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Archive for janeiro, 2011

29
jan

A importância da versatilidade

Todo o fotógrafo tem uma especialidade, ou pelo menos um interesse maior por fotografar determinado tipo de situação dentro de um gênero. Seja ele Fotojornalismo, Fotografia de Guerra, Fotografia de Moda, não importa: o importante é que, até chegar à especialização, ele passe pelos mais variados tipos de situação. É essencial que ele seja um fotógrafo versátil, que se saia tão bem diante de uma modelo dentro do estúdio quanto em um campo de futebol. A questão aqui é que, em Fotografia, versatilidade não é um dom nato. É uma característica que se conquista com vontade, com o estudo das diferentes técnicas e, claro, com uma boa estrutura.

Se o que se espera de um fotógrafo é versatilidade, não se pode exigir menos da estrutura de um estúdio onde se formam estes profissionais. Foi pensando assim que o Centro de Fotografia da ESPM-RS foi projetado: são dois laboratórios digitais e um estúdio com cobertura retrátil, que não só possibilita o uso da iluminação natural – e a vasta gama de cores que só a luz solar proporciona – como também a compensação, que é a mistura da iluminação externa com a do estúdio.

Teto retrátil possibilita proveito da iluminação natural. Foto: Juliano Araujo

Ainda sobre a vesrsatilidade, vale lembrar que pelo Centro de Fotografia já passaram nevascas, chuvas, pequenos incêndios, nuvens de fumaça, ensaios de moda, alunos de Fotografia Publicitária I e II, futuros designers da disciplina Fotografia e “Modo Cor”, amantes que integram o Clube de Foto, profissionais do próprio Curso de Fotografia e muitos outros. Em poucas palavras, o que queremos dizer é que o estúdio vem servindo aos mais diversos objetivos, com uma estrutura que oferece aos fotógrafos a possibilidade de concretizar, com segurança, suas ideias mais criativas – até mesmo aquelas que possam parecer um pouco absurdas.

Fotográfia Publicitária 2 – Título: Chuva from foto_espm on Vimeo.

Foto: Fellipe Correia e Natascha Berger

Foto: Betina Dourado, Patrícia Brodt, Paula Silvestre e Vanice Leffa

Foto: Lucas V. M. B. Silveira, Sandro Dias Selau e Vinicius H. Da Silva

Foto: Lina Maria Alves, Rubem Almeida, Thais Menegat e Vitor Souza

Foto: Petra Kling Bonotto, Cainã Bertussi Rotta, Tomaz Afonso Teixeira, José Oswald, Ana Faccioni, Luísa Peña, Gabriel Seibel e Isadora Diehl

Foto: Gabriela Guidolin Stragliotto e Hiroito Takahashi Gomes

Foto: Gabriela Rostirolla e Julia Laks

Ao todo, o Centro de Fotografia da ESPM-RS dispõe dos seguintes equipamentos: 31 câmeras Nikon de 6 modelos diferentes (D3x, D3, D80, D70s, D70, D3000); 11 tipos de objetivas, totalizando 37 unidades; 15 tripés 7302YB Manfrotto; 10 cabeças de flash Mako, 8 Soft box Mako, 2 Hazy e 1 Octosoft.

27
jan

Vivian Maier, a mais recente descoberta fotógrafa de rua

Toda a evolução tecnológica traz consequencias positivas e negativas e com a fotografia não poderia ser diferente. Ao longo dos anos as câmeras possibilitaram o surgimento de novos gêneros fotográficos, além de permitir que fotógrafos explorassem melhor seu talento e conseguissem desenvolver um estilo próprio. Consequência dessa evolução, o Street Style surgiu na metade do século XIX, mas se popularizou a partir dos anos 30 com a chegada das câmeras portáteis.

Com elas, fotógrafos como Walker Evans, Henri Cartier-Bresson, Helen Levitt, Robert Frank dentre outros contribuiram na construção do estilo. Mas recentemente o acaso fez com que mais um nome se juntasse àqueles que retratavam com maestria a vida nas ruas das grandes cidades. Em 2007 o corretor de imóveis John Maloof participou de um leilão público de antiguidades. Ele buscava por fotos que poderiam ser úteis para ilustrar um pequeno livro sobre a vizinhança de Portage Park, em Chicago. Por 400 dólares, comprou uma caixa com cerca de 30 mil negativos, mas nenhum deles foi utilizado no livro. Surpreendentemente, o material reunia fotografias do comportamento e do estilo das ruas de Chicago entre as décadas de 50 e 60. Por sorte, um dos negativos trazia uma assinatura, o suficiente para que Maloof pudesse realizar pesquisas na internet e em lojas centenárias de Chicago e assim encontrar o restante do material. A fotógrafa era Vivian Maier, que nasceu em Nova York em 1926, morou na França durante alguns anos e retornou para os Estados Unidos em 1951. Cinco anos depois, ela mudou-se para Chicago onde trabalhou por 40 anos como babá. Nos dias de folga, ela caminhava pelas ruas de Nova York e de Chicago com sua Rolleiflex. O detalhe é que ela não mostrava o trabalho para ninguém, embora sua obra contabilize mais de 100.000 imagens. Vivian faleceu aos 83 anos, sem saber que seu trabalho fora descoberto e sem conhecer muitos de seus retratos. Entre 20.000 e 30.000 negativos ainda estavam nos rolos fotográficos e foram revelados por Maloof. Ele mesmo conta a história toda no site Vivian Maier onde também é possível visualizar algumas fotos do trabalho da fotógrafa.Quem estiver no Estados Unidos, poderá visitar a exposição “Finding Vivian Maier: Chicago Street Photographer” que estará no Chicago Cultural Center até abril.

Auto Retrato, Vivian Maier

Vivian Maier

Vivian Maier

Vivian Maier

21
jan

O verdadeiro e o falso na fotografia: uma discussão histórica

Muito se fala das tensões entre fotografia e manipulação, do limite entre o real e o falso. E a impressão que se tem é de que esses conflitos surgiram há pouco, ou estão mais evidentes hoje devido às possibilidades da computação. No entanto, debates que giram em torno do uso do Photoshop no âmbito da publicidade ou no fotojornalismo tem raízes bem mais antigas.

No ensaio “Passagens da Fotografia”, o fotógrafo e pesquisador Antonio Fatorelli demonstra que essas tensões acompanham a fotografia desde seu nascimento. Para ele, duas tendências claras atravessam a história: enquanto os puristas sempre defendem a fotografia como forma de arte autônoma, relativa ao que existe na natureza, os pluralistas permanecem abertos às influências da pintura e de outras formas de expressão.

Um bom retrato dessa cisão está na rixa de dois cientistas e fotógrafos ainda do século XIX. Peter Henry Emerson divulgava a fotografia direta, espontânea, que buscasse revelar a mais verdadeira impressão da natureza. Atrás da perfeição, foi procurar no campo da fisiologia as respostas para entender os fenômenos visuais e as deficiências que impedem que o olho tenha uma percepção ideal. Seu opositor, Henry Peach Robinson, preferia usar procedimentos artificiais, como encenações em estúdios ou montagens obtidas no laboratório fotográfico – que alcançaram muito sucesso entre 1860 e 1880. Seu objetivo, no entanto, era aumentar a verossimilhança da imagem através do maior controle sobre seus elementos individualmente fotografados e depois unidos, chegando assim a um registro idealizado do tema que pautava cada foto. Coerentes com a realidade mas inexistentes na natureza como ela se apresenta, as obras de Robinson anunciaram uma certa flexibilização do olhar fotográfico e, na opinião de Fatorelli, anteciparam as encenações teatrais e instalações realizadas por artistas de hoje.

Peter Henry Emerson (1856-1936)

Henry Peach Robinson (1830-1901)

O legado de Emerson, que considerava Robinson um pretensioso, também foi longe: lançou as bases do que seria posteriormente nomeado de imagem direta e pura. Durante a década de 1920, o crítico, editor, dono de galeria de arte e produtor Alfred Stieglitz difundiu as ideias de Emerson nos EUA e deu continuidade a esse movimento. Como fotógrafo, produziu séries de fotografias sobre os meios de transporte, a paisagem urbana e as nuvens. E embora tecnicamente elas se encaixassem no formato documental, Stieglitz dava um passo adiante, pois atribuía às imagens um valor metafórico.

Em oposição a ele, estava o artista Man Ray, famoso pela inquietação criativa. Dedicou-se intensivamente ao trabalho de laboratório, investigando a natureza física e química do processo fotográfico e inovando com seus fotogramas (imagens tomadas diretamente da sombra dos objetos dispostos sobre um suporte sensível, sem usar uma câmera ou lentes) e com a técnica da solarização (série de fotografias obtidas nos anos 30 com o acender e o desligar da luz do laboratório durante a revelação do negativo ou da cópia fotográfica, o que gera um halo luminoso ao redor das figuras). Man Ray era familiarizado com muitos meios – pintura, foto, cinema – e além de circular bem entre eles, também envolvia-se com diversos movimentos artísticos, como o dadaísmo e o surrealismo. Suas fotos perseguiam uma poética do inconsciente, na fronteira entre realidade e sonho. Havia, na sua acepção, “melhores coisas a fazer na vida do que copiar”.

Man Ray (1890-1976)

Se, por um lado, a fotografia híbrida de Man Ray se opõe à fotografia pura e direta de Stieglitz, elas também se complementam. Atualmente, Fatorelli aponta dois fotógrafos contemporâneos que levam adiante essa polarização. O francês Alain Fleischer trabalha no limite entre fotografia e instalação fazendo projeções em superfícies diversas como paredes de prédios, espelhos e objetos tridimensionais. Enquanto isso, Joel Meyerowitz se alinha com a tradição da fotografia clássica. Produz fotos através do processo Day-Transfer – que possibilita amplo controle dos tons da imagem e longa permanência das cópias –, realizadas com equipamento de grande formato, filmes de última geração e controle meticuloso do processamento. Suas imagens “diretas” respeitam as imposições do ambiente, utilizando ainda somente materiais fotográficos convencionais.