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Archive for dezembro, 2011

15
dez

As fotografias aéreas de Cássio Vasconcellos

Retrato de Cássio Vasconcellos

Nascido em São Paulo, Cássio Vasconcellos iniciou sua trajetória na fotografia em 1981, na escola Imagem-Ação. Na virada para a década de 1990, fez parte da geração responsável por reinventar a fotografia no país, segundo o jornalista e fotógrafo Alexandre Belém, da Revista Veja.

São Paulo 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

Seu trabalho foi sempre voltado a projetos artísticos, percorrendo galerias e museus no Brasil e fora dele. É referência por explorar as possibilidades técnicas da fotografia, como mostram seus ensaios Chaminés (1985), Navios (1989), Rostos (1991) e Paisagens Marinhas (1993-1994). Uma de suas mais celebradas publicações é o livro Noturnos, São Paulo (2001), que fez parte de exposição homônima.

Nova York, EUA 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

Seu mais recente lançamento é, em parte, fruto do trabalho como piloto de helicóptero, habilidade que representa a realização de um sonho infantil. Aéreas (2010), uma coleção de imagens do mundo visto de cima, pertence à coleção Fotógrafos Viajantes e tem edição limitada, numerada e assinada pelo autor.

Avenida Paulista, São Paulo 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

A publicação impressiona pela sensibilidade e pela originalidade com que Vasconcellos capta paisagens e cenas de cima, do ponto de vista das nuvens. No texto de apresentação, o curador Eder Chiodetto expressa um pouco do impacto nele causado pela obra: “O mundo, estranho mundo, descortinado e redesenhado por geometrias inimagináveis para olhos que trafegam ao rés do chão.”

Canasvieiras, BA 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

Em janeiro deste ano, Cássio iniciou uma viagem de helicóptero com o objetivo de registrar imagens aéreas das Américas. O percurso durou cerca de um mês e foi do norte dos Estados Unidos até São Paulo.

Copacabana, RJ 2006. Foto: Cássio Vasconcellos

Praia da Enseada, Guaruja, SP 2007. Foto: Cássio Vasconcellos

9
dez

Master Class de fotografia de natureza com Zé Paiva

Retrato prof. Zé Paiva. Foto: Henrique Wallau

Na tarde do último sábado, 26 de novembro, o fotógrafo e professor Zé Paiva realizou sua Master Class com a Turma B do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul. A aula prática, uma saída de campo, foi realizada no Parque de Itapuã, cerca de 1h de Porto Alegre. O grupo fez a Trilha da Visão, que depois de 3 quilômetros termina com uma vista de 180º para a Lagoa dos Patos e a Lagoa Negra, e, já no fim da tarde, acompanhou o pôr do sol na Praia da Pedreira. Tudo isso sem tirar a câmera do pescoço.

Foto: Schari Kozak

Formado em Engenharia, Zé Paiva começou sua carreira no Fotojornalismo e passou pela Publicidade, mas sempre fotografou a natureza como hobby, transformando de vez o passatempo em profissão em 1985, quando mudou-se para Florianópolis. Hoje, trabalha com agências como a Folha Press e a Getty Images e faz diversos trabalhos sob encomenda, como fotos áreas e institucionais. Seu foco e sua grande paixão são os projetos, que geram uma produção fotográfica extensa. O livro Natureza Gaúcha (2008), por exemplo, resultado final de um projeto aprovado em 2006, foi fruto de três grandes viagens e de mais de 15 mil cliques — a publicação tem 150. Nenhuma foto de arquivo foi utilizada e muitas das que não entraram na obra serviram para ampliar seu banco de imagens.

Foto: Juliano Araujo

Paiva dividiu com os alunos sua experiência de mais de duas décadas com fotografia documental de natureza. Um dos pontos que enfatizou antes da chegada, durante o trajeto, é a importância de estudo e planejamento prévio antes de cada saída: “Entrar no Google Earth, estudar a posição solar do local, o comportamento dos animais… tudo isso é necessário para que as chances de voltar para a casa com um bom material aumentem”, explicou. Ainda no ônibus, o professor distribuiu entre os alunos livros sobre os animais e plantas típicos do Rio Grande do Sul, todos exemplares ilustrados de sua biblioteca pessoal.

Foto: Schari Kozak

Na chegada, os fotógrafos viram na prática a importância de utilizar não apenas o equipamento, mas as roupas adequadas para cada situação. Paiva dividiu suas preferências e abriu sua mochila, mostrando as lentes e flashes que usa para cada assunto e alguns itens surpreendentes que não dispensa, como um apito e um saco de lixo. Antes da trilha, o professor aconselhou o silêncio, para que se escutasse mais a natureza. Deu certo. Uma das surpresas encontradas pelo caminho foi um macaco típico da região, o Bugio. Nas palavras de Paiva, trata-se de algo dificílimo de acontecer quando a saída é feita por um grupo grande. Outro conselho bem aproveitado foi referente a forma de olhar: “À primeira vista, a floresta é homogênea. É preciso aprender a enxergar as nuances do verde e da luz”.

Foto: Schari Kozak

Paiva também dividiu com os alunos alguns de seus segredos pessoais. Mostrou detalhadamente como faz fotos macro, com ou sem flash, algumas das técnicas que utiliza ao fotografar animais (no caso em questão, aves) e como tornar uma foto de paisagem especial, fugindo dos clichês.