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Archive for outubro, 2011

31
out

Albinos, por Gustavo Lacerda: suavidade e expressão

Série Albinos. Fotografia: Gustavo Lacerda

Mineiro de Belo Horizonte, Gustavo Lacerda vive há dez anos em São Paulo, onde estabilizou-se como fotógrafo publicitário. Já com a reputação consolidada, entregou-se a um projeto autoral que lhe rendeu definitivo reconhecimento, além de inúmeros prêmios. O projeto em questão é “Albinos”, que, distante da fotografia documental, explora a beleza e a suavidade de pessoas de todas as idades que possuem esse distúrbio congênito, caracterizado pela ausência de pigmento na pele, nos cabelos e nos olhos. O resultado de seu trabalho mostra extrema delicadeza, ao mesmo tempo em que é forte e eAdicionar uma imagemxpressivo.

Fotografia: Gustavo Lacerda

Muitos dos fotografados tornaram-se próximos de Lacerda, que pesquisa e clica o assunto desde 2009. Para ele, parte da beleza sutil das imagens vem de características detectadas como pontos em comum entre os albinos: “Esse contato me fez perceber um mistério e certa delicadeza gestual e de movimentos que, desconfio, venha do próprio instinto de auto-proteção causado pelas dificuldades visuais e a excessiva sensibilidade a luminosidade e aos raios solares”, observou.

Fotografia: Gustavo Lacerda

Gustavo afirma que o foco do trabalho era retratar a beleza singular dos albinos, e reflexões sobre padrões de beleza, discriminação e preconceito vieram como consequência. “Quando experimentei o caminho dos tons pastéis, ‘lavados’ e sutis, comecei a vislumbrar a força que o trabalho poderia ter. E é interessante que acabei indo por um caminho que traz imagens impactantes”, contou, em entrevista à revista Veja.

Fotografia: Gustavo Lacerda

Ao evitar o viés de crítica social, mesmo apreciando a fotografia documental, Lacerda construiu um ensaio que já faz parte da história da fotografia brasileira. Venceu o Prêmio Porto Seguro de Fotografia e teve três de suas imagens incorporadas ao acervo permanente da Coleção Pirelli/MASP.

Fotografia: Gustavo Lacerda

Gustavo continua o trabalho em questão e divulgou recentemente algumas fotografias inéditas realizadas em 2011: “Adoraria, por exemplo, continuar registrando o crescimento dos irmãos pré-adolescentes Ítalo e Renan, além de vários outros albinos que se tornaram tão próximos nos últimos anos”.

Fotografia: Gustavo Lacerda

Fotografia: Gustavo Lacerda

27
out

A graduação da turma A do Curso de Fotografia da ESPM-Sul

Formandos e professores comemoram data especial. Foto: Henrique Wallau

O dia 25 de outubro foi uma data especial para a turma A do Curso de Avançado de Fotografia da ESPM-Sul: depois de um ano de estudo, chegou o aguardado momento da formatura. Antes da celebração, os alunos tiveram seus trabalhos de conclusão avaliados por uma banca de alto nível, formada pelos fotógrafos e professores Clóvis Dariano, Gulherme Lund, Leopoldo Plentz, Luiz Barth e Manuel da Costa, coordenador do curso.

Banca avalia primeiramente portfólio impresso. Foto: Juliano Araujo

O grupo avaliou os trabalhos pela manhã e, durante à tarde, dividiu suas impressões com os alunos, que tiveram a chance de falar sobre as técnicas utilizadas e o conceito de seus trabalhos. Neste momento final, foi possível tanto fazer um balanço do aprendizado de cada estudante durante o curso quanto indicar os pontos que ainda necessitam de aperfeiçoamento.

Foto: Camilo Ilha

Pequenos detalhes como a identificação e a organização dos trabalhos foram levados em conta pelos professores, bem como a seleção das imagens, que ganhava pontos se tinha coesão, se era enxuta. Os ensaios possuíam um número limite de 20 fotos pré-estabelecido, mas a quantidade mínima era indefinida. Enquanto alguns alunos ficaram perto do máximo, a aluna Carolina Ferronato, por exemplo, fez apenas uma foto.

Como definiu o professor Clóvis Dariano, alguns trabalhos mostraram de forma quase explícita a evolução dos alunos ao longo do curso, o que, como completou Manuel da Costa, é a parte mais gratificante.

24
out

“Devour”: Os planetas-frigideiras de Christopher Jonassen

Foto: Christopher Jonassen

À primeira vista, o ensaio do fotógrafo noruegues Christopher Jonassen parece ter sido feito através de técnicas de fotografia telescópicas, já que remete imediatamente a formas, padrões e texturas fáceis de imaginar em planetas. Em um segundo momento, é comum surpreender-se: intitulado “Devour” (devorar, em francês), ele mostra, na verdade, fundos de frigideiras usadas.

Foto: Christopher Jonassen

Na maioria das imagens, Jonassen utilizou um fundo preto, realçando a oxidação e as ranhuras das panelas. Como o resultado confirma, o desgaste, em suas diferentes formas, cria padrões interessantes. Durante a criação, ele afirma ter investigado com profundidade o processo de deterioração das frigideiras, mas a verdade é que até as mais inteirinhas ganham uma leitura inusitada em seu projeto.

Foto: Christopher Jonassen

Outro detalhe interessante é que em sua página oficial, o fotógrafo introduz o ensaio com uma citação de Jean-Paul Sartre (1905-1980): “Comer é apropriar-se pela destruição”.

Foto: Christopher Jonassen

Foto: Christopher Jonassen