ainda que, através deles, tenha ajudado a construir e fortalecer a sofisticação de muitas marcas, o glamour está longe de ser sua principal característica. No livro Let Me In (2007), no qual mostra celebridades em momentos íntimos, muitos dos retratos de família expõem o lado humano e mundano de pessoas famosas. Na comemoração de seus 30 anos de carreira, em 2011, elegeu o ensaio com a Princesa Diana, de 1997, como o mais marcante de sua carreira. Nele, Lady Di, mesmo elegante, está distante da imponência das modelos de seus anúncios: aparece simples e natural. “Diana estava tentando ser uma pessoa normal, este era seu momento. Então, o intuito das fotos era trazê-la para a realidade”, relembrou.

Diana Princess, 1997. Foto: Mario Testino.

Scarlet Johanssen for Let Me In. Foto: Mario Testino.

Como Annie Leibovitz, Testino realiza retratos para a Família Real Britânica. No ano passado, foi o escolhido para fazer as fotos de divulgação do casamento de Princípe William e Kate Middleton.

Prince William and Kate Middleton, 2011. Foto: Mario Testino.

Em 2009, lançou pela Taschen Mario de Janeiro Testino, que homenageia uma de suas cidades favoritas. O livro, com Gisele Bunchen na capa, conta com fotos do Rio e de celebridades brasileiras.

Gisele Bünchen, Mario de Janeiro Testino. Foto: Mario Testino.

“Não gosto de brincar com bonecas, gosto de pessoas”
Mario Testino