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Archive for julho, 2011

13
jul

National Geographic: 123 anos de dedicação ao planeta e ao fotojornalismo

Famosa como a "menina afegã", a jovem refugiada de olhar intrigante tornou-se um ícone fotográfico. Quando Steve McCurry fez seu retrato em um campo de refugiados no Paquistão, ela jamais havia sido fotografada. Foto: Steve McCurry

Os olhos verdes da jovem refugiada afegã, flagrada em um momento em que não usava burca, atravessa a característica moldura amarela da capa em que foi publicada, em 1985, para encontrar e prender o olhar de quem quer que os observa. A imagem, captada por Steve McCurry, além de uma das mais icônicas do século 20, está entre as tantas que fizeram história na vitrine da National Geographic, revista referência em Fotojornalismo que surgiu com o objetivo declarado de aumentar nossa compreensão acerca do mundo em que vivemos.

Hoje, admiradores das belezas e curiosidades do planeta e da geografia, em especial aqueles que apreciam as imagens geradas por sua cuidadosa e milimétrica exploração, podem ter acesso a National Geographic em múltiplas plataformas, que incluem livros, sites e canais de televisão, mas não foi sempre assim. A revista é fruto da criação de uma sociedade, em 1888, cujo o lema é, ainda hoje, “Inspirar as pessoas a cuidar do planeta”. Formada por apaixonados por geografia de diferentes áreas, todos tinham em comum o desejo de promover o estudo científico e disponibilizar os resultados para o público. Nove meses depois, nasceu a The National Geographic Magazine, que prospera até hoje em edições mensais traduzidas em 32 idiomas.

Foto: Steve McCurry

Os fundadores da National Geographic Society personificavam o espírito de aventura e descoberta que é associado até hoje à organização. Além de encantar por reunir artigos e notícias referentes a todos os cantos do planeta, a revista é prestigiada pela qualidade editorial de suas fotografias. Desde os primórdios, consolidou-se como uma das melhores publicações gráficas do mundo. Foi pioneira ao ter fotos coloridas no começo do século 20, quando esta tecnologia ainda era incipiente, e é, desde então, o lar de muitos dos melhores fotojornalistas do planeta.

A consciência de sua importância na área motivou a criação do livro Mestres da Fotografia, que reúne os trabalhos de quatro dos melhores fotógrafos da revista, responsáveis, como definido na obra, por testar os limites da fotografia sem comprometer a compreensão do público.

Steve McCurry é um deles. Não por acaso, trata-se do responsável pelo imponente registro de Sharbat Gula, a refugiada afegã que fez história na publicação. Sua especialidade são fotos de gente, costuma captar nelas mais do que corpos e faces, dignidade, sentimento e até senso de humor, ainda que nas mais mais delicadas condições. McCurry cobriu diversas áreas em conflito internacional, como Beirute, Camboja, Filipinas, Golfo, ex-Iugoslávia, Afeganistão e Tibete, concentrando-se nas consequências humanas da guerra: não em seu impacto na paisagem, mas em seu reflexo nos rostos.

Foto: Steve McCurry

Foto: Steve McCurry

Suas imagens enchem o espectador de esperança, como as de Michael “Nick” Nichols, também contemplado no livro. O americano é autor de muitas das famosas fotos de animais da savana africana estampadas na National Geographic. Suas aventuras no continente incluem uma caminhada de mais de 3000km a pé, da floresta do Congo até a costa atlântica do Gabão, sempre estudando cada pedaço pelo qual passava. Na obra, diz-se que ele consegue captar delicadeza em um mundo selvagem. Além das mais de 20 reportagens especiais publicadas, Nick também é conhecido pelas boas histórias que carrega ao retornar de cada aventura.

Foto: Michael "Nick"Nichols

Foto: Michael Nichols

Ao combinar a paixão pela fotografia com a de viajar, o asiatico-americano Michael Yamashita tornou-se célebre, principalmente, pela maneira como retratou a Ásia. Suas imagens, que vão de samurais a mercados de peixe, são comparadas no livro a entregas de segredos velados. Seu olhar dá ao público informações privilegiadas, que são restritas a quem faz parte das sociedades retratadas, tão diferentes das que conhecemos na civilização ocidental.

Foto: Michael Yamashita

Foto: Michael Yamashita

O último, mas não menos importante, é David Doubilet, responsável por nada menos do que introduzir no mar o mesmo tipo de iluminação utilizado em estúdio. Não por acaso, animais marinhos exóticos aparecem em suas fotos como se fossem exibidos modelos em um desfile. Suas imagens por vezes assustadoras de predadores como o tubarão branco, a orca e outros animais subterrâneos o tornaram o mais respeitado fotojornalista subaquático de todos os tempos, como definido na publicação.

Foto: David Doubilet

Foto: David Doubilet

Entre os célebres fotógrafos brasileiros que trabalham com a National Geographic Brasil está o gaúcho Izan Petterle, um dos mais regulares colaboradores da publicação. Mas Petterle é assunto para um próximo post, e o que isso tudo tem a ver com o Centro de Fotografia da ESPM-Sul você descobrirá em breve.

Foto: Izan Petterle

8
jul

Luiz Barth avalia exercícios de composição dos alunos

Foto: Juliano Araujo

Em uma das aulas do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, o professor Luiz Barth passa adiante seus conhecimentos em Artes Plásticas por um nobre motivo: aumentar a compreensão dos alunos acerca das regras de composição. Em uma aula cheia de exemplos, ele explica que nosso cérebro tem princípios organizacionais próprios, e tende a arranjar os elementos por ele percebidos de forma que façam sentido. Isso determina porque entre imagens tão parecidas, algumas tendem a se destacar. Assim, são explicados em aula os princípios da psicologia da Gestalt, estudo sobre a percepção humana realizado no século XIX amplamente utilizado ainda nos dias de hoje.
Depois da teoria, chega a hora dos alunos, com a câmera em mãos, botarem em prática todo o aprendizado. Ainda em aula, ficaram livres para organizar e fotografar elementos diversos disponíveis nas cores preto, cinza e branco. Barth avaliou alguns destes trabalhos realizados pelos alunos do Curso de Foto, como é possível ver a seguir:

“Boa distribuição dos elementos claros e escuros. O enquadramento melhoraria se todo o conjunto fosse deslocado mais para a esquerda, o que centralizaria o peso e balancearia com o volume. O uso de um rebatedor para iluminar a sombra própria do retângulo superior o destacaria da sombra projetada, deixando os elementos mais definidos. Deve-se estar atento para as sombras, que sempre fazem parte da composição, assim como os objetos.” Foto: Fernanda Steffen

“A fotometragem deveria ter sido feita para que a imagem ficasse mais escura, o que destacaria o bule da garrafa, definindo sua sombra própria eliminando a luz ‘estourada’ nos brancos.”

“A imagem deveria ser deslocada para cima e para a esquerda. Mudar um pouco a posição da luz marcaria e definiria a forma da xícara.” Foto: Priscila Maboni e Roberto Rakin

“Se possível, acrescentaria um degradê à esquerda para balancear.” Foto: Roberto Raskin

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“Apenas subiria a imagem um pouco para revelar o ‘colo’ da garrafa central”

“A composição está correta. Apenas aumentaria um pouco a iluminação frontal para revelar a rica textura da concha.”

“Seria melhor centralizar e destacar os objetos de suas sombras projetadas.”
“Seria melhor centralizar e destacar os objetos de suas sombras projetadas.”
4
jul

Vídeo mostra momento em que foi tirada a fotografia símbolo da Guerra do Vietnã

Kim Phuc, menina com 9 anos de idade fugindo de sua vila à procura de abrigo. Sul do Vietnam, 1972 Foto: Huynh Cong Ut / AP Photo

Phan Thi Kim Phúc é um símbolo da guerra. Sua imagem correndo dos bombardeios da Guerra do Vietnã, nua, ardendo das queimaduras por Napalm, foi tirada no dia 8 de junho de 1972 no vilarejo de Trang Band e aumentou o índice de rejeição mundial à barbaire daquele conflito. A cena foi imortalizada pelo fotógrafo vietnamita Huynh Cong Ut, conhecido como Nick Ut, que logo depois de registrar seu desespero, levou-a a um hospital. Após 14 meses de tratamento, ao contrário do que todos pensavam devido à gravidade de seus ferimentos, ela sobreviveu. O fotógrafo, que trabalha para a agência de notícias Associated Press (AP) até hoje, ganhou um prêmio Pulitzer. Décadas após a comoção causada por sua divulgação, a fotografia permanece entre as mais importantes da história. A recente descoberta de um vídeo gravado no momento em que ela foi tirada resgata, também com força atemporal, o terror vivido pela população vietnamita:

Nick Ut recordou, em entrevista à BBC, o momento em que a foto foi realizada: “Eu comecei a ver muita fumaça e gente correndo. Eu vi uma mulher pedindo ajuda com um bebê morto em seus braços. Entre a fumaça preta, vi Kim Phúc, correndo e gritando “nam nam ua ua” (muito quente), e tirei muitas fotografias”, recorda. Depois disso, deixou sua câmera de lado e concentrou-se apenas em impedir a morte da menina. Deu a ela um pouco de água, cobriu-a com um cobertor e seguiu rumo ao hospital em seu carro.
Quando chegou em seu escritório, deu início à revelação do material. Quando apareceu, nítida, a imagem de Kim Phúc,sentiu que ali estava uma grande foto. Na época, imagens com nudez frontal não eram permitidas, mas a reação do editor da AP em Nova Iorque, Hal Buell, foi um prenúncio de como ela repercutiria: “Envie essa fotografia imediatamente, eu não me importo com nada que possam dizer”. Nick sabe do impacto que seu registro teve. Mora em Nova Iorque, mas volta ao Vietnã anualmente onde, de acordo com o próprio, sempre escuta do povo: “Sua fotografia mudou a guerra”.

Retrado de Huynh Cong. Foto: Tim Mantoain

Já a garota da foto, Kim Phúc, vive em Toronto, no Canadá. Na época, foi forçada a abandonar a escola e retornar para sua província, onde viveu sob supervisão diária por ser um “símbolo nacional da guerra”. Hoje, além de ser embaixadora da Unesco, preside a “Fundação Kim Phúc”, dedicada a ajudar crianças vítimas de guerra em todo o mundo. São dela as seguintes palavras: “Qualquer um que vê essa foto pode sentir a profundidade do desespero, do sofrimento humano da guerra, especialmente para crianças. Quando vejo aquela imagem de novo e de novo, eu agradeço a Deus que o tio Nick congelou esse momento da história com sua fotografia, permitindo que as gerações futuras vejam o que pode ser o horror da guerra”.

Retratada Phan Thi Kim Phúc e fotógrafo Huynh Cong Ut.