Skip to content

Archive for novembro, 2011

30
nov

Conheça o Catálogo Geral de Cursos do Centro de Fotografia da ESPM-Sul

Para visualizar o catálogo em tela cheia clique no ícone “Open Fullscreen”, no final da barra de menu da janela acima.


Para obter a versão em PDF do catálogo clique aqui: DOWNLOAD

29
nov

Massimo Berruti: Fotojornalismo ativista

Foto: Massimo Berruti

O fotógrafo Massimo Berruti nasceu na Itália em 1979. A desigualdade social em seu país, especialmente em sua cidade natal, Roma, é um dos seus primeiros e principais temas, mas está distante de ser o único: Massimo é um dos mais jovens repórteres fotográficos a registrar a realidade de zonas de guerra do Oriente Médio.

Foto: Massimo Berruti

Após alguns cursos de fotografia, largou seus estudos de biologia em 2003 para tentar construir uma carreira como fotógrafo. Não demorou muito para que começasse a trabalhar com importantes revistas europeias como l’Espresso, Vanity Fair, Internazionale, D la Repubblica delle Donne, Le Monde 2 e The Independent. Freelancer desde 2004, construiu seu portfólio fotografando no leste europeu e principalmente na Itália, onde realizou ensaios focados na crise industrial e na situação dos imigrantes e dos subúrbios. Parte desse trabalho está no livro Made in Italy (2006), sua primeira publicação.

Foto: Massimo Berruti

Foto: Massimo Berruti

De 2007 para cá, viajou por países do centro da Ásia realizando fotografias que têm como principal objetivo, de acordo com o próprio, motivar o desejo de mudança social. Por seu ensaio dos militantes Lashkar, que vivem nas fronteiras do Paquistão com o Afeganistão — há décadas em guerra —, ganhou o prêmio da Fundação Carmignan em 2010. Também foi vencedor de duas categorias do prêmio World Press Photo: Reportagem em 2007 e General News (notícias gerais) em 2009.

Foto: Massimo Berruti

Foto: Massimo Berruti

Massimo afirma focar-se nas temáticas de guerra e desigualdade social pois, de acordo com ele, esse é o clima da sociedade contemporânea. Seus próximos projetos incluem a cobertura das crises na Grécia e no norte da África.

Foto: Massimo Berruti

25
nov

Master Class de Fotojornalismo com Ricardo Chaves

Foto: Schari Kozak

“Não sou conferencista nem professor, então nosso papo vai ser bem informal”. Com essas palavras o fotógrafo Ricardo Chaves, o Kadão, iniciou sua Master Class na última terça-feira, 23, no Centro de Fotografia da ESPM-Sul. A conversa, por expor uma carreira de 40 anos dedicada ao fotojornalismo, mostrou as mudanças que a profissão sofreu ao longo das décadas, além de apresentar aos alunos um panorama detalhado do dia a dia de um fotógrafo. A rotina em uma redação foi conhecida na teoria e na prática, já que a segunda metade do encontro foi realizada na sede do jornal Zero Hora, publicação na qual Kadão iniciou sua carreira no fim dos anos 1960 e onde, hoje, trabalha há 20 anos.

Foto: Schari Kozak

O que o aproximou da fotografia foi um outro amor: a mecânica. Em 1969, Kadão estudava na Escola Técnica Parobé e fotografava os carros de corrida que competiam na Avenida Cavalhada, na Zona Sul da Capital. O pai, jornalista, havia largado a profissão e migrado para a política, tornando-se assessor de imprensa do governador Leonel Brizola. “Naquela época, não era como é hoje, que qualquer um fotografa. Se a gente não soubesse como fazer, a foto não saia”, relembra. A fim de aprender, bateu na porta de Zero Hora, então um pequeno jornal. O editor de fotografia Assis Hoffmann foi categórico: “Não tem emprego nem para quem sabe, para quem não sabe, então… Mas se tu quiseres, fica livre para frequentar a redação. Fotografar é tudo o que a gente faz o dia inteiro”.

Foto: Schari Kozak

A partir daí, Kadão passou a estudar de manhã e passar as tardes com os fotógrafos de ZH. “Pode parecer bobagem, mas eu nem imaginava a fotografia a serviço da imprensa. Ver as fotos sendo feitas e saindo no outro dia no jornal me emocionou muito”. Apaixonou-se e, desde então, não largou o jornalismo. Para ele, uma redação é um microcosmo da sociedade, com todos os seus clichês e com toda a complexidade de seu funcionamento. Foi a serviço delas que Kadão cobriu Olimpíadas, o incêndio nas Lojas Renner, a eleição e as visitas do Papa ao Brasil, o surgimento do Movimento Sem Terra, o desmatamento no norte do país. Também foi pelo jornalismo que passou “15 dias sendo picado por mosquitos na Amazônia para a Veja não publicar nenhuma imagem”, que conheceu índios, que passou frio na Sibéria e que foi até preso, certa vez, por subir onde não devia para conseguir a foto perfeita.

Foto: Schari Kozak

Foi pouco depois de ser contratado na Zero Hora que viajou para o Rio de Janeiro, em 1971, quando começou a trabalhar no Jornal do Brasil. De lá, largou a carteira assinada para assumir como freelancer da Editora Abril, em São Paulo — “Tinha 23 anos, era a idade de arriscar, fazer bobagem”, relembra. Entre 1976 e 1981, trabalhou na Veja, onde esteve pela primeira vez no cargo de editor de fotografia, função que também assumiu na Istoé até a demissão massiva que procedeu a compra da empresa.

Foto: Schari Kozak

Já com dois filhos em São Paulo, não ficou nenhum dia desempregado. Foi convidado a trabalhar no Estadão, em Brasília, e pegou a capital brasileira “na crista da onda”, com a primeira eleição presidencial democrática após os anos de ditadura. “O Collor era maluco, então era foto dele na primeira página todos os dias”. Logo o Estadão o levou de volta a São Paulo, onde foi por mais de um ano um dos seis editores dos 80 fotógrafos que trabalhavam no jornal. Enquanto mostrava as fotos feitas nas passagens por todos esses veículos, expôs as dificuldades de captação e transmissão características das épocas. As grandes mudanças ao longo da história dos próprios jornais e revistas também surpreenderam os alunos.

Foto: Schari Kozak

Quando o paulista Augusto Nunes veio dirigir a Zero Hora, convidou dois gaúchos para escoltá-lo: ele e Eduardo Bueno, o Peninha. É lá que Kadão se encontra até hoje. Este ano, afastou-se do cargo de editor de Fotografia e assumiu a coluna Almanaque Gaúcho, além de assinar e fotografar  pautas especiais. Durante a visita, mostrou aos alunos como funciona o arquivamento das imagens e das publicações, tanto físico quanto digital. O funcionamento da editoria de fotografia, a compra de fotos, as três reuniões de pauta diárias e o estúdio, antigo laboratório, também foram conhecidos pelos estudantes presentes.

Foto: Schari Kozak

Kadão mostrou que a fotografia sofreu uma mudança total desde a época em que era preciso viajar para registrar os acontecimentos. “Hoje, nossa profissão mudou brutalmente. A internet foi o que realmente deixou tudo diferente: temos que mandar tudo na hora, quase no momento em que a foto é feita”. Quem antes se baseava no deadline do jornal, agora trabalha como as agências sempre trabalharam — e pela praticidade e eficiência das grandes agências mundiais (Reuters, AFP, EFE, AP), cada vez menos é necessário que os fotógrafos façam grandes viagens.

Foto: Schari Kozak

“O jornalista sempre foi meio historiador, hoje não consegue ser assim, não tem nem tempo”, lamenta. Outra das características atuais que surpreendem Kadão é o fato de que hoje o fotógrafo também deve fazer vídeo, timelapse, fotos 360º, superfoto, etc. Mesmo assim, ele garante que, para quem gosta de fotografar, existe espaço. “Uma das coisas legais é que o que não é publicado vai para a versão online e por aí vai. A gente trabalha melhor, mas nunca menos. O stress não é menor por ser tudo digital”.

“Foto não tem que ter pé nem cabeça: foto tem que ser boa. Todos os elementos dentro do quadro não garantem que a foto seja boa.”
Ricardo Chaves