Skip to content

Archive for dezembro, 2011

23
dez

Até 2012!

21
dez

O momento decisivo na fotografia de Scott Linstead

Foto: Scott Linstead

Quando o fotógrafo canadense Scott Linstead escolheu o nome de seu livro, uma coleção de fotografias da vida selvagem acompanhada de textos de sua autoria, ele sabia que se tratava de um título controverso.

Foto: Scott Linstead

Decisive Moments: Creating Iconic Imagery (2011), que pode ser traduzido como “momentos decisivos: criando imagens icônicas”, é uma referência ao clássico de Henry Cartier-Bresson, The Decisive Moment (1952), o que não significa uma comparação de seu trabalho com o do fotógrafo francês.

Foto: Scott Linstead

“Eu achei que o tipo de fotografia que eu faço [vida selvagem e natureza] era diferente o suficiente do trabalho de Bresson para que eu não soasse arrogante, o que definitivamente não foi minha intenção”, explica.

Foto: Scott Linstead

No trabalho de Linstead, os momentos clicados são decisivos e críticos: seu livro reúne mais de 50 imagens que compreendem o instante de maior tensão entre a caça e o caçador. Entre eles, destaca-se a foto de capa, com uma águia pescando uma truta.

Foto: Scott Linstead

Reforçando esse conceito, muitas das fotos foram capturadas com um flash de alta velocidade acionado por armadilhas fotográficas. Elas são feitas com lasers ou feixes infravermelhos para que o registro tenha maior precisão. Quando um animal cruza o feixe, as câmeras e os flashes disparam.

Foto: Scott Linstead

Outro ponto controverso do trabalho de Linstead está no fato de que muitas de suas fotos são feitas em estúdio, onde ele cria habitats simulados para cada animal. O fotógrafo opta por essa alternativa quando é derrotado pela dificuldade de fotografar no lugar real ou viajar até ele.

Foto: Scott Linstead

“Idealizo poder ir para o estúdio apenas quando a tecnologia não me permite chegar no resultado desejado. Mas, economicamente, é bem mais viável fotografar aqui do que ir até Madagascar para obter a imagem de um camaleão”, exemplifica. O trabalho em estúdio o levou a uma rentável descoberta: de acordo com ele, a imagem colhida no meio natural é mais difícil de ser vendida.

Foto: Scott Linstead

Linstead fotografa vida selvagem desde 2007, quando finalmente completou um lento processo de se entregar a seu lado criativo. Na faculdade, estudou engenharia mecânica e espacial, tendo o hábito de fotografar aviões em seu tempo livre. Depois, atuou como professor com pouco entusiasmo por seis anos. Inspirado por suas viagens fotográficas pelas paisagens do sul do Quebec, finalmente investiu em um bom equipamento e criou coragem para viver de fotografia, logo passando a colaborar com revistas como Popular Photography e Outdoor Photography Canada.

19
dez

Herbert G. Ponting: o fotógrafo da Expedição Terra Nova

Fotógrafo Herbert Ponting (1870-1935) revelando suas chapas durante a expedição Terra Nova.

Em 1910, a Expedição Britânica-Antártica, conhecida popularmente como Expedição Terra Nova, saiu da Inglaterra capitaneada por Robert Falcon Scott (1868-1912). O objetivo era se tornar a primeira a chegar no inexplorado Pólo Sul. Quem competia por um lugar nos livros de história com Scott era o norueguês Roald Amundsen (1872-1928), que ganhou a disputa por um mês de diferença.

A 'Terra Nova' vislumbrada por detrás de um campo de gelo irregulares. 07 de janeiro de 1911. Foto: Herbert Ponting.

A expedição tinha objetivos adicionais, como pesquisa científica e exploração geográfica. Embora fosse fruto de iniciativa privada, tinha o apoio não-oficial do governo (que contribuiu com metade dos custos da expedição). Entre os cinco membros, um se destacava pelo afinco com o qual buscava produzir material sobre o desconhecido local em questão: tratava-se do fotógrafo britânico Herbert G. Ponting (1870-1935), que durante os 14 meses que passou na Antártida, produziu um vasto documento imagético, considerado até hoje um dos mais ricos da região.

Focas no Cabo Evans, Antártida, durante a expedição Terra Nova – 1911. Foto: Herbert Ponting.

Nascido em Whiltshire, Ponting se tornou banqueiro ao atingir a maioridade e, posteriormente, mudou-se para a Califórnia e investiu em uma fazenda de frutas. Após as duas empreitadas mal-sucedidas, migrou para a fotografia com o objetivo de salvar as finanças da família. Ironicamente, foi este ofício que o afastou dela. Depois de vencer diversos concursos fotográficos, foi contratado por uma empresa de fotografia para resenhar e dar opiniões sobre suas câmeras. A partir daí, iniciou suas expedições, fotografando no Extremo Oriente, no Sudeste Asiático e em países europeus.

Geólogo Thomas Griffith Taylor e o metereologista Charles Wright na entrada de uma gruta durante a expedição. Foto: Herbert Ponting.

Membros da expedição em acampamento improvisado – 1911. Foto: Herbert Ponting.

Como membro da Expedição Terra Nova, Ponting produziu cerca de 1.700 fotografias. Além de clicar paisagens, vida animal e a rotina da tripulação, fez dezenas de retratos com grande esmero técnico e estético. Esse acervo está depositado no Scott Polar Research Institute, na Inglaterra. Em algumas imagens, é evidente o desconforto dos tripulantes ao posar para fotos em um ambiente tão gelado.

Explorador canadense Sir Charles Seymour Wright – 1912. Foto: Herbert Ponting.

Capitão Lawrence Oates – 1911. Foto: Herbert Ponting.

Enquanto na época novas e promissoras técnicas fotográficas avançavam com rapidez, Ponting escolheu para este trabalho um método da primeira metade do século anterior, o negativo de vidro. Além de sua familiaridade com o equipamento — e preferência estética pelos resultados —, os negativos de vidro eram viáveis até mesmo economicamente.

Chapa de vidro original. Na foto Iceberg na costa de Cabo Evans, na Antártida – 1911. Foto: Herbert Ponting.

Ele deixou o Pólo Sul em fevereiro de 1912 por se considerar velho demais para aguentar mais um inverno antártico. Faleceu em 1935, em Londres, aos 65 anos. O restante da equipe morreu na viagem de volta.

Gruta de gelo em Ross Dependency, na Antártida – 1911. Foto: Herbert Ponting.

O adestrador de cães Cecil Meares e o capitão Lawrence Oates cozinhando para os cães do acampamento – 1911. Foto: Herbert Ponting.

Capitão Robert Falcon Scott (centro) com outros membros da expedição – 1911. Foto: Herbert Ponting.