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Archive for agosto, 2011

22
ago

Escrevendo histórias com a câmera

Fotógrafo Everton Rosa dirigindo sua modelo para ensaio fotográfico. Foto: Staff

Ele já recebeu incansáveis elogios de celebridades como a atriz Larissa Maciel e os apresentadores Ana Maria Braga e Otávio Mesquita. Em seu currículo, está a realização de uma promoção na TV Globo em que o vencedor ganharia um book realizado por ele. Dispensa apresentações, mas não dispensa manter a humildade e a boa-vizinhança. Se Everton Rosa se tornou um dos mais conceituados fotógrafos de casamento do país, não foi a toa: suas aulas são a maior prova de que ele não negligencia nenhum detalhe. Por isso, o aprendizado de quem passa por elas transcende a fotografia, inclui a importância dos relacionamentos, do comportamento e da valorização apaixonada de cada imagem e de cada cliente.

Foto: Everton Rosa

O amor de Everton pela fotografia é uma herança familiar. Naturais de Santa Catarina, seus pais entraram no meio quando ele tinha apenas dois anos. Cresceu dentro de um estúdio e, ainda criança, já sabia revelar fotos. Abriu seu próprio espaço aos 19 anos e aos 35 migrou para o Rio Grande do Sul. Trabalhou com fotografia publicitária, comercial e de moda desde o início da década de 90, passando ao campo da fotografia social há mais de 10 anos.

Foto: Everton Rosa

O estilo único faz com que seu trabalho vá muito além do registro dos eventos. Em cada foto, Everton imprime um conceito, uma ideia, um estilo, sempre com uma linguagem contemporânea forte, mas versátil — e é comum ler definições de seu trabalho como “releituras do clássico”. Tendo nas boas relações interpessoais uma de suas mais fortes características, comprova em suas aulas que a foto deve ser boa, mas o comportamento, a forma de trabalho do fotógrafo, deve ser interessante também: “Ninguém gosta de um fotógrafo que fuma demais, que atrapalha a festa, que chama os noivos para tirar fotos quando eles estão dançando e se divertindo”, exemplifica.

Foto: Everton Rosa

Outra das maiores lições do fotógrafo está na importância que ele dá a cada cliente, em como busca conhecê-los. “Se eu tenho a oportunidade de fazer uma reunião com os noivos, faço. Às vezes não dá, mas faço o possível para conhecê-los, bater um papo, trocar e-mails”, conta. Ele também adiciona os clientes no Facebook e no Twitter: “descubro um pouco da vida deles, vejo os lugares que frequentam e percebo as pessoas que eles mais amam”.

Foto: Everton Rosa

Nas palavras de Everton, o mundo busca pessoas que tenham soluções, alternativas e atitude: “Se deve identificar se o seu cliente quer atitude ou grife”, explica. A noção de que o cliente tem sempre razão continua em duas outras frases ditas em suas aulas: “Se um cliente meu precisar que eu me jogue no chão, eu me jogo no chão” e “jamais deve ser cobrado mais do que o seu trabalho vale, jamais se deve fazer que o cliente gaste tudo que pode”.

Foto: Everton Rosa

Pode parecer contraditório para alguém com tanto domínio técnico, mas, na opinião de Everton, o mais encantador na fotografia é a simplicidade, o que, para ele, faz com que os recursos que existem hoje tantas vezes não sejam utilizados da forma mais adequada. “O melhor muitas vezes nasce pronto”, explica, “e precisa de poucas correções. O que mais me chama atenção em uma imagem é o quanto ela pode passar em sentimento, alegria ou mensagem”. Provavelmente por essa sensibilidade ele encontrou na fotografia de casamentos o campo de atuação perfeito, onde seu trabalho flui com naturalidade.

Foto: Everton Rosa

O profissional explica que, enquanto há ocasiões e momentos em que é possível estudar a fotografia, em casamentos o mais importante é estar conectado no que está acontecendo e envolvido naquilo que interessa para os envolvidos. Para ele, é preciso ficar ligado e fazer as fotos de forma inconsciente. “É incrível como eu me surpreendo com o resultado do meu inconsciente nas cerimônias de casamento”, declara. Não sou dono da imagem, as fotos nascem porque deveriam nascer”.

Foto: Everton Rosa

Betina Becker, uma das principais organizadoras de eventos de Porto Alegre, define suas fotos como obras de arte, totalmente embasada na satisfação de suas clientes. Uma das noivas que foram registradas por Everton é a atriz Larissa Maciel, que orgulha-se de ter se encantado não apenas com o trabalho do fotógrafo, mas com sua personalidade: “Quando conheci o Everton valorizei ainda mais a importância dos relacionamentos, já que ele chegou em mim por indicação”, conta. Ainda sobre a relevância dos relacionamentos, ele destaca, em suas aulas, que começou no ramo justamente através deles e que o melhor lugar para praticar o seu trabalho é onde você tem os melhores contatos.

Foto: Everton Rosa

Aos que também se interessam pela possibilidade de escrever histórias com a câmera, o curso de Fotografia de Casamento + Photobook ministrado por Everton Rosa na ESPM-Sul está com as inscrições abertas.

16
ago

Centro de Fotografia da ESPM-Sul apresenta novo curso: Fotografia de Casamento + PhotoBook

Foto: Everton Rosa

Se a festa de casamento é um dos momentos mais importantes na vida de um casal, a fotografia desse dia tem um papel fundamental na história dos dois — e quem faz o registro deve estar ciente dessa responsabilidade. A preparação da noiva, o momento em que ela entra na igreja, o olhar do futuro esposo enquanto ela caminha até o altar, a emoção dos convidados… É fundamental que tudo isso seja registrado. Enquanto os momentos espontâneos, que captam a energia do momento, são registrados de maneira semelhante ao exercício do fotojornalismo, as fotos tradicionais, posadas, exigem um outro tipo de trabalho. Nos últimos tempos, os noivos passaram a ter outras exigências quanto a documentação afetiva de sua união, crescendo a demanda por um registro, além de dentro dos padrões tradicionais, com alguns toques de originalidade.

Foto: Everton Rosa


Pensando na fotografia social como um dos campos de trabalho mais rentáveis da área, e na necessidade de capacitar os interessados aos procedimentos e técnicas que fazem das fotografias de casamento a expressão máxima da memória afetiva dos casais retratados, o Centro de Fotografia da ESPM-Sul estreia o curso Fotografia de Casamento + PhotoBook. O professor é Everton Rosa, que trabalha com fotografia publicitária, comercial e de moda desde o início da década de 90, passando ao campo da fotografia social há mais de 10 anos. Entre bodas e aniversários está seu trabalho mais recente, o casamento da apresentadora Ana Maria Braga. Suas aulas contarão com a colaboração do Diretor de Arte Francisco Magalhães. Na área de criação e tratamento de imagens há mais de 12 anos, ele já lecionou técnicas avançadas de Photoshop para designers, ilustradores e fotógrafos.

Everton Rosa. Foto: Staff


Em oito encontros, todo um panorama desse ramo da fotografia será traçado. Na primeira aula, o professor usará sua experiência para dar aos alunos uma visão global da fotografia de casamento, com direito a análise de álbuns e equipamentos. Os rituais nas diferentes religiões, bem como o que se espera do comportamento do profissional em cada uma delas, será o próximo assunto. A partir daí, a primeira aula prática tem início: no terceiro encontro, o interior de uma igreja de Porto Alegre será locado especialmente para o curso. As próximas aulas abordam a edição e a montagem de um Photobook. Uma outra saída de campo, dessa vez noturna, com uso de flash e luz de LED, ainda está no programa. Análise de carreira, portfólio e estratégias mercadológicas encerram o curso.

Foto: Staff


Aos interessados, os pré-requisitos são: conhecimentos de nível intermediário em fotografia digital, possuir câmera fotográfica DSLR (câmera digital reflex que permite a troca de lentes), familiaridade com o ambiente do sistema operacional Windows e conhecimentos básicos do programa Photoshop. Interessados podem adquirir mais informações sobre o curso neste link.

Foto: Everton Rosa

Foto: Everton Rosa


Foto: Everton Rosa

8
ago

O agora da fotografia

Na quinta-feira, 7 de agosto, foi realizado o último dos encontros promovidos pelo “Agora Ágora – Criação e Transgressão em Rede”, projeto de arte e ativismo que contemplou uma mostra expositiva no Santander Cultural de Porto Alegre e um espaço de interação na web, sempre explorando temas ligados à contemporaneidade. O tema do talk shop de encerramento foi “O Agora da Fotografia” e contou com a presença da responsável pela curadoria do projeto, Angélica de Moraes, de Caio Reisewitz, artista que tem fotos na exposição, e do fotógrafo Leopoldo Plentz, professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul.

Foto: Maria Joana

O tema central do encontro foi a fotografia nos tempos atuais. Angélica, fazendo jus a seu papel no meio das artes, iniciou os trabalhos com um panorama sobre o deslocamento do papel da foto na arte contemporânea. Nas palavras dela, a fotografia trocou de lugar ao longo do século passado e do início deste século, apropriando-se de códigos pictóricos para dar “articidade” ao gênero. Isso não foi pouco em uma época em que os fotógrafos não eram considerados artistas, mas apenas “apertadores de botão”: “Em um segundo momento, a fotografia se tornou uma estética por si só, passou a ser entendida como uma arte, uma forma de expressão legítima com características próprias e fortes representantes”, explica.

A “Foto Arte”, que se utiliza de códigos do universo das artes para criar sua linguagem, foi o primeiro tema abordado por Angélica. Como exemplo, apontou a obra do próprio Caio Reisewitz e sua instalação fotográfica no Santander Cultural. Além de escolher as fotos lado a lado com ele quando a mostra foi idealizada, ela acompanha o trabalho do artista desde 1997, quando ele retornou de seu curso na Alemanha. Os dois também brindaram juntos quando Caio representou o Brasil na Bienal de Veneza. “Observei que cada vez mais sua fotografia foi depurada, tanto quanto ao uso de cor quanto na composição. Caio registra sem artifícios, não usa Photoshop, é transparente com o instante fotografado”, opinou. Outro exemplo dado pela curadora dentro do mesmo tema foi o trabalho de Eneida Serrano: “Depois da foto social, ela recorreu à foto arte e fez um ótimo trabalho. Com os detalhes, ela mostra pessoas. Seus recortes falam do geral”.

Foto: Maria Joana

Na sequência, Angélica contou que a foto passou a integrar o DNA da arte contemporânea também como um meio de registro de determinadas expressões artísticas, como instalações. A foto funciona aí, também, como um instrumento de memória. Como exemplo, Angélica mostrou registros do movimento do Parangolé: “Se não fosse a foto, ele seria efêmero, ficaria empobrecido”. A curadora também destacou a importância da foto na percepção do público ao mostrar o que o artista realmente quer dizer com a obra, e usou como exemplo o trabalho daqueles que usam fotos como base para suas pinturas. “Nesses casos, as pinturas são a apropriação de um registro anterior”, interpreta.

Angélica concluiu sua parte no encontro mostrando outros artistas contemporâneos, entre eles Chuck Close, que se utiliza de códigos pictóricos como pontilhismo renascentista em suas fotografias; Geraldo de Barros, que trabalha com fotografia abstrata, ainda com a tradição do construtivismo e também se utilizando de recursos artísticos; Hector Zamora, que expôs na Bienal de Veneza fotografias que transformam a realidade; Lygia Pape, que utiliza a fotografia como registro de outras obras, como por exemplo instalações, em um trabalho onde o registro fotográfico dá a escala e a dimensão do trabalho. E, por fim, a curadora mostrou uma foto tirada por Man Ray da colecionadora de arte Peggy Guggenheim, apresentando a fotografia como forma de inspiração artística.

Foto: Hector Zamora

O tempo e o urbano na fotografia de Leopoldo Plentz

Leopoldo iniciou falando sobre a questão do tempo, muito presente na exposição e uma das matérias-primas de seu trabalho: “Luz, tempo e espaço são os três principais elementos, são os tijolos da fotografia”. Nas imagens que selecionou para mostrar ao público, o tempo e o espaço urbano eram os protagonistas.

Foto: Maria Joana

“Gosto de trabalhar com imagens de cidades, mas não tenho interesses documentais: meu objetivo é a plasticidade”, introduziu, mostrando fotos marcadas pela corrente bressoniana do “instante decisivo” – aquelas que não existiriam se fossem clicadas um instante antes ou um instante depois. Plentz também mostrou fotos em que se poderia imaginar que o instante era decisivo, mas que na realidade não era: ele esperou a pessoa passar para clicar e poderia ter demorado segundos, minutos ou horas até conseguir a imagem perfeita.

La Defense II. Foto: Leopoldo Plentz

Outros trabalhos mostrados por ele foram obras fruto de longa observação da cidade, que requiriram tempo e, na opinião e nas palavras dele, vagabundagem, disponibilidade de observação: “O tempo agrega coisas na cidade, uma série de elementos que até mesmo tendem a feiúra. A metrópole tem sobreposições de imagens, vitrines, publicidade”. Algumas de suas imagens parecem ter sido tratadas com Photoshop, mas são, na verdade, cartesianas, apenas mostram reflexos. Leopoldo expôs seus trípticos (seqüências de três fotos) com ângulos diferentes da região industrial de Porto Alegre, que está deixando de existir da forma que existe agora, o que dá àquelas fotos um papel documental. “Decadência fica bem na fotografia, não sei bem o porquê”, opinou.

La Defense. Foto: Leopoldo Plentz

Ainda na linha da decadência urbana, o fotógrafo mostrou imagens do poluído Rio Riachuelo, em Buenos Aires, e uma série que aborda a onipresença da Cola-Cola na região Sul e no Uruguai. Fotos de seu projeto que visava trabalhar com a paisagem urbana e rural do Sul mostram cidades que parecem paradas no tempo. A série de fotos com imagens escondidas dentro das próprias fotos também foram abordadas, bem como seus registros de arquitetura que, na opinião dele, é uma ótima cristalizadora do tempo, que já nasce datada. Como exemplo, registros de Brasília assinados por ele foram mostrados.

Brasília 1982. Foto: Leopoldo Plentz

Sua série “Topografia”, que trata da questão tempo de vida/tempo de morte com imagens de Jacarandás cortados marcou uma mudança em sua visão: a partir dela, ele passou a olhar mais para o chão. Dessa novidade de abordagem nasceu sua série de arqueologia urbana, “Ex-Coisa”, com fotos de objetos esmagados no asfalto, fósseis urbanos contemporâneos. Na mesma linha nasceu seu último trabalho “Coisas Inúteis”, com fotos de lixo. Basicamente, tratam-se de objetos encontrados na rua fotografados, ou melhor, escaneados (“para desconforto dos mais ortodoxos”, nas palavras dele), em estúdio. Vale lembrar que a foto-convite da exposição era um filme Kodak amassado.

Foto da série Coisas Inúteis. Foto: Leopoldo Plentz

Para finalizar o talk shop, Caio Reisewitz traçou um panorama de sua vida através de uma conversa sobre a carreira na arte. A abordagem de Caio é interessante porque, mesmo fazendo fotografia de uma maneira analógica e buscando rigor técnico, ele não se considera um fotógrafo, e sim um artista: “Uso a fotografia como meio. Meu foco está sempre no que eu quero dizer”, explica, “é meu mecanismo, mas as minhas inspirações são diversas. Encontro muita inspiração na pintura, principalmente”. Caio iniciou mostrando imagens das duas serras que envolvem sua cidade Natal, São Paulo, tão fortes em sua memória que logo que ele começou a se interessar por arte foi em busca desses lugares para fotografar.

Foi a pedido da Bienal que começou a fazer fotografia de interiores, primeiramente no pavilhão da própria Bienal de São Paulo, onde, experimentalmente e com câmeras de grande formato, ficou cada vez mais interessado em retratar locais que mostram uma “certa imponência”. Muitos de seus trabalhos futuros foram marcados pela questão da autoridade. Em seu repertório estão, também, imagens de igrejas barrocas brasileiras, da Prefeitura de São Paulo e do Itamaraty, simbolo da monumentalidade característica de Oscar Niemeyer.

No final, a conversa foi diretamente relacionada à arte, ao fato de que a fotografia demorou muito para chegar nos museus mais por uma disputa de mercado do que por qualquer outra coisa, na opinião de Leopoldo. “Não existe controle sobre a obra fotográfica, isso preocupa os mais conservadores e protecionistas. Ainda mais a digital, ainda mais na internet, as fotografias podem se copiadas e transmitidas milhares e milhares de vezes. Desde seu surgimento ela já tinha a característica de nascer para ser múltipla. Esse é um dos grandes diferenciais da fotografia”, afirmou Leopoldo. Angélica concluiu afirmando que diferenciar “mercado de arte” de “arte” é fundamental.

A mostra expositiva da Agora Ágora termina neste domingo, dia 7 de agosto.