Skip to content

Archive for junho, 2011

21
jun

Time-lapse: TSO Photography e seus impactantes retratos da natureza

Arquivo pessoal do fotógrafo: Terje Sorgjerd.

Por permitir a rápida visualização de processos lentos, o time-lapse é um recurso bastante utilizado no cinema e em documentários, especialmente naqueles relacionados à natureza. Eventos como o movimento das nuvens antes de uma tempestade, o amanhecer de um dia e o desabrochar de uma flor são vistos de forma completa em poucos segundos ou minutos.
No cinema, ele é realizado da seguinte forma: cada quadro do filme é capturado em uma frequência muito menor do que a que será projetada. Assim, quando projetado em velocidade normal, o tempo parece passar mais rápido, criando o efeito. Em alguns casos, é possível criar um time-lapse apenas acelerando a velocidade de projeção de um filme.
Com os profissionais da fotografia, o método é mais complexo: tiram-se milhares de fotos em um determinado espaço de tempo para depois serem exibidas rapidamente, gerando uma sequência animada de imagens. Assim, é necessário que se passe muito mais tempo acompanhando o objeto em foco. É dessa maneira que trabalha, desde 2006, o fotógrafo e cinegrafista norueguês Terje Sorgjerd, mais conhecido pela assinatura TSO Photography.

Sua obra mais recente ganhou o nome de The Artic Light, e foi filmada entre 29 de abril e 10 maio de 2011 no arquipélago de Lofoten, na Noruega. O espetáculo de luzes dura de oito a doze horas e se deve à conexão entre o nascer e o pôr do sol, que mal toca o horizonte antes de subir novamente. O fotógrafo passou por maus bocados, perdeu a câmera, escalou montanhas íngremes e se equilibrou em pedras escorregadias com dois tripés, várias lentes e filtros e algumas câmeras nas mãos. A companhia aérea ainda perdeu sua bagagem, parte de seu equipamento caiu no mar do Ártico e ele foi parar no hospital por conta de uma queda, mas, de acordo com o próprio, tudo valeu a pena. A trilha foi composta por Marika Takeuchi especialmente para este trabalho e ganhou o mesmo título.

Seu trabalho anterior, intitulado The Mountain, foi captado entre os dias 4 e 11 de abril deste ano em El Teide, a mais alta montanha da Espanha. Terje afirma que lá está localizado um dos melhores lugares do mundo para fotografar estrelas, o Teide Observatories. Uma das surpresas enfrentadas, inicialmente considerada por ele uma adversidade, acabou por se tornar uma das mais belas cenas do vídeo. No dia 9 de abril, uma tempestade de areia teve início no deserto do Saara, chegando no local por volta das 3h da manhã e tornando impossível para Terje ver o céu com seus próprios olhos. Como a câmera estava preparada para uma sequência de cinco horas da Via Láctea, ele pensou que a cena inteira havia sido destruída na gravação. Para sua surpresa, a câmera captou a tempestade de areia, que foi iluminada pelas Ilhas Canárias e ganhou o formato de grandes nuvens douradas (é possível visualizá-la no segundo 32).

A Aurora Boreal captada por ele, ainda em 2011, foi uma das maiores dos últimos anos. Durante quatro semanas, ele se dedicou a fazer as imagens no Parque Nacional Pas, em Kirkenes, na Rússia, sob temperaturas de -25ºC.
17
jun

Mestres da Fotografia de Moda: Helmut Newton

Retrato de Helmut Newton

Mulheres amarradas, mulheres usando selas de cavalos, mulheres totalmente nuas, exceto por seus sapatos de salto. Mulheres, mulheres, mulheres: o trabalho do fotógrafo alemão naturalizado australiano Helmut Newton é caracterizado pela onipresença feminina, sempre poderosa, ainda que em situações de submissão. Mesmo com marcas, rugas e cicatrizes, suas imagens mostram sempre modelos absolutamente perfeitas – e, para muitos, uma de suas maiores contribuições para a Fotografia de Moda foi ter ajudado a descobrir novos tipos de beleza feminina.

Autorretrato de Helmut Newton com modelos para Vogue Homme. Paris 1981

Cold Love. Foto: Helmut Newton

Sua capacidade de utilizar de forma elegante temas sexuais explícitos influenciou decisivamente a Fotografia de Moda dos anos 1960, e seu trabalho segue como uma forte referência até os dias de hoje. Ironicamente, mesmo que atacado por representantes do feminismo, ele também ajudou a consolidar a imagem da mulher como o “sexo forte”. Suas modelos são poderosas e seguras, têm pleno controle de sua sexualidade e de qualquer situação – mesmo aquelas criadas por ele, geralmente mergulhadas em sadomasoquismo, em fetichismo e em jogos de poder. No Helmut Newton Institute, sediado em Berlin, uma série de mensagens escritas por ele destinadas a diferentes gerações de editores de moda são expostas, sempre com o seguinte conteúdo: obrigada por ter tido coragem de publicar minhas fotos.

Foto: Helmut Newton


“As primeiras 10 mil fotos são as piores”

Helmut Newton

Foto: Helmut Newton

Filho de uma americana com um judeu-alemão, Helmut nasceu em Berlim, em 1920, com o sobrenome Neustadter. Interessou-se por fotografia ainda jovem, tendo trabalhado como aprendiz da notória fotógrafa alemã Yva, especialista em nus, retratos e moda. Em sua auto-biografia, ele declara que aos 12 anos, quando ganhou sua primeira câmera, já sonhava em se tornar fotógrafo da Vogue.
Em 1938, fugiu de seu país para escapar da perseguição nazista. Informações oficiais garantem que ele trabalhou como fotógrafo da Straits Times durante dois anos na Cingapura mas, em sua biografia, Helmut afirma ter trabalhado como gigolô. A ruptura com os pais, que exilaram-se na América do Sul, deu a Helmut um estilo de vida nômade e independente, marca fundamental de sua personalidade ao longo de toda a sua vida. Foi em Melbourne, na Austrália, que ele se estabeleceu, mas antes de servir ao exército australiano como motorista de caminhão, Helmut ficou internado em um campo de concentração junto com outros “estrangeiros inimigos”.

Linda Evangelista. Foto: Helmut Newton

Em 1946, inaugurou seu primeiro estúdio fotográfico e deu início ao seu relacionamento com a moda, tornando-se, em pouco tempo, cidadão australiano. Seu casamento veio um ano depois, quando fotografou a jovem modelo June Brunell, que viria a se tornar June Newton. Em sua auto-biografia, o fotógrafo confessa que ao convidá-la a se tornar sua esposa, alertou: “meu trabalho virá sempre em primeiro lugar”. Até a morte de Newton, em um acidente de carro na Califórnia, em 2004, June foi, além de companheira, assessora do marido, acompanhando-o em seus ensaios, sessões de fotos e viagens, sempre registrando os bastidores daquele universo. Hoje, ela atua como a grande responsável pela perpetuação de sua memória.
Retrato de Junne Newton. Foto: Helmut Newton

Autorretrato com sua esposa Junne Newton. Foto: Helmut Newton


“A fotografia de algumas pessoas é arte, mas não a minha. Arte é uma palavra suja na fotografia”

Helmut Newton

Foto: Helmut Newton

Em 1956, June e Helmut viajaram pela Europa e conseguiram um contrato de um ano com a Vogue britânica, quitado onze meses depois. Após uma parada em Paris, os dois retornaram a Melbourne, onde Helmut fechou uma nova parceria, desta vez com a Vogue australiana.
Foi em 1961 que os dois retornaram a Paris e fixaram residência em um apartamento na mesma quadra em que era sediada a Vogue francesa. O fotógrafo também colaborou com as publicações Queen e Elle, o que teve como consequência seu rompimento com a Vogue. A substituição da chefe de redação, em 1966, fez com que seu contrato fosse assinado novamente. Entre as outras revistas com as quais trabalhou estão a Playboy e a Stern.

Foto da capa: Helmut Newton

Nas imagens de Newton, as mulheres se encontram majoritariamente em situações precárias ou em atos eróticos, mas a natureza das fotos depende da interpretação de quem as observa. Um cenário comum utilizado por ele são quartos de hotel, o que muitos interpretam como retratos de relacionamentos entre desconhecidos. Outra visão usual é que, nessas imagens, Newton busca retratar o tumulto interno vivido pelas mulheres por conta dos valores da sociedade da época. Enquanto, em 1960, sua cota de participação em um mundo de homens crescia, a identidade feminina tradicional não era sacrificada, uma dualidade que Helmut expressava com imagens repletas de poder e submissão, envoltos em uma aura de sensualidade.

Vogue (USA), 1975. Foto: Helmut Newton


“Qualquer fotógrafo que afirma não ser um voyeur é ou um estúpido ou um mentiroso”

Helmut Newton
Mas o que eleva as fotografias de Newton, em sua maioria realizadas comercialmente, ao status de arte? O colunista do The Guardian Adrian Searle levantou essa questão em um artigo publicado no jornal inglês em 2001, três anos antes da morte do fotógrafo. “Após três décadas de polêmica feminista, Newton não passou dos limites? Por que suas imagens ainda são tão populares? Por que suas fotografias são arte se tudo o que ele fez foi comercial, era parte da indústria da moda?”, introduz.
Ao longo do texto, o autor conclui que o mérito de Newton está no fato de que suas representações dramáticas, sejam elas de modelos despidas ou vestidas, provocaram muito mais do que frisson: mexeram com tabus, com sexo e poder, com a complexa relação entre fotógrafo e modelo, imagem e espectador. Quando entrevistado, ele admitia sem constrangimento ser um voyeur, uma característica que, para muitos, está intrínseca na fotografia.

Autorretrato de Helmut Newton. Ao lado, sua esposa, June Newton. Foto: Helmut Newton

Muitos identificam em suas imagens qualidades usualmente encontradas na Fotografia Policial e no Fotojornalismo: luzes duras, flash forte, destaque no objeto central e escurecimento dos detalhes menos relevantes. A diferença fundamental é que os assuntos de Newton não se mostravam surpresos ao serem fotografados, pelo contrário. A consagração de sua estética fez dele, também, prolífico na fotografia de retratos. Passaram por suas lentes personalidades do cinema, do teatro e do mundo das artes, especialmente a partir dos anos 1980, quando ele colhia os frutos de seu sucesso no mundo fashion. Famosos queriam ser retratados por Helmut justamente pela carga sedutora e emocional de suas imagens.

Retrato de Madonna. Foto: Helmut Newton

Foi aos 75 anos que ele abandonou quase que por completo os cliques de cenários decadentes com modelos milionárias, pois alegava já ter fotografado nus o suficiente para mais de uma vida inteira. Em suas palavras, não tinha mais contribuição alguma para seu antigo principal assunto: “É apenas pele demais, não sobraram ideias”, afirmou, em entrevista.

“Meu trabalho como um fotógrafo de retratos é seduzir, encantar e entreter”

Helmut Newton

Retrato de Padma Lakshmi. Foto: Helmut Newton

Sua primeira exibição solo foi em 1975, na Nikon Gallery, em Paris. Um ano depois, seu primeiro livro de fotografias foi publicado, White Women. Em 1990, ganhou o prêmio francês “Grand Prix National de lá Photographie”. Depois de sua morte, suas cinzas foram jogadas na capital da qual fugiu na adolescência, Berlim, o mesmo local em que é sediada a Helmut Newton Institution. Repleta de obras e objetos pessoais do fotógrafo, o que inclui uma reprodução de seu quarto e fotografias e vídeos pessoais, o local foi fundado e é mantido por June Newton. Ao entrar no prédio, que, por sinal, trata-se do Museu da Fotografia de Berlim, a primeira coisa a ser vista são as gigantescas imagens de seu mais famoso ensaio de nus, Big Nudes, realizado em Los Angeles.
Para Zdenek Felix, curador do livro The Best of Helmut Newton (Schirmer art books on art, photography & erotics), a genialidade do fotógrafo está no fato de que ele não se cegou pelo glamour e pela máscara de pretensão que prevaleciam no mundo em que ele trabalhava e vivia. Pelo contrário, iluminou esse mundo com luzes fortes que resultaram em imagens brilhantes. Para Felix, ao contrário da maioria das fotografias de moda, as fotos registradas por Newton contém muito mais do que mostram.

Autorretrato de June Newton, codinome Alice Springs.

June Newton, Alice Springs
Em 1970, Helmut Newton não pode fotografar uma campanha para uma marca de cigarros por conta de uma gripe e enviou sua esposa em seu lugar. Mesmo sem nenhuma experiência fotográfica como profissional, June fez da sessão um sucesso e deu início, sob o pseudônimo de Alice Springs, a sua carreira na fotografia. Sob forte influência do estilo sensual dos trabalhos assinados pelo marido, em especial em seus cliques para editoriais de moda, June conseguiu criar sua identidade,  que ganhou força na fotografia de retratos. Yves Saint Laurent, Gore Vidal, Robert Mapplethorpe, Nicole Kidman e Angelica Houston são os protagonistas de alguns de seus registros mais expressivos. Desde 2005, seus trabalhos são regulamente expostos no Helmut Newton Institute.
13
jun

A composição nas Artes Plásticas e na Fotografia

Nebulosa projetada. Retrato do professor Luiz Barth. Foto: Juliano Araujo

Qual o diferencial dos melhores fotógrafos do mundo? É com esta pergunta que Luiz Barth começa sua aula sobre composição no Curso de Fotografia da ESPM-Sul. Para o professor, quando a importância da composição nas Artes Plásticas é assimilada, desvenda-se porque algumas fotografias são mais atraentes que outras tão parecidas, além de se tornar possível relacioná-las com imagens provenientes de pinturas também consagradas. Na aula em questão são expostas as regras de composição tradicionais, que vem desde os gregos e eram manipuladas com perfeição por artistas como Leonardo da Vinci, autor das duas obras mais reproduzidas da história, a Mona Lisa e a Santa Ceia. Barth afirma que este é o verdadeiro “Código da Vinci”: algumas dessas normas foram guardadas em segredo e transmitidas de forma velada durante séculos.

Mona Lisa, de Leonardo da Vinci | A Virgem e o Menino com Santa Ana, de Leonardo Da Vinci

A Última Ceia, de Leonardo Da Vinci

As duas formas de composição na fotografia
Professor e mestre em Artes Plásticas pela UFRGS, Barth iniciou a aula mostrando imagens de Annie Leibovitz dirigindo e compondo durante o making of de um ensaio e o resultado final desse trabalho. O objetivo era apresentar um tipo de composição na qual o fotógrafo faz o que Barth chama de “direção de cena”, une várias imagens de diferentes procedências em uma só. Alguns dos ensaios de Annie, como o exemplificado em aula, no qual ela relê fragmentos de clássicos da Disney com famosos atores de Hollywood, ilustram um tipo de fotografia que usufrui de pleno domínio tecnológico e de planejamento e estudo prévio: “é um tipo de foto difícil de ser feito, mas para o qual existem inúmeras ferramentas de produção e pós-produção disponíveis”, define. As imagens em questão foram fotografadas separadamente, produzidas em estúdio, com todos os elementos fotografados à parte e depois montados digitalmente.
Foto: Annie Leibovitz

Foto: Divulgação

Foto: Annie Leibovitz

Foto: Divulgação

Esse controle sobre os elementos já não é possível no fotojornalismo, por exemplo. O enquadramento correto e a composição ideal dependem do posicionamento do fotógrafo e do momento em questão. Certas vezes, é necessário esperar um movimento natural, seja ele de pessoas, da luz ou de qualquer elemento, para clicar.
Para mostrar outro tipo de fotografia, e uma outra forma de composição, foram apresentadas fotos do Hubble Space Telescope, o telescópio que foi colocado em órbita por um ônibus espacial em 1990. Por captar imagens extremamente nítidas, fez as mais detalhadas fotografias do universo de todos os tempos, muitas delas responsáveis por significativos avanços em astrofísica. Para Barth, tratam-se das imagens mais importantes da história: “Se não fosse a invenção da fotografia, nunca poderíamos ver esta nebulosa”, declarou ao apresentar aos alunos a famosa Nebulosa Carina. “Com uma foto tão ampla, existem possibilidades infinitas. Em cada uma de suas reproduções existe uma escolha de enquadramento. Céu e estrelas permitem qualquer intervenção estética, é uma escolha de composição do olhar”, explica.

Vista do satélite Hubble da Nebulosa. Foto: Nasa

As estrelas e a organização do caos
A aula seguiu com imagens de gases iluminados e nebulosas como a da Águia, a Heliz, e a mais famosa dessas imagens, Deep Field, que apresenta um conjunto de galáxias. “Há menos de um século, os conhecimentos eram restritos à nossa galáxia, nem se acreditava que existissem outras”, introduz Barth, antes de começar outro tópico da aula, referente ao estudo das estrelas ao longo dos tempos. O professor explica que faz parte da nossa estrutura cerebral não aceitar o caos, tentar e querer organizar tudo, inclusive as estrelas. Esse fenômeno da organização é uma importante parte da composição: “países e povos que não tem relação, nem contato, em tempos em que a comunicação não era como ela é hoje, estudaram as estrelas de forma semelhante”.
Desde a Mesopotâmia, o zodíaco já era identificado nas estrelas. “O prefixo ‘zoo’ vem do grego, significa animais, e os símbolos vistos nas alturas, provenientes da conexão de estrelas e seus movimentos no céu, sempre foram associados aos bichos”. Outro aspecto interessante mostrado por Barth foi o fato de que é comum para muitos povos acreditar que a constelação que está em cima, no centro do céu, tem influência na vida e no cotidiano.

Organização dos zodíacos em diferentes povos.

A forma pela forma
Depois de ilustrar a necessidade do homem de organizar as estrelas, o próximo passo foi mostrar seu anseio por construir coisas belas, começando por adornos no próprio corpo. Foram expostas fotos de representantes de tribos indígenas em ocasiões especiais, pintados, maquiados e com piercings, e uma frase de Herbert Reed, autor de “A origem da forma na arte”: “Andam nus, mas anseiam por enfeitar-se”. Foi lançada, então, uma nova pergunta: Por que enfeitar-se?
Para auxiliar (ou dificultar) na busca por essa resposta, outro exemplo primitivo foi utilizado: as primeiras ferramentas eram lascadas, depois foram polidas e, posteriormente, adornadas. Por que adornar utensílios e ferramentas? Herbert Reed explica que, neste caso, tudo faz parte de uma sequência evolucionária. A primeira, é a concepção do objeto como uma ferramenta. A segunda, a criação e o aperfeiçoamento da ferramenta a um ponto de máxima eficiência. E, por último, está o refinamento da ferramenta além do ponto da eficiência, no sentido de uma concepção da forma em si mesma. Barth completou afirmando que, de qualquer modo, a forma, quando se divorcia da função, ganha a liberdade de se desenvolver segundo novos princípios ou leis, hoje chamados de estéticos.