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Archive for março, 2012

30
mar

As esculturas líquidas de Markus Reugels

Markus Reugels.

A fotografia de alta velocidade permite que seja registrado aquilo que o olho nu não nos permite ver com nitidez, como uma bala zunindo, o bater de asas de um beija-flor ou uma bolha estourando. Enquanto cientistas a utilizam para estudar o movimento físico, medindo fenômenos como o efeito gravitacional e a tensão da superfície terrestre, ela também faz parte da rotina de muitos fotógrafos de natureza e fotojornalistas esportivos. As altas velocidades de captura são também utilizadas com propósitos puramente artísticos, como mostra o trabalho realizado pelo fotógrafo Markus Reugels, de Berlim, na Alemanha. Na teoria, apreciar com precisão as formas que a água pode assumir quando se choca com alguma superfície é impossível para o olho humano, mas, na prática, registrar esse movimento em fotos, criando esculturas líquidas, é algo perfeitamente realizável. Reugels é uma das provas disso. Autor do projeto Liquid Splashes, ele já disponibilizou mais de 500 registros que tem a água como protagonista em seu Flickr.

Inside. Foto: Markus Reugels.

Witch Hat #2. Foto: Markus Reugels.

Water Tulip. Foto: Markus Reugels.

Going Up. Foto: Markus Reugels.

Branches. Foto: Markus Reugels.

Terror in the Bubble. Foto: Markus Reugels.

The Gate. Foto: Markus Reugels.

Strobo. Foto: Markus Reugels.

Magic Mushroom. Foto: Markus Reugels.

Painting with Light. Foto: Markus Reugels.

Para criar esculturas efêmeras imortalizadas em cliques, o alemão utiliza água, filtros coloridos e um flash eletrônico de alta velocidade entre outros apetrechos. Em seu processo de criação, pinga gotas em superfícies líquidas para criar formas surpreendentes e imprevisíveis. Reugels também utiliza ingredientes que alteram a consistência do líquido, o que, somado às inúmeras possibilidades de movimento e quantidades de água utilizadas, permite que se alcance grande diversidade de formas. O processo conta com pós-produção para realçar as capturas, mas ele afirma, em seu site oficial, que apenas os tons e o contraste são processados.

Markus Reugels Setup.

Markus Reugels Setup.

Markus Reugels Setup.

28
mar

Mestres da Fotografia: Robert Capa

Robert Capa Portrait.

Nascido em Budapeste em outubro de 1913, Endre Erno Giredmann, conhecido como Robert Capa, foi um dos mais importantes fotógrafos do século 20. Entre as décadas de 1930 e 1950, esteve mais perto dos fatos do que qualquer fotojornalista havia chegado até então. No front das piores guerras, mesclava três de suas mais importantes características: a coragem, o senso apurado de composição e o olhar humano. Nas palavras de seu amigo John Steinbeck, “Capa mostrava o horror de todo um povo no rosto de uma criança”.

Israel, 1950. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1936. Foto: Robert Capa.

A paixão que transparece em muitas de suas imagens era fruto de certa obsessão com o ofício: o mais aclamado fotógrafo de guerra da história odiava a guerra – suas fotografias são justamente um manifesto contra ela. Judeu, deixou a Hungria aos 18 anos e mudou-se para Berlim, onde estudou Ciência Política. Seu desejo original era ser escritor, mas conseguiu um emprego como fotógrafo freelancer e aprendeu a amar a profissão. Com a ascensão do Nazismo, deixou a Alemanha e mudou-se para a França, encontrando dificuldades para conseguir emprego. Adotou o nome Robert Capa nesta época – “cápa”, “tubarão” em húngaro, foi seu apelido na infância. Para incorporar o nome, contou com a ajuda da namorada Gerda Taro, que intermediava o contato de possíveis clientes com o “grande fotógrafo americano”. No começo, ele se dizia tão rico e bem sucedido que podia vender suas imagens pelo preço de tabela padrão.

A French woman who had had a baby with a German soldier was punished by having her head shaved, 1944. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1943. Foto: Robert Capa.

De 1936 a 1939, fotografou os horrores da Guerra Civil Espanhola, ao lado de Gerda, sua companheira e também fotógrafa, e David Seymour. Essa cobertura o tornou famoso mundialmente, com destaque para “The Falling Soldier”, como ficou conhecida sua imagem de um antifranquista no exato momento em que leva um tiro. A fotografia teve repercussão internacional quase instantânea e se tornou um poderoso símbolo da guerra.  Além disso, foi fruto de especulação: muitos, como o jornalista Phillip Knightley, afirmavam se tratar de uma fraude. Nenhum conseguiu abalar a reputação do fotógrafo.

The Falling Soldier, 1936. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1954. Foto: Robert Capa.

Quando Gerta foi morta na Espanha, em 1938, Capa viajou para a China e emigrou para Nova Iorque um ano depois. Como correspondente americano, fotografou a Segunda Guerra Mundial em Londres, Itália e Norte da África, além da Batalha de Normândia. Este episódio deu origem a “The Magnificent Eleven”, um de seus mais famosos ensaios. Na invasão dos Aliados às praias francesas, Capa acompanhou a segunda onda de tropas americanas, que enfrentou grande resistência dos soldados alemães. O fotógrafo tirou 106 fotos e muitas delas foram destruídas em um acidente já no laboratório, em Londres.

Departure of Chiang Kai-shek's German military advisors, 1938. Foto: Robert Capa.

D-day, 1944. Foto: Robert Capa.

Capa era amigo de artistas como Ernest Hemingway, Truman Capote, Pablo Picasso, Henri Matisse, John Huston e Gene Kelly – e todos eles foram belamente retratados por ele. Reza a lenda que seu romance de dois anos com a atriz sueca Ingrid Bergman, amiga do cineasta Alfred Hitchcock, serviu de inspiração para o filme Janela Indiscreta (1954), no qual um fotógrafo de guerra com a perna ferida passa os dias com sua mais potente lente em frente a uma janela, resistindo às tentativas de casamento da namorada.

Françoise Gilot and Pablo Picasso, 1948. Foto: Robert Capa.

Henri Matisse, 1948. Foto: Robert Capa.

É consenso que o título “Fotógrafo de Guerra” é redutor demais para a dimensão e importância de sua obra: Capa esteve na vanguarda da fotografia do século 20. Até então, as fotos de guerra eram feitas com câmeras enormes, que impossibilitavam a espontaneidade e a mobilidade. Ele utilizava uma Leica 35mm, além de uma Contax IIa e uma Nikon S. Por fotografar de perto, deu identidade ao sofrimento e à barbárie, assumindo os mesmos riscos dos soldados que fotografou, com a diferença de que as câmeras eram suas únicas armas. Em 1947, fundou a Magnum Photos ao lado de Henri Cartier-Bresson, David Seymour, George Rodger e William Vandivert. A agência foi uma cooperativa pioneira e trabalhou com fotógrafos freelancers do mundo inteiro.

D-day, 1944. Foto: Robert Capa.

Palermo, 1943. Foto: Robert Capa.

Sua morte, em 1954, foi uma trágica consequência de seu lema, a mais famosa de suas frases: “Se suas fotos não estão boas o suficiente, você não está perto o suficiente”. Pisou em uma mina durante a cobertura da guerra de Indochina para a revista Life. Foi encontrado com a câmera nas mãos.

“Quem se considera artista não consegue trabalho. Considere-se um fotojornalista e, então, faça aquilo que quiser”
Robert Capa para Henri Cartier Bresson

26
mar

As celebridades de Mario Testino.

Mario Testino Portrait. Foto: Adam Whitehead.

Mario Testino é um dos principais fotógrafos de moda da contemporaneidade. Imprime sua marca tanto nos retratos de celebridades quanto em seus trabalhos publicitários, caracterizados por uma mescla equilibrada de sofisticação e sensualidade.

Brad Pitt, Angelina Jolie and their child for Let Me in.

Happy Peaple. Foto: Mario Testino.

Nascido em 1954 em Lima, no Peru, Testino foi o mais velho de 11 filhos e um jovem exêntrico. De origem italiana, sonhava em se tornar padre durante a infância e foi impopular na adolescência por suas extravagâncias. Estudou economia na Universidade do Pacígico, onde sua insistência em usar roupas cor de rosa e saltos de plataforma garantiu que todos soubessem seu nome. Em 1976, partiu para Londres para estudar Fotografia. Morou no piso abandonado de um hospital e começou a trabalhar como garçom para conseguir dinheiro. Seus primeiros trabalhos na área foram produções de books para modelos pela bagatela de 25 libras, com cabelo e maquiagem incluídos no valor.

Kristen Stewart, Vogue. Foto: Mario Testino.

Wedding Belles, Vogue, 2011. Foto: Mario Testino.

Sua carreira começou na Vogue. Hoje, ele colabora com muitas das edições mundiais da publicação (em especial com a britânica, a americana, a francesa e a brasileira), bem como com as revistas V e Vanity Fair. Na moda, destacou-se por seu trabalho com marcas como Gucci, Burberry, Dolce & Gabbana, Estée Lauder, Valentino e Versace (realizou uma grande parceira com sua proprietária, Donetela Versace, para quem foi apresentado através de Madonna). Para a Gucci, desenvolveu campanhas provocantes que marcaram a década de 1990.

Javier de Miguel, Gucci. Foto: Mario Testino.

D&G, 2011. Foto: Mario Testino.

Nos retratos, sempre procura mostrar a personalidade de quem está na frente das lentes, o que, para ele, trata-se de uma escolha: “Existem dois tipos de fotógrafos: aqueles que são obcecados com a técnica e aqueles que preferem o assunto. Eu me pergunto como posso fazer para que meus modelos mostrem o seu melhor”, contou em entrevista a Suzy Menkes, publicada no The New York Times. Em 2002, a National Portrait Gallery de Londres realizou a mais bem sucedida exposição de sua história: “Portraits by Mario Testino”, apenas com retratos do artista.

Kate Moss Portrait. Foto: Mario Testino.

Madonna Portrait, 1998. Foto: Mario Testino.

Grande amigo de Kate Moss — e um dos responsáveis por colocá-la entre as modelos mais bem sucedidas da história —, Testino já clicou muitos dos mais famosos artistas do mundo, entre músicos, atores e modelos. Ainda que, através deles, tenha ajudado a construir e fortalecer a sofisticação de muitas marcas, o glamour está longe de ser sua principal característica. No livro Let Me In (2007), no qual mostra celebridades em momentos íntimos, muitos dos retratos de família expõem o lado humano e mundano de pessoas famosas. Na comemoração de seus 30 anos de carreira, em 2011, elegeu o ensaio com a Princesa Diana, de 1997, como o mais marcante de sua carreira. Nele, Lady Di, mesmo elegante, está distante da imponência das modelos de seus anúncios: aparece simples e natural. “Diana estava tentando ser uma pessoa normal, este era seu momento. Então, o intuito das fotos era trazê-la para a realidade”, relembrou.

Diana Princess, 1997. Foto: Mario Testino.

Scarlet Johanssen for Let Me In. Foto: Mario Testino.

Como Annie Leibovitz, Testino realiza retratos para a Família Real Britânica. No ano passado, foi o escolhido para fazer as fotos de divulgação do casamento de Princípe William e Kate Middleton.

Prince William and Kate Middleton, 2011. Foto: Mario Testino.

Em 2009, lançou pela Taschen Mario de Janeiro Testino, que homenageia uma de suas cidades favoritas. O livro, com Gisele Bunchen na capa, conta com fotos do Rio e de celebridades brasileiras.

Gisele Bünchen, Mario de Janeiro Testino. Foto: Mario Testino.

“Não gosto de brincar com bonecas, gosto de pessoas”
Mario Testino

22
mar

Joel Meyerowitz e a poesia colorida das ruas

Joel Meyerowitz Portrait.

Nascido em 1938 em Nova Iorque, mais precisamente no distrito Bronx, Joel Meyerowitz é um fotógrafo urbano. Quando havia resistência à fotografia em cores como uma forma de arte legítima, foi o seu principal defensor, capturando de forma pioneira e colorida o cotidiano de sua cidade.

Truto, 1976. Foto: Joel Meyerowitz.

Meyerowitz graduou-se em pintura e ilustração médica na Ohio State University em 1959. Inspirado pela fotografia beat de Robert Frank, abandonou o trabalho de diretor de arte em uma agência publicitária e passou a fotografar as ruas de Nova Iorque com uma câmera 35mm e filmes preto e branco — ao lado de nomes como Tony Ray-Jones, Lee Friedlander, Tod Papageorge e Diane Arbus. Sua inspiração também vinha do trabalho de mestres como Henri Cartier-Bresson e Eugène Atget.

Camel Coats, 5th Avenue, New York, 1975. Foto: Joel Meyerowitz.

A partir dos anos 1970, tomou a radical decisão de fotografar exclusivamente em cores. O raciocínio, nas palavras dele, foi o seguinte: “Se eu aceitar a ideia de que a fotografia basicamente apenas descreve coisas, a fotografia colorida descreve mais coisas, existe mais conteúdo nas cores e eu gostaria de ver o resultado disso”. Ao mesmo tempo, o fotógrafo começou a sentir que havia mais neste ofício do que apenas capturar bons momentos nas ruas e que precisaria desistir das táticas precisas que adotara até então.

Dune Grass, 1984(e) e Laundry, 1982(d). Fotos: Joel Meyerowitz.

Eliza, Provincetown, 1982(e) e Heidi, Ballston Beach, 1981. Fotos: Joel Meyerowitz.

Assim, Meyerowitz conta que se distanciou da busca pelo “instante decisivo” de Cartier-Bresson: adotou uma técnica mais dispersa de observação. O resultado foram imagens não-hierárquicas nas quais cada elemento enquadrado cumpre um papel igual. As pessoas nas ruas, a arquitetura, as nuvens, os ângulos da luz, o peso das sombras… “Eu gostaria de registrar a ‘experiência’ de estar na rua, em uma cidade específica, em um dia específico, em uma estação do ano específica, para que os espectadores sentissem, de fato, como foi aquele momento”.

West 46th Street, New York, 1976. Foto: Joel Meyerowitz.

Passo a passo, começou a usar câmeras cada vez maiores, até chegar em uma de grande formato que utilizava chapas de filme rígido medindo 8 X 10 polegadas (20 X 25 cm). “Era antiético, contrário à minha maneira de pensar e trabalhar. Era a câmera usada por homens ‘velhos’ da costa oeste [...] e eu era um nova-iorquino, veloz por natureza”, relembrou, em entrevista realizada em 2005. A motivação era sua mudança de postura como um todo, já que havia abandonado os cliques rápidos e adotado um trabalho mais meditativo, que exigia observação e espaço.

Flower Offering, 2001. Foto: Joel Meyerowitz.

Até hoje suas imagens são produzidas através do processo Day-Transfer – que possibilita longa permanência das cópias e grande controle dos tons da imagem. Além do equipamento de grande formato, utiliza filmes de última geração e controle meticuloso do processamento.

Welders in South Tower, 2001. Foto: Joel Meyerowitz.

Meyerowitz publicou 16 livros, incluindo Cape Light (1979), um clássico da fotografia colorida. Em 2001, clicou o rescaldo dos atentados de 11 de setembro em Nova Iorque e foi o único fotógrafo autorizado a ter acesso irrestrito. Muitas destas imagens estão na obra Aftermath: World Trade Center Archive (2006).

“Acredito que na fotografia o trabalho lhe ensina quais são seus reais interesses e quem você é realmente.”
Joel Meyerowitz

20
mar

O fotógrafo beat

Frank Robert Portrait, 1995. Foto: Breukel Koos.

“Robert Frank… ele extraiu da America um poema triste diretamente para a película, cravando seu nome entre os grandes poetas trágicos do mundo”. A frase é de Jack Kerouac e faz parte do prefácio da primeira edição de The Americans (1959), a mais famosa e influente obra de Frank. Como afirma o fotógrafo e curador Jim Casper, o texto do mais icônico escritor da Geração Beat complementa perfeitamente as imagens: ainda que forte e poderoso, é triste e inocente, como o Jazz dos anos 1950.

Fish Kill, 1955. Foto: Robert Frank.

Indianopolis, 1955. Foto: Robert Frank.

Filho de judeus, Frank nasceu em 1924 em Zurique, na Suíça. Seu pai se tornou sem pátria após a Primeira Guerra Mundial e teve de lutar para conseguir cidadania suíça para Robert e seu irmão, Mandred. Apesar da família estar em segurança durante a Segunda Guerra Mundial, a ameaça nazista afetou Frank profundamente — e seu interesse por fotografia nasceu da vontade de expressar este sentimento. Para escapar do foco em negócios característico de sua família, treinou com alguns fotógrafos e designers até criar seu primeiro livro de imagens feito à mão, 40 fotos (1946).

Fourth of July, 1956. Foto: Robert Frank.

Parade, 1955. Foto: Robert Frank.

Um ano depois, Frank emigrou para os Estados Unidos. Foi morar em Nova Iorque, onde conseguiu um emprego como fotógrafo na Harper’s Bazaar, que logo deixou para viajar pelos continentes europeu e sul-americano. Retornou aos EUA em 1950, ano em que conheceu Edward Steichen, participou da exposição coletiva 51 American Photographers no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) e se casou com a artista Mary Frank (antes Mary Lockspeiser), com quem teve dois filhos, Andrea e Pablo.

Cafe-Beaufort, 1955. Foto: Robert Frank.

Trolly, 1955. Foto: Robert Frank.

Ainda que sua visão inicial da sociedade e da cultura norte-americana fosse otimista, sua perspectiva mudou quando entrou em confronto com o acelerado ritmo de vida do país — o que interpretou como uma valorização exagerada do dinheiro.  Frustrado, também, com o controle exagerado dos editores sobre seu trabalho, ele passou a ver os Estados Unidos como um lugar triste e solitário, o que se tornou evidente em sua fotografia. Permaneceu viajando, mudou-se com sua família para Paris por um breve período e, em 1953, começou a trabalhar como jornalista freelancer para revistas como Vogue, Fortune e McCall. Sua união com fotógrafos como Saul Leiter e Diane Arbus fez com que se tornasse parte do movimento de vanguarda que a curadora Jane Livingston classificaria como The New York School.

New York City, 1955. Foto: Robert Frank.

Picnic Ground-Grendale, 1958. Foto: Robert Frank.

Em 1955, sob influência do fotógrafo americano Walker Evans, que registrou os efeitos da Grande Depressão de 1929 no país, Frank conseguiu uma bolsa para viajar pelos Estados Unidos e fotografar todos os estratos de sua sociedade. Visitou cidades como Detroit, Miami, Reno, Utah e Chicago, quase sempre acompanhado de sua família. Ao longo de dois anos, e sempre de carro, tirou mais de 28 mil fotos. Oitenta e três delas foram selecionados para The Americans.

Charleston, 1955. Foto: Robert Frank.

Funeral, 1955. Foto: Robert Frank.

Com a publicação, Frank se tornou um dos principais artistas visuais a documentar a subcultura Beat. No retorno a Nova Iorque, conheceu Kerouac e Allen Ginsberg, afinado com seu interesse em registrar as tensões entre o otimismo da década e a realidade norte-americana, cheia de contrastes como as diferenças entre classes e as tensões raciais. Frank captou essa ironia com imagens contrastadas e enquadramentos e focos pouco tradicionais.

Rach Market, 1956. Foto: Robert Frank.

Assembly Plant, 1955. Foto: Robert Frank.

Na época do lançamento da obra, Frank abandonou a fotografia para se concentrar em fazer vídeos. Em seu portfólio está o curta Pull My Daisy (1959), escrito e narrado por Kerouac e estrelado por Ginsberg e outros poetas. Seu filme mais famoso é Cocksucker Blues, um documentário sobre a turnê mundial dos Rolling Stones de 1972. Quando viu o resultado, Mick Jagger falou: “É um filme muito bom, Robert, mas se você mostrá-lo nos Estados Unidos, nunca mais vai poder entrar no país novamente”.

 “É sempre a reação instantânea a si mesmo que produz uma fotografia.”
Robert Frank

16
mar

Nikon Small World e Olympus BioScapes celebram a fotomicrografia

Como já contamos aqui, o concurso Nikon Small World, que teve início em 1974, é um dos principais difusores da fotomicrografia. Neste ano, aproximadamente 2 mil imagens foram enviadas por profissionais de cerca 70 países, incluindo o Brasil, para participar da competição. Além de belas fotografias — que registram desde componentes químicos até plantas e animais —, os fotógrafos costumam fazer significativas contribuições científicas.

James W. Smith, 1st Place 1977.

Outro concurso que se dedica ao mesmo fim é o Olympus BioScapes Digital Imaging Competition, patrocinado pela Olympus. Há nove anos, a competição premia imagens microscópicas de assuntos científicos. De acordo com os organizadores, elas são responsáveis por criar um importante elo entre a ciência e a arte. O prêmio principal é de 5 mil dólares em equipamentos.

Mr. Donald Pottle, 1st Place 2004.

O vencedor deste ano esteve entre os três melhores no concurso da Nikon em 2005. Mr. Charles Krebs, de Washingoton, fotografou uma rotífera, uma pequena criatura aquática com cílios que batem rapidamente para levar comida até sua boca. Krebs capturou este movimento utilizando microscopia de contraste com interferência.

Mr. Charles Krebs, 1st Place.

O segundo lugar foi para Daniel von Wagnheim, de Frankfurt, que registrou em timelapse o nascimento de uma raíz lateral em uma Arabidophsis Thaliana, também conhecida como agrião. Para a captação, digitalizou lâminas microscópicas.

Daniel von Wangenheim, 2nd Place.

Já no concurso Nikon Small World, Dr. Igor Siwanowicz foi o grande vencedor. O cientista ganhou 3 mil dólares em produtos da marca patrocinadora pela imagem Portrait of a Chrysopa, que retrata a larva de um inseto. De acordo com o próprio, a imagem desconcerta o espectador: “Há um conflito entre a percepção cultural de um inseto como algo repulsivo quando admiramos a beleza de sua forma vista de perto”.

Igor Siwanowicz, 1st Place.

O segundo lugar ficou com a Dra. Donna Stolz, da Univeristy of Pittsburgh, nos Estados Unidos. Através da técnica da auto fluorescência, muito utilizada na fotografia microscópica, ela revelou os tons inesperados existentes em uma amostra de grama. Donna ficou em 19º lugar na edição do ano passado.

Donna Stolz, 2nd Place.

15
mar

Isabella Carnevalle ministra oficina de Cianotipia

Em 1842, o astrônomo inglês Sir John Herschel criou um processo para a obtenção de imagens baseado em sais de ferro — e não em sais de prata, tão intimamente associados à fotografia. Sua descoberta consistia no fato de que, quando expostos à luz, sais de ferro são submetidos à redução química para o estado ferroso. Ao serem combinados com outros sais neste estado, podem criar imagens por foto-contato. Batizada de Cianotipia, e também muito conhecida como Cianótipo, ela tem na escala de azul sua maior característica visual — daí o nome: do grego, cyanos, azul escuro.

Sir. John Herschel.

A artista plástica Isabella Carnevalle explica que no século 19, as primeiras descobertas fotográficas se referiam apenas  à captação da imagem. Para fixá-la, fazê-la durar, a Cianotipia foi um dos primeiros experimentos. “Na época, ela não foi muito popular, ficando atrás do Daguerreótipo, que era muito mais químico”, conta. Ainda assim, o primeiro livro de fotografias que se tem conhecimento foi publicado através do recém descoberto processo em 1843. A obra, intitulada Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, foi feita pela botânica inglesa Anna Atkins, que colocou plantas sobre folhas de papel emulsionadas e depois as expôs à luz.

Por Gisele Becker.

Fotógrafa e artista visual, Isabella conta que vivencia a fotografia como arte, documentário e jornalismo desde 1997. Seu portfólio inclui trabalhos bem diferentes dentro do gênero. Apenas para citar um exemplo, como fotojornalista, recebeu o segundo lugar no concurso Internacional The American Photo and Nikon 2000 Photo Contest e publicou em veículos como a National Geographic e a Folha de São Paulo. Hoje, além dos trabalhos institucionais e editorias que desenvolve, é responsável pela oficina de fotografia Olhar Construído, criada por ela em 2004. Isabella atua como facilitadora e estimula os participantes a também usarem a imagem como forma de expressão.

Por Lilia Messias.

Por Lilia Messias.

Uma dessas oficinas, a BluePrint, trata justamente de Cianotipia. Como nos outros cursos, a artista divide com os participantes o conhecimento que adquiriu em suas diferentes vivências no campo da fotografia, e destaca sua identificação com as técnicas do século 19. Primeiro, fez captação de imagens usando câmeras Pin Hole; agora, usa uma técnica de impressão particular da época, o Cianótipo. “No trabalho artesanal, tu realmente participas do projeto, tem condições de intervir, de realizar, não fica preso em um tipo de equipamento. A Cianotipia, por ser lenta, permite muito isso”, opina. Isabella enfatiza que os participantes interferem diretamente nos resultados de cada etapa, “como todo o processo está desvencilhado de exatidões tecnológicas, possibilita experiências no tempo sutil das percepções”. Outro aspecto da técnica que agrada Isabella é o seu lado ecologicamente correto: os químicos não são tóxicos. Para participar, não é necessário saber fotografar. Os suportes e produtos químicos são fornecidos pela Isabella e a oficina é realizada ao ar livre, no pátio de seu ateliê.

Por Alice Viana.

Por Thiago Kirst.

A oficina Blueprint será realizada nos dias 17 e 18 de março. Mais informações podem ser conferidas no site ou direto com a Isabella: isabellacarnevalle@gmail.com.

13
mar

Curso de Adobe Lightroom terá aula aberta na próxima quinta-feira

Quem trabalha com fotografia já sabe — ou ao menos deveria saber: o Adobe Lightroom é o mais completo programa de edição de imagens digitais, tanto para gerenciamento quanto para tratamento. Pensando nos fotógrafos, designers, artistas e todos aqueles que utilizam a fotografia como ferramenta profissional, o Centro de Fotografia da ESPM-Sul criou o Curso de Adobe Lightroom, que começa dia 20 de março. A boa notícia é que acontecerá uma aula gratuita no dia 15, aberta ao público, com vagas limitadas. A inscrição pode ser realizado aqui.

Nela, o professor do curso, André Nery, dará uma prévia de como os módulos do programa podem tornar os fluxos de trabalho digitais mais produtivos, além de mostrar por que ele é superior ao Photoshop. Engenheiro por formação, Nery se dedica a fotografia desde meados dos anos 1990. Especializa-se em softwares de tratamento de imagem desde 2005, quando começou a participar de cursos nos Estados Unidos. Em 2006, tornou-se membro da National Association of Photoshop Professional (NAPP) e ministrou palestras no Photoshop Conference, em São Paulo. Em seu estúdio trabalha com fotografia, tratamento de imagens e impressão. O espaço também é sede de muitos de seus cursos de Photoshop, Lightroom e fluxo digital. Seu tema preferido é a fotografia outdoor, mas a arquitetura urbanística e de interiores também ocupa boa parte de seu tempo.

Curso de Adobe Lightroom
Aula aberta dia 15 de março, quinta-feira

Carga Horária: 24 horas/aula
Período Letivo: 20 de março a 12 de abril de 2012, às terças e quintas-feiras das 19h30 às 22h15.
Local: Centro de Fotografia da ESPM-Sul. Rua Guilherme Schell, 268 – 2º subsolo
Investimento: 3 X R$ 304,00 (desconto de 5% para pagamento à vista por boleto bancário)

12
mar

Brian Duffy: o fotógrafo dos anos 1960

Brian Duffy Portrait.

Nascido em Londres, Brian Duffy (1933 – 2010) foi um fotógrafo de moda responsável por retratar a cena londrina e alguns de seus mais icônicos personagens nos anos 1960 e 1970. Entre seus trabalhos mais famosos está a capa do álbum Aladdin Sane, de David Bowie.

Aladdin Sane, 1973. Foto: Brian Duffy.

Filho de irlandeses, Duffy estudou na St. Martins School of Art. Primeiro pintura, depois, design de vestidos. Após a graduação, começou a trabalhar na área e se mudou para Paris. Trabalhou como freelancer para publicações como a Harpers Bazaar até ver, na mesa de um diretor de arte, um papel com contatos no mundo fotográfico. Isso o despertou interesse em trabalhar com fotografia. Começou na Cosmopolitan Artists e, logo depois, tornou-se assistente do fotógrafo Adrian Flowers. Não demorou muito para clicar e publicar suas próprias imagens.

John Lennon, 1965(e) e Jean Shrimpton, 1963(d). Fotos: Brian Duffy.

Joanna Lumley & Jamie, 1968(e) e Sammy Davis Jr & May Britt, 1960(d). Fotos: Brian Duffy.

Em 1957, foi contratado pela Vogue Britânica, onde ficou até 1963 e trabalhou com diversas top models, incluindo Paulene Stone e Jean Shrimpton. Durante suas três décadas de atuação, 1950, 1960 e 1970, produziu um número extraordinário de imagens de diferentes gêneros, entre anúncios, retratos e reportagens. Ele foi um dos poucos fotógrafos a clicar dois calendários Pirelli, um em 1965 e outro em 1973, e teve um imenso sucesso comercial em suas campanhas para marcas como Benson & Hedges e Smirnoff. Além da Vogue, trabalhou para publicações como Esquire, Town Magazine, The Observer, The Times e Elle.

Vogue, 1961. Foto: Brian Duffy.

Vogue, 1962(e) e Town Magazine, 1964(d). Fotos: Brian Duffy.

Suas imagens poderosas traduziram a efervescência artística e as importantes mudanças comportamentais ocorridas nos anos 1960, em especial em Londres — ponto estratégico dentro desse novo cenário, ao lado de Nova Iorque. Duffy foi um dos principais responsáveis por eternizar a “Swinging London”, termo usado para designar a cena cultural que floresceu na capital inglesa.

Kids on King Henry's Road, 1962(e) e Love, 1968(d). Fotos: Brian Duffy.

Reggie Kray & Grandfather, 1964. Foto: Brian Duffy.

Ao lado de David Bailey e Terence Donovan, Duffy é reconhecido como um dos responsáveis por uma inovação batizada de “documentary fashion photography” (algo como fotografia de moda documental ou documentada). O estilo revolucionou tanto as produções imagéticas referentes ao tema quanto a indústria da moda. Suas produções eram tão influentes que em 1962 o jornal Sunday Times apelidou os três de “Terrible Trio” (mais tarde, o fotógrafo Norman Parkinson os daria outra alcunha, “The Black Trinity”).

Vogue,1960(e) e Vogue, 1962(d). Fotos: Brian Duffy.

Elle. Fotos: Brian Duffy.

Em 1979, Duffy rompeu com a fotografia e queimou parte de seu arquivo. Seu filho o convenceu a deixar a aposentadoria de lado em 2009 para clicar alguns dos famosos que ele havia fotografado ao longo de sua carreira.

9
mar

Canela-RS ganhará Instituto de Fotografia e Artes Visuais

No post que fizemos com o fotógrafo Fernando Bueno, em outubro de 2011, ele nos adiantou em primeira mão: o Canela Workshops deste ano, realizado entre 22 a 26 de fevereiro, reservava um anúncio especial: o lançamento do projeto de um centro de excelência em fotografia na cidade serrana.

O local será construído na área do antigo cassino, hoje em ruínas. Batizado de Instituto de Fotografias e Artes Visuais de Canela, ele atuará como galeria, escola e centro de preservação de fotografias analógicas e digitais. O local contará com dois laboratórios, nove salas de aula e três estúdios, além de cantina, restaurante, garagem, loja, terraços e outros espaços. A biblioteca, como contou Fernando, deve ser a primeira especializada em fotografia no Brasil.

Bueno destaca a criação de uma enorme área de preservação de acervo. De acordo com ele, um centro de TI cuidará de um problema comum aos fotógrafos contemporâneos: o armazenamento de arquivos. O objetivo é preservar a memória da fotografia brasileira atual, não a do século passado. Como Fernando afirmou, com humor, “o foco será o trabalho de quem está vivo, depois a gente parte para os mortos”.

O investimento previsto para o Instituto é de R$25 milhões, com apoio da prefeitura de Canela e do governo do Estado, além da iniciativa privada. O projeto é da Solé Associados.

7
mar

Retratos de Gêmeos, por Martin Schoeller

A principal temática da fotógrafa norte-americana Diane Arbus (1923 – 1971) foi sempre o lado angustiado da cultura de seu país, a outra face do american dream. Com sua Rolleiflex, buscava nas ruas de Nova Iorque seus modelos, que banhava com uma luz dura e direta, sem artifícios — já que usava flash durante o dia.

Identical Twins, 1967. Foto: Diane Arbus.

Arbus retratou nus, freaks, deficientes e, entre seus cliques mais famosos, fez uma série de imagens de irmãos gêmeos. É fácil de recordá-las ao conferir o ensaio que o fotógrafo Martin Schoeller fez durante o “Twins Days Festival”, celebração que reúne anualmente irmãos gêmeos de todas as idades em Twinsburg, Ohio, nos Estados Unidos. Para ilustrar um artigo escrito por Petter Miller para a National Geographic, ele clicou duplas de irmãos dispostas lado a lado. As imagens desconcertam pelas semelhanças, e também por suas diferenças: são um convite à comparação e permitem infinitas interpretações sobre cada dupla.

Foto: Martin Schoeller.

Marta e Emma, 15 anos, sonham em ser cantoras de ópera e pretendem frequentar a mesma universidade. As duas gostam de desenhar. Enquanto a primeira, à esquerda, prefere rostos ricos em detalhes, a segunda aprecia imagens amplas, como o céu, a chuva e objetos em movimento.

Foto: Martin Schoeller.

Idênticos, Ramon e Eurides eram confundidos pela própria mãe quando crianças. Para não correr o risco de alimentar a mesma criança duas vezes, ela os indetificou com pulseiras. Hoje, aos 34 anos, moram em casas iguais e são vizinhos na Flórida.

Foto: Martin Schoeller.

Lorraine estava no consultório médico quando sua irmã Loretta, à esquerda, foi diagnosticada com câncer. Loretta achou que Lorraine também deveria fazer os exames e o médico descobriu que ela tinha a mesma doença. As duas se trataram juntas e hoje estão curadas e com saúde.

Foto: Martin Schoeller.

Emily e Kate tem 9 anos e, além de se darem bem, têm o mesmo gosto, inclusive na hora das compras. Mesmo quando vão ao shopping separadas, apenas na companhia da mãe, acabam escolhendo as mesmas coisas.

Foto: Martin Schoeller.

Spencer e Skyler já brincaram de trocar de identidade. Skyler (esquerda), posava no lugar do irmão no “dia da foto” no jardim de infância, já que Spencer era tímido demais. No colégio, viraram lutadores e sempre deixavam o juíz confuso (“você não pode lutar novamente, você acabou de sair do ringue”). Na faculdade, agora com 19 anos, têm acesso a uma bolsa para gêmeos: um paga o curso integralmente, o outro não paga.

Foto: Martin Schoeller.

A dupla Carly e Lily, de 5 anos, é tão apegada que a mãe costuma se perguntar se são a mesma pessoa. Estão na mesma turma na escola e na natação. Quando uma recebe exercícios mais avançados a outra reclama, não quer ficar para trás.

Foto: Martin Schoeller.

Christopher e Cole têm 20 anos. Frequentam diferentes universidades, mas sempre lembram um do outro, já que tem duas tatuagens celebrando sua amizade de irmaõs. Quando Christopher (direita) tatuou um 2, representando o fato de ter um gêmeo, Cole tatuou o número um, já que nasceu primeiro (como costuma explicar, rindo). Além dessa, tatuaram um o nome do outro na parte interior do lábio.


“Uma foto é um segredo dentro de outro segredo. Quanto mais ela diz, menos você sabe.”
Diane Arbus

5
mar

“Não tiro fotos da vida como ela é, mas sim de como queria que ela fosse”

Robert Doisneau Portrait, 1982. Foto: Marion Kalter.

Nascido em Gentilly em 1912, Robert Doisneau é um dos mais importantes fotógrafos franceses. Morreu em 1994 na cidade que escolheu para viver e documentar, Paris.

The Cour Carrée at the Louvre, 1969. Foto: Robert Doisneau.

Le Pendule, 1957. Foto: Robert Doisneau.

Originalmente formado em litografia, começou a fotografar como autodidata em 1929, movido por uma intensa vontade de imortalizar o que via durante seus passeios pelas ruas da capital francesa. Depois de trabalhar como assistente do escultor André Vigneau e de publicar sua primeira fotografia em um veículo (na revista francesa Excelsior), tornou-se profissional em 1934, quando foi contratado pela fábrica da Renault, em Billancourt, como fotógrafo industrial e publicitário.

Un regard oblique, 1948. Foto: Robert Doisneau.

Fox-terrier sur le Pont des Arts avec le peintre Daniel Pipart, 1953. Foto: Robert Doisneau.

No mesmo ano, Doisneau decidiu se aventurar como fotojornalista independente, mas a Segunda Guerra Mundial o forçou a desistir temporariamente do sonho. Serviu pelo exército francês de 1939 até o fim dos embates. Depois, para dar vazão ao seu desejo de trabalhar como fotógrafo, começou a vender postais.

Amour et barbeles-Tuileries, 1944. Foto: Robert Doisneau.

The cellist, 1957. Foto: Robert Doisneau.

Após entrar para a agência de fotos Rapho, finalmente assinou com uma publicação, a Vogue, onde permaneceu de 1949 até 1952. Diferente do que se poderia imaginar, ele não abraçou a fotografia de moda: tornou-se famoso em seu gênero original, a “fotografia de rua”. Durante quase toda a sua vida, documentou com senso de humor, empatia e leveza a vida suburbana parisiense. Entre seus temas mais constantes estão as crianças, sempre abordadas com dignidade e respeito.

Rue des Peupliers, 1936. Foto: Robert Doisneau.

Les Tabliers de la rue de Rivoli, 1978. Foto: Robert Doisneau.

Sua mais famosa imagem é Le baiser de l’Hôtel de Ville, que mostra um casal se beijando em meio a uma movimentada rua de Paris. Na época, a foto foi interpretada como uma forte representação do modo francês de viver. A cópia original foi leiloada em 2005 por 155 mil euros para ninguém menos que Françoise Bornet, a protagonista da imagem ao lado de seu então namorado, Jacqes Carteaud. Os dois posaram para a fotografia, aparentemente espontânea, em 1950.

Doisneau tomava café em um bar parisiense quando avistou o casal. Conversou com a dupla, descobriu que eram atores amadores e pediu para tirar a foto. Pouco depois, Françoise recebeu uma cópia com um agradecimento. Reza a lenda que a moça apreciou a gentileza, mas processou Doisneau, exigindo 18 mil francos e os direitos da imagem. Outro boato garante que diversos outros casais também processaram o fotógrafo, afirmando serem os personagens eternizados.  Até hoje, mais de 500 mil posteres e 400 postais já foram reproduzidos a partir da original, considerada uma das mais românticas fotos já tiradas na história.

La baiser de l'Hotel de Ville, 1950. Foto: Robert Doisneau.

“As maravilhas da vida cotidiana são tão emocionantes. Nenhum diretor de Cinema pode realizar o inesperado que você encontra na rua”

Robert Doisneau

2
mar

Ex-aluna do Curso Anual de Fotografia realiza exposição em Portugal

Formada pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul, a fotógrafa Fernanda de Souza foi convidada para expôr na Galeria Colorida, em Lisboa, Portugal. O ensaio escolhido, intitulado High Key (nome, também, da técnica utilizada na captação das imagens), foi seu trabalho de conclusão, apresentado em março de 2011. A mostra será inaugurada amanhã, dia 3, e permanece por lá até o dia 16.

Fernanda explica que para trabalhar com fotos em altas luzes, mas sem perda de detalhes e textura, as imagens foram desenvolvidas utilizando a técnica de iluminação High Key — sem superexposição, mas com grande luminosidade. “Para isso, as imagens foram captadas em estúdio, com flash direcionado para ‘estourar’ o fundo, de modo que o objeto principal, as modelos, fundiram-se com o fundo branco”, explica. A fotógrafa é graduada em Relações Públicas pela PUCRS, mas o ensaio em questão deixa transparecer um interesse em moda. “As cores utilizadas na maquiagem das modelos foram primárias (azul, verde e vermelho) e a secundária, amarelo, para trabalhar um pouco de contraste no fundo branco, cujo resultado são fotos com menos profundidade”, conta.

Hoje, Fernanda trabalha exclusivamente com fotografia, realiza fotos em estúdio e registra eventos. Esteve na Europa em novembro do ano passado, e aproveitou o mês que passou em Barcelona, na Espanha, para enviar seu portfólio para diversas galerias, entre elas a Colorida. Na inauguração de sua exposição, realizada amanhã às 19h, será representada por uma das modelos do ensaio, Fernanda Evangelista.

Créditos do ensaio:
Modelos: Victória Monteiro e Fernanda Evangelista
Maquiagem: Diego Marcon
Produção e Fotografia: Fernanda Souza
Tratamento de Imagem: Diego Cunha

Serviço:
High Key na Galeria Colorida
Inauguração: 3 de março às 19h
Rua Costa do Castelo, 63 (Escadinhas Marques Ponte de Lima, 1A) – Lisboa, Portugal
A mostra fica em cartaz até o dia 16 de março.