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Archive for setembro, 2011

22
set

Máscaras, por Raul Krebs

Retrato de Raul Krebs e sua obra exposta. Foto: Hans Georg

Ele não recorda o ano exato, mas foi por volta de 2001 que o fotógrafo Raul Krebs se deparou com uma máscara pouco usual em uma feira de rua em Amsterdam, na Holanda. Decidiu comprá-la e logo passou a fotografar amigos, modelos e produtores que passavam por seu estúdio usando a peça, além de levá-la em viagens. Quando viu, tinha dezenas de fotos sob o mesmo tema, todas fotografadas em filme preto e branco.

Foto: Raul Krebs

Nas palavras dele, a máscara iguala as pessoas. “Comecei a fazer meio no susto, mas, depois que desenvolvi o trabalho, percebi que ele poderia ter esse viés. Mais do que o que eu proponho, o significado vai aparecendo para quem observa”, explica.

Foto: Raul Krebs

Cerca de 10 anos depois, convidado a expôr no Canela Foto Workshops 2011, fez uma seleção de 20 imagens e escolheu três delas para uma série que viria a se tornar um projeto de intervenção urbana. Entre esse trio, a máscara é o elemento de ligação de todos as fotos: “É por detalhes mínimos de corpo e postura que se percebem as diferenças entre uma imagem e outra”. Fez cartazes tipo lambe-lambe, baratinhos, para que fossem colados em alguns pontos da cidade serrana e da Capital, onde, ao invés de cola, usou grampos para que as imagens pudessem ser retiradas e levadas por quem se interessasse. Raul fixou as mascaras em 10 pontos entre Porto Alegre e Canela e em mais 30 pontos apenas na cidade serrana, tudo em apenas um final de semana e sozinho.

Foto: Raul Krebs

Foi depois de muito tempo trabalhando no projeto, também, que o fotógrafo descobriu se tratar de uma máscara de exército. “Após anos a utilizando como um elemento fotográfico, eu vi que ela era uma máscara para militares que atuam na neve”, conta. Depois de ter pensado, no início, que sua origem estava relacionada ao fetiche, Raul considerou interessante ter usado algo dessa natureza como um acessório de moda.

Foto: Raul Krebs

Outro trabalho de sua autoria dentro da temática fetiche é a série Foreplay. Após “Máscaras”, ele afirma ter se desconectado um pouco desse segmento de atuação: “As pessoas tendem a rotular, me perguntavam se eu era fotógrafo só de fetiche, sendo que é apenas uma parte bem pequena do meu trabalho. Como é impactante para quem vê, acabam associando sempre”.

No ano que vem, Raul estuda a proposta de expor parte desse trabalho em Porto Alegre. Confira o mkoff da intervenção urbana.


Foto: Raul Krebs

21
set

Marc Riboud: fotojornalismo com olhos de poeta

Retrato de Marc Riboud

Você aborda as pessoas que quer fotografar, mas as fotografa em outro momento. Existem alguns segredinhos…
Marc Riboud

Foi aos 14 anos que o francês Marc Riboud tirou suas primeiras fotografias com a Kodak Vest Pocket de seu pai. A partir daí, a câmera tornou-se sua licença para investigar e apreciar o mundo ao seu redor. Em 1951, engenheiro por formação, tirou uma semana de folga da fábrica em que trabalhava em Lyon, sua cidade natal, com o objetivo de tirar fotos. Nunca mais voltou. Mudou-se para Paris e aprendeu a fotografar com os mestres da Magnum: Robert Capa, David Seymour e Henri Cartier-Bresson, que o ensinou preciosas técnicas de composição. Em 1953, tornou-se oficialmente membro da agência.

Pingyao, China, 2001. Foto: Marc Riboud

Entre 1955 a 1985, viajou pelo mundo inteiro — e é deste longo período que nasceram seus mais icônicos cliques. De um lado, Riboud testemunhou as atrocidades da guerra (eternizou o Vietnã do ponto de vista das duas partes do conflito) e a degradação de culturas reprimidas (esteve na China durante os anos da Revolução Cultural de Mao). Mas, de outro, registrou as belezas, delicadezas, lirismos e graças do cotidiano, seja na Polônia, nos países da África, no Camboja ou na França, onde vive hoje.

Janela de um antiquário em Beijing, 1965. Foto: Marc Riboud

Riboud saiu da Magnum em 1979, logo após uma temporada de 10 anos no Oriente. Desde então, revisitou cenários da Ásia e da Europa, além de constantemente clicar sua terra natal.

Foto: Marc Riboud

Entre suas imagens memoráveis está um clique feito durante uma manifestação contra a guerra do Vietnã em 1967. Nela, uma mulher segura delicadamente uma flor diante de militares armados. Outra fotografia icônica, esta responsável por o projetar no mundo das artes, é a de um pintor da Torre Eiffel totalmente sem proteção durante sua atividade, mas leve, sem aparentar preocupação.

Foto: Marc Riboud

Essas e outras imagens estiveram expostas em Porto Alegre este ano durante o FestFotoPoa. Intitulada Photographe, a mostra foi composta pelas 60 fotos que melhor representam seus 50 anos de carreira. Para os curadores, elas marcam tanto pelo resgate histórico quanto pela sensibilidade impressa na composição.

Riboud esteve no Brasil durante o FestFotoPoA de 2009. Na capital gaúcha, passeou, fotografou e lotou o auditório do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, onde contou algumas de suas histórias.

Montanhas de Huang-Shan, 1985. Foto. Marc Riboud

India, 1956. Foto: Marc Riboud

Anshan, 1957. Foto: Marc Riboud

 

16
set

O polivalente Erwin Olaf

Auto-Retrato de Erwin Olaf. Projeto I Wish, I am and I Will

Em todos os gêneros com que trabalha, Erwin Olaf declara procurar fotografar sempre a mesma coisa: o não dito. Formado em Jornalismo e amante da arte moderna, migrou para a fotografia publicitária nos anos 1990, mas manteve características de seu gênero de origem, o fotojornalismo, no trabalho em estúdio. Em suas imagens, vê-sê tanto sensualidade quanto humor, tanto o desespero quanto a graça. A dualidade entre o masculino e o feminino também é explorada por ele com originalidade e uma pitada de ironia.

Paradise Portraits. Foto: Erwin Olaf

Paradise portrait. Foto: Erwin Olaf

Olaf nasceu na Holanda e viveu e trabalhou em Amsterdam até os anos 1980. O reconhecimento mundial chegou em 1988, quando conquistou o prêmio Young European Photographe com a obra “Chessmen”. Ao ganhar fama, foi presenteado, também, com o adjetivo de polêmico. Enquanto muitos rejeitam a forma explícita como aborda temas controversos, outros consideram este seu grande diferencial: a naturalidade com que trata assuntos ainda considerados tabus.

Foto: Erwin Olaf

Foto: Erwin Olaf

A influência surrealista é outra característica marcante dos cliques do holandês, que já assinou campanhas publicitárias de marcas como Microsoft, Levi’s e Nokia. Entre suas séries mais famosas estão “Grief”, “Rain”, “Paradise Portraits” e “Royal Blood”. Este ano, foi o retratista da princesa holandesa Máxima em seu aniversário de 40 anos. A herdeira do trono foi retratada com a meticulosidade e o detalhismo característicos de suas peças publicitárias e ensaios.

Royal Blood Foto: Erwin Olaf

Royal Blood Foto: Erwin Olaf

Para o deleite dos amantes da plasticidade — e que não resistem a imagens marcadas por cores brilhantes e tratamento impecável —, Olaf disponibiliza seu portfólio completo no site oficial: www.erwinolaf.com

Chessmen, VI. Foto: Erwin Olaf

Chessmen, V. Foto: Erwin Olaf