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Archive for dezembro, 2010

24
dez

Boas festas!

22
dez

Raul Krebs aponta seus recantos favoritos na internet

Você já deve ter pousado os olhos numa fotografia do Raul Krebs, talvez até sem saber. Somente neste mês, você pode ter visto a série de retratos dedicada ao Internacional (publicada em Zero Hora e assunto de entrevista no Blog da Escola de Criação) ou a capa da revista Norte, com o retrato do historiador Carlo Ginzburg, por exemplo. Antes dessas fotos, vieram muitas outras ao longo de mais de 14 anos atuando no mercado publicitário brasileiro, sem falar nos trabalhos autorais, na moda e outros campos. Para construir uma trajetória assim, só mesmo com muitas referências. E é isso que ele compartilha conosco hoje: os endereços mais bacanas na internet, na opinião de Raul Krebs.

blogdajosefina.wordpress.com

Foto: Raul Krebs / Estúdio Mutante

“É um blog ativo demais, sempre tem novidade. Tende a ser mais de fotografia porque o seu dono é um grande fotógrafo de jornalismo, mas acaba metendo o bedelho em tudo. Feito na Espanha por um brasileiro gente finíssima, o Claudio Versiani.”

www.oesquema.com.br

“Reúne cinco blogueiros muito bons, especialmente o Mini e o seu inspirado Conector”.

www.laryff.com.br

“É um blog de notícias esquisitas e engraçadas (mas nem por isso pouco importantes) do Ryff, um jornalista bacana e irônico. Noticias que divertem a gente, uma boa saída para momentos estressantes do cotidiano.”

www.dpreview.com

“É o melhor lugar pra procurar infos de tudo que é tipo de câmera digital e, até onde sei, bastante confiável.”

www.lapp-pro.de

“Light Art Performance Photography. O título diz tudo, só não diz que é genial. Mas daí digo eu: o site e as fotos que ali estão são muito, muito bacanas. Grande fonte de pesquisa no light painting digital.”

20
dez

A vida como fotógrafo de natureza

O fotógrafo Zé Paiva durante Master Class de foto de natureza na Escola de Criação

O fotógrafo Zé Paiva durante master class de fotografia de natureza no Curso de Fotografia (Crédito: Juliano Araujo)

Depois de dar uma olhada nas imagens que o fotógrafo Zé Paiva anda produzindo, você talvez tenha se perguntado como ele viabiliza esse tipo de trabalho. Por trás de cada foto há uma trajetória extensa, uma vida dedicada à fotografia. Tudo começou em 1984, quando após uma longa viagem pela Europa e pelo Norte da África, Paiva trocou a engenharia pela fotografia. Mudou-se para Florianópolis, onde mora até hoje e dirige seu estúdio. Entender a vida dele, que é professor da nossa master class dedicada ao assunto, é compreender melhor os desafios e as recompensas vinculadas ao exercício da fotografia de natureza:

Como e quando você despertou para a fotografia?

Desde criança eu tinha um interesse pela fotografia, por volta dos 11 anos eu assumi o papel de fotográfo das viagens familiares. Era uma brincadeira. Na época que eu entrei para Engenharia, a foto passou a ser um hobby. Eu ganhei uma câmera Reflex e comprei livros, li sobre técnica.

Você trocou a engenharia pela fotografia após uma longa viagem pela Europa e Norte da África. Qual foi a transformação que se operou em você durante essa viagem?

Quando eu fui viajar, eu comprei outra lente pra câmera e durante a viagem eu fotografei com mais intensidade. A viagem durou quase o ano de 1983 inteiro. Quando voltei, eu já tinha decidido sair da engenharia, então eu experimentei outros trabalhos. Um pouco motivado pelos comentários dos amigos que elogiavam as fotos da viagem, eu comecei a pensar na fotografia como possibilidade profissional. Em 84, consegui um estágio na sucursal gaúcha do jornal O Globo e ali comecei a ter uma relação mais profissional com a fotografia. Pra mim, a foto até então era um hobby, algo que eu gostava muito de fazer, mas amadoristicamente.

Houve uma outra reviravolta na sua vida, quando você deixou de trabalhar com publicidade. Como foi a transição da foto publicitária para a foto de natureza?

A foto publicitária exige muita qualidade, tu consegues trabalhar a iluminação no estúdio. Por muitos anos eu gostava do que eu fazia, era uma novidade. Mas eu fui cada vez mais vendo os pontos negativos da publicidade, o grande ego de muitos que trabalham no meio… os prazos, a correria, o estresse. Eu me desafiei a redescobrir o prazer na fotografia.

Enquanto eu trabalhava com publicidade nos dias úteis, no final de semana eu pegava o equipamento e viajava, fazia trilhas para realizar minhas fotos. Até que eu senti a necessidade de colocar o trabalho autoral em primeiro lugar.

E como você fez isso?

É bem complicado porque não pode ser uma guinada repentina, se tu vives da fotografia, tem que ser uma coisa gradual, primeiro tu tens que encontrar alternativas de ganhar dinheiro com foto de natureza. Isso até hoje é um desafio para mim.

Eu fui aprender como viabilizar projetos, todo o processo de planejar, aprovar em lei de incentivo. É um aprendizado longo e árduo. Eu nunca fiz um curso, aprendi errando, recebendo dicas, e demorei muito tempo até viabilizar o primeiro projeto.

O que um profissional precisa ter/saber para ter sucesso e trabalhar com fotografia de natureza?

Natureza é um tipo de especialidade que não é frequente. Mesmo pra mim que estou alguns anos no meio, ser contratado para fazer um trabalho nesta área é muito difícil. Tu não podes ficar esperando te contratarem pra fotografar natureza. Quem já tem um trabalho nessa área têm que desenvolver várias alternativas. Uma delas é projeto de livros, de exposição. Outra opção é sugerir pautas para revistas e jornais. Tu também podes trabalhar com bancos de imagens, onde tu colocas as fotos pra vender. Só que foto de natureza vende muito pouco, muito menos do que fotos de referência geográfica e turística.

O fotógrafo de natureza dificilmente vai trabalhar exclusivamente com natureza. No Brasil deve ter pouquíssimos fotógrafos que vivem só de foto de natureza. Minhas viagens de férias são pra lugares que tem natureza. Há pouco eu fui pra Austrália e para Bali visitar o meu filho e acabei visitando parques e fazendo programas ao ar livre. Depois vendi uma matéria sobre uma parte dessa viagem. É assim, hobby e trabalho se misturam.

Como o fotógrafo que trabalha em ambientes externos lida com o relativo descontrole que ele tem sobre a luz?

Quem trabalha exclusivamente em externa tem que ter o cuidado de planejar, eu sempre olho previsões de tempo de várias fontes diferentes. Mesmo assim não existe não existe luz ruim ou tempo ruim. Num dia de sol é mais fácil encontrar situações legais, mas dias nublados também rendem ótimas fotos. Às vezes uma garoa pode te dar fotos muito legais como uma floresta cheia de gotas d’agua. Dentro de uma floresta é até melhor fotografar no dia nublado porque o dia de sol dá contraste excessivo.

Qual a maior saia justa em que você já se meteu?

Quando eu estava fazendo as fotos para o livro Natureza Gaúcha teve um caso trágico. Eu estava em São José dos Ausentes e na pressa para fotografar o pôr-do-sol no Cânion Montenegro eu esqueci minha mochila com lap top numa agência do Banco do Brasil. Eu só me dei conta quando voltei para a pousada para descarregar as fotos. Aí eu me desesperei, eu tinha 10 dias de trabalho no lap top e não tinha feito backup de nada. Voltei correndo ao banco e a mochila não estava mais lá. Aí passei 3 dias procurando a mochila, anunciei na radio da cidade, nos autofalantes da igreja (se escuta na cidade toda), peguei um brigadiano e investiguei quem poderia ter visto. Fiz tudo imaginável, ofereci recompensa e depois de 3 dias, quando eu estava perdendo as esperanças, ligou um guri de Caxias do Sul falando que ele tinha pego a mochila, e que ele não era ladrão, estava arrependido e queria devolver. Mas foi uma novela, durante três dias eu considerei muitos suspeitos.

Você já viajou para muitos países. Qual o lugar que mais marcou?

Aqui no Brasil tem um lugar que eu acho fantástico, não tem como tu ir lá e não ficar impressionado: a trilha do Rio do Boi. Ela vai por dentro do Canion Itaimbezinho, que é o mais vertical de todos na região. Em um momento tu te encontra no meio de dois paredões de 800m de altura. E além disso tem muitas cachoeiras, piscinas naturais. Nossa, é muito lindo, marcante.