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Archive for abril, 2011

12
abr

“Sentimentos são muito mais interessantes do que qualquer arsenal militar.”

Fotógrafo de guerra Maurício Lima.

Registrar um conflito armado sempre traz grande risco ao fotógrafo, porque ele geralmente viaja entre os militares e pode ser confundido com um deles a qualquer momento. Mas apesar dos riscos e do cenário de horror característico das guerras, é possível encontrar militares e civis que tentam atravessar estes períodos da melhor maneira possível. E foi exatamente isso que o fotógrafo brasileiro Maurício Lima, 35 anos, retratou em sua viagem ao Afeganistão na primavera de 2010.

Foto: Maurício Lima

Trabalhando para a Agência France-Press, Lima passou 65 dias no Afeganistão e dividiu este período em duas etapas: nos primeiros 31 dias conviveu diretamente  com os fuzileiros navais dos EUA na província de Helmand, onde esteve alojado em uma barraca com oito militares e participou da rotina dos Marines, que incluíam patrulhas diárias a pé, com duração média de seis horas. Nos 34 dias restantes, ele circulou pela capital Cabul acompanhado de um motorista local em busca de histórias de vida, embora, devido ao rígidos costumes locais, não tenhaconseguido retratar mulheres.

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

Lima buscou registrar o lado humano do país arrasado pelos conflitos incessantes há pelo menos 10 anos: “Antes de vir para o Afeganistão, fiz muita pesquisa sobre os aspectos locais e culturais, o que não era nada de novo, já que esses recursos foram bem utilizados por dezenas de colegas. Eu só tentei uma abordagem diferente sobre eles. “

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

O resultado são belas imagens do dia-a-dia do país, o que lhe garantiu grande reconhecimento através do prêmio de Melhor Fotógrafo de Agência Internacional, cedido pela revista americana Time. Além disso, a publicação comparou o estilo fotográfico de Lima ao de Henri Cartier-Bresson (1908-2004): “As imagens poéticas que Lima faz parecem vir de outra época. Seu enfoque e composição remetem ao conceito de ‘Momento decisivo’ de Cartier-Bresson” destacou a Time.

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

“A idéia era explorar, o mais profundamente que eu pudesse, a riqueza do dia-a-dia das áreas ocupadas. Este lado esquecido pela cobertura dos jornais diários passou a ser um norte para o meu trabalho, especialmente em zonas de conflito. Porque sentimentos humanos são muito mais interessantes do que qualquer arsenal militar.” Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

Sobre seu método de trabalho, Lima aponta a “invisibilidade” como principal meio de se aproximar e registrar diferentes momentos, citando Cartier-Bresson, Robert Capa e James Nachtwey como inspirações. Ele ainda completa: “Observar e esperar por uma imagem distintiva é o que eu faço. É preciso ter paciência, perseverança, e mover-se rapidamente para capturar o momento”

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

Foto: Maurício Lima

1
abr

Baita Profissional traz Shanghai a Porto Alegre

Você já foi pra Shanghai? Fotografou a Torre Pérola Oriental, o impressionante sistema de trens e os coloridos luminosos à noite? Se fez isso, com certeza você chegou a cogitar – mesmo que por brincadeira – realizar uma exposição chamada Shanghai, não é? Pois o Baita Profissional, um coletivo formado por 15 fotógrafos que buscam criar trabalhos despojados, provocativos e bem humorados teve a mesma idéia, mas baseado em um proposta um tanto incomum.

A história toda teve origem quando Anderson Astor, um dos membros do coletivo e ex- aluno do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, pediu a uma amiga trouxesse dos E.U.A alguns filmes, já que possui câmeras analógicas e o preço seria bem mais em conta. Só que no aeroporto o raio-x danificou grande parte dos rolos, deixando eles sem nenhuma chance de serem utilizados. Então Anderson buscou alternativas de baixo custo na internet e chegou até um filme preto e branco chinês de qualidade e marca completamente desconhecidos, chamado – veja só –  Shanghai GP3 100. A partir daí, na contra-mão da atualidade que nos cerca com tecnologia, ele sugeriu ao Baita Profissional que  deixasse as câmeras digitais de lado e seguisse o fio condutor do projeto: fotografar qualquer tema, desde que utilizando o filme Shanghai GP3 100 que, segundo Anderson, “É um filme mediano, vale para experimentação. Pra quem gosta de lomo, por exemplo, é uma boa alternativa devido ao baixo custo”

AndersonAstor

Crédito: Anderson Astor

O resultado é a exposição Shanghai, que teve sua primeira versão apresentada em 2010 na Usina do Gasômetro e também fez parte da programação do Canela Foto Workshops, em fevereiro deste ano. Pra quem perdeu – ou quer conferir de novo – Shanghai estará no Museu de Comunicação Hipólito José da Costa (Andradas, 959) a partir de amanhã até o dia 28 de maio.

Crédito: Edy Kolts

Crédito: EdyKolts

Participam da amostra os Baita Profissionais: Anderson Astor (ex-aluno do Curso de Fotografia da ESPM-Sul), Andréa Graiz, Carlos Stein, Eduardo Aigner, Edy Kolts (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul), Fábio Del Re, Fabrício Barreto, Fernando Schmitt, Guilherme Ko Freitag, Lucas Cuervo Moura, Marcelo Cúria, Paulo Backes, Ricardo Jaeger, Tamires Kopp, Ubirajara Machado e os fotógrafos convidados Ricardo “Kadão” Chaves (Editor de Fotografia do Jornal Zero Hora), Raul Krebs (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul, Fotógrafo publicitário e ex-baterista) e Leopoldo Plentz (Professor do Curso de Fotografia da ESPM-Sul).

Crédito: Raul Krebs
Crédito: Raul Krebs

Crédito: Fabrício Barreto

Crédito: Fabrício Barreto

Crédito: Ricardo "Kadão" Chaves

Exposição Shanghai
Abertura: 01 de Abril de 2011, às 19h30
Local: Museu de Comunicação Hipólito José da Costa – Andradas, 959
Visitação: 02 de Abril a 28 de Maio de 2011, de terça à sábado, das 9hs às 18hs