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Childrens of Dust: Eric Valli e a fotografia antropológica

Já falamos aqui e aqui sobre Eric Valli e sua abordagem antropológica da fotografia. Sua relação com a ciência social, aliás, vem da maneira intuitiva, íntima e nada etnocêntrica com que se envolve com as pessoas e lugares que visita, incorporando sempre os modos e a cultura locais como forma de melhor compreendê-los e, por consequência, retratá-los.  Se nas postagens anteriores mostramos sua documentação de diferentes tipos de colheitas do mel no Himalaia, hoje mostramos outro de seus mais emblemáticos ensaios: Childrens of Dust, segundo colocado no World Press Photo de 1988. “Filhos da poeira”, em tradução literal, mostra a rotina de crianças indianas trabalhando na construção de tijolos em uma olaria.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

“Meu ofício poderia ser definido como um construtor de pontes entre os homens. Os homens têm diferentes religiões, peles, culturas… mas os ossos são os mesmos. Não importa onde você está, as mesmas coisas te fazem rir. Somos iguais, mas viemos em diferentes caixas”.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

Eric Valli nasceu em Dijon, França, no ano de 1952. A forma pessoal com que  faz fotojornalismo vem do fato de que o próprio se define primeiro como um viajante, e apenas depois como fotógrafo. No cinema, terreno em que se aventura com sucesso, também tem como objetivo prioritário levar as histórias que encontra a outras praças. Para ele, esses são os meios que descobriu para dar um testemunho sobre as regiões surpreendentes que conhece, mas não se tratam de sua principal paixão. “Minha motivação é viver e conhecer pessoas… e depois vem a imagem”.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

A entrada de Valli no meio fotográfico se deu por acaso, quando aos 21 anos vivia no Himalaia, “perdido” (nas palavras do próprio), e mostrou suas imagens para alguns de seus amigos, que insistiram que ele as apresentasse a algum editor. De lá para cá, já possui mais de 15 livros publicados. Sua primeira câmera veio um pouco antes, aos 17 anos, como presente de seu pai, um pintor. Em entrevista publicada no site quesabede.com em 2006, o fotógrafo ainda se mostrava alheio à tecnologia digital. Seu equipamento permanecia uma velha Leica munida de Kodakchrome ou Ektachrome. “E quando a Kodak parar de fabricar filmes fotográficos?”, indaga o entrevistador. “O meio não importa, o que importa é que a foto transmita emoção e seja boa”, constata Valli.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

A revista australiana Smith publicou um perfil do fotógrafo quando, depois de anos na estrada, ele estabeleceu-se na capital francesa para se dedicar a trabalhos comerciais. A introdução tem tom dramático: “depois de uma vida nômade, escalando penhascos, vencendo doenças e tirando fotografias nos cantos mais solitários do planeta, o legendário Eric Valli só pensa se sobreviverá à vida em Paris”.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

Eric Valli e a extração de mel no Himalaia, parte 2

Em sua expedição ao Himalaia, que durou mais de 20 anos, o fotógrafo e cineasta francês Eric Valli teve a chance de acompanhar diversos povos desta região de extensas cordilheiras. Um deles é o Raji: uma comunidade originária de Uttarakhand, na Índia.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

O estilo de vida nômade da comunidade Raji atraiu o interesse de Eric Valli desde que ele passou a viver no local, em 1973. Familiarizado com a cultura desse povo, o fotógrafo documentou as expedições de um grupo de aventureiros Raji que escalava árvores altíssimas na floresta Terai, em áreas planas do Nepal, próxima à Índia. Cerca de duas vezes ao ano, alguns membros da comunidade realizam a perigosa tarefa de colher o mel, ganha-pão da comunidade.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

Como abordamos neste post, Eric Valli também registrou o trabalho da comunidade Gurung, habitante do Nepal. A busca dos Raji pelo mel das abelhas gigantes é semelhante à desta comunidade. Porém, o mel encontrado pelo grupo nepalês é extraído das imensas falésias locais, enquanto os Raji o colhem dos galhos das árvores. Trata-se de uma prática arriscada que envolve equilíbrio em estruturas feitas de cordas de bambu para subir até as copas.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

O pequeno grupo de caçadores de mel possui um líder, que descreveu sua atividade de forma simples e direta a Valli: “Quando as pessoas da cidade sentem fome, elas vão a um supermercado; quando nós sentimos fome, nós vamos à floresta”. O convívio com a comunidade nômade rendeu, além deste ensaio intitulado “Jungle Nomads”, o documentário “Jungle Nomads of the Himalayas”, lançado em 2003.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

A colheita de mel no Nepal, por Eric Valli

Autorretrato. Foto: Eric Valli.

É possível que o fotógrafo e cineasta francês Eric Valli seja umas das pessoas que melhor conhece o Himalaia sem ser um nativo da região. Em 1973, quando chegou à mais alta cadeia montanhosa do mundo, ele se envolveu profundamente com as comunidades localizadas em sua parte Nepalesa, vivendo com elas por quase 20 anos. Único ocidental a passar tanto tempo nas montanhas, Valli incorporou todos os hábitos dos nativos, de comidas a vestimentas, e, entre os ensaios que produziu, registrou o cotidiano da população que colhia mel das imensas falésias locais.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

Extrair o mel das abelhas gigantes que habitam as montanhas é algo que o povo de Gurung, do Nepal, tem feito de geração a geração há cerca de 12 mil anos. Neste cenário de altos penhascos, Valli capturou a aventura da extração de mel usando uma pequena câmera Leica. Reportou para a revista National Geographic na edição de novembro de 1988.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

O fotógrafo e sua esposa passaram dois anos peregrinando em busca do mestre caçador de mel. Encontraram-no em 1987, prestes a aposentar-se, mas disposto a ser documentado por Eric Valli em sua última jornada. O acesso ao mel é arriscado, pois as abelhas fabricam suas colmeias longe do solo. A abelha que produz o mel do Himalaia (Apis Dorsata Laboriosa), além de ser a maior que existe, também é a que constrói o maior favo, que pode medir até um metro quadrado e conter cerca de 60 quilos de mel. Escalando escadas feitas de bambu, apenas nove habitantes do povo Gurung são autorizados  a enfrentar a fúria dessas abelhas em altitudes que chegam a ultrapassar 4 mil metros de altura. Extrair mel é um direito adquirido por herança paterna.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

Em 1987, Eric Valli ganhou três vezes o prêmio World Press Photo. Um deles, por esta série de fotografias sobre a busca ao mel, publicadas sob o título “Honey Hunters of Nepal” (“Caçadores de Mel do Nepal”, na tradução literal). A jornada, inclusive, rendeu um documentário chamado “Himalaya”. Produzido e dirigido por ele, o longa concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2000.

Eric Valli nasceu em Dijon, França, no ano de 1952 e virou fotógrafo aos 19 anos, na sua primeira viagem ao Afeganistão. Fotografou para as revistas National Geographic, Geo, Life, Paris Match, Smithsonian e outras, além do jornal Sunday Times.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.