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18
mai

A visão do alto de Alex MacLean

 

Retrato de Alex MacLean

 

Ao explorar perspectivas aéreas, o fotógrafo norte-americano Alex MacLean apresenta um mundo de formas no limiar da abstração. Construções, ruas e estradas convertem-se em linhas, pontos, círculos, retângulos, losangos que compõem imagens por vezes semelhantes a pinturas.

 

 

 

Chama ainda mais atenção a técnica empregada pelo fotógrafo, conforme matéria da revista Wired: pilotando um Flight Design CT de dois assentos, ele realiza manobras de 45 graus, circundando a área escolhida para a captura e fotografando pela janela esquerda da aeronave. MacLean leva consigo duas câmeras e cinco lentes que variam de 27 a 400 mm.

 

 

 

Embora também fotografe paisagens rurais, percebe-se um forte interesse de MacLean por questões em torno das cidades, especialmente em relação a forma como o planejamento urbano configura áreas residenciais.

 

 

 

O olhar irônico e o ponto de abstração que se revelam nas imagens remetem às fotografias de Andreas Gurski. Assim como o fotógrafo alemão – nas imagens de um supermercado ou da Bolsa de Valores do Kuwait, por exemplo –, MacLean nos mostra um mundo um tanto surreal e abre possibilidades para pensarmos sobre o tempo em que vivemos.

 

 

11
mai

Estudo de Caso: Kadão sobre André Liohn

Retrato de André Liohn.

Não é exagero dizer que a rotina de trabalho de André Liohn se dá em uma corda bamba, com a vida de um lado e a morte de outro. Fotógrafo de guerra, cobre alguns dos mais brutais acontecimentos do mundo. Um deles, a mais sangrenta rebelião da Primavera Árabe, na Líbia, rendeu a ele o Robert Capa Gold Medal, um dos mais conceituados prêmios de fotografia, o principal no gênero em questão. O brasileiro de Botucatu (SP) foi o primeiro latino-americano a receber a honraria, instituída em 1955.

Foto: André Liohn.

Foto: André Liohn.

Foto: André Liohn.

A série de imagens premiada reúne 12 fotos tiradas em Mistrata, cidade sitiada por tropas do ditador Muamar Kadafi durante dois meses, entre março e abril de 2011. Na cerimônia, Liohn declarou que a ampliação da visibilidade de seu trabalho o daria mais chances de ajudar o povo líbio, seu objetivo essencial. Para o fotojornalista e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Ricardo Chaves, o Kadão, o que mais chama a atenção no profissional é seu discurso, muito mais político do que voltado à fotografia. “Antes de receber o prêmio, ele declarou nem saber direito quem era Robert Capa, o que eu achei espantoso. Sua característica mais marcante é o engajamento político, social e pessoal, não a fotografia”, opina.

Foto: André Liohn.

Foto: André Liohn.

O próprio Liohn confirma essa postura. Manifestou interesse pelo ofício aos 6 anos, mas só aos 30 teve condições de começar a fotografar. Queria apenas um meio de expressar sua revolta, que começou na infância pobre e permanece até hoje. Nas palavras dele, tratou-se de uma desculpa para poder participar e opinar sobre o que está acontecendo. “Cresci em uma sociedade, em Botucatu, em que todos já eram sentenciados a ser algo específico. Se eu fosse nada, seria nada para sempre”, contou, em entrevista ao programa Roda Viva.

Foto: André Liohn.

Foto: André Liohn.

Foto: André Liohn.

Uma das imagens premiadas causou polêmica: foi tirada durante uma filmagem, um recurso atual bastante comum nas câmeras de última geração. Não se trata de um frame do vídeo, e sim de um clique feito durante a captação. Para Kadão, isso fortalece o fato de que suas fotos são boas, mas dentro do discurso, são secundárias. Liohn não quer tirar uma fotografia, quer contar uma história. “Ela deve ter início, meio e fim — e claro que o filme é melhor para isso”, confirmou. Kadão também valoriza o fato dele utilizar as novas tecnologias de forma inteligente e espontânea. “Poder escolher os melhores momentos e não precisar deixar de filmar para fotografar deve ser prazeroso e estimulante”.

Foto: André Liohn.

Foto: André Liohn.

Kadão reforça que os fotojornalistas convivem muito com a morte em seu cotidiano, o que é maximizado na Fotografia de Guerra, e conta que quanto pior a situação, mais difícil é fazer esse trabalho — o próprio Liohn mais de uma vez cobriu conflitos de forma autônoma. “Ninguém quer bancar. Quando a coisa aperta, a imprensa retira seus repórteres. Restam os freelancers”, lamenta. Ainda de acordo com o professor, esse trabalho precisa existir, mesmo com toda a dificuldade: “O fotógrafo de guerra é uma espécie de médico legista da sociedade. Chega muito perto do que há de mais horrível. Seu trabalho é péssimo, mas alguém deve fazê-lo”.

Foto: André Liohn.

Foto: André Liohn.

4
mai

Steve McCurry e a busca pelo sublime

Retrato de Steve Mccurry.

“Busco o momento de descuido, quando a alma aflora, quando se registra a experiência gravada no rosto de uma pessoa. Trato de transmitir o que supõe ser essa pessoa, uma pessoa aprisionada em uma paisagem mais ampla, que poderíamos chamar a condição humana”
Steve McCurry

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Um dos principais nomes da fotografia contemporânea, Steve McCurry já foi pauta do blog por diversas vezes. Em uma dessas postagens, mostramos alguns dos mais emblemáticos retratos do autor da mais famosa capa da National Geographic. Na coleção de imagens contempladas nesse post, entretanto, voltamo-nos a alguns registros do continente asiático, um de seus assuntos prediletos. É de países como India – que o fotógrafo visitou nada menos que 75 vezes -, Sri Lanka, Miamar e Nepal que se originam todos eles.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Mesmo após quase 100 visitas à Índia, McCurry afirma sentir que apenas “arranhou a superfície” e permanece sua busca por boas histórias – muitas delas chegam de forma surpreendente. Um exemplo é a emblemática imagem de uma pedinte com um bebê no colo feita no trânsito, pela janela, em 1994. O fotógrafo relembra seu desconforto ao clicar, do conforto do carro alugado, ambos encharcados sob a chuva.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Se durante os anos 1990, trabalhando para a National Geographic, focou-se nas belezas do Sri Lanka e em suas contínuas tensões étnicas, nos anos 2000, procurou dar às imagens um viés diferente. Após a devastação do Tsunami de 2004, surpreendeu-se com a forma como a tragédia aproximou as pessoas em sua determinação de reconstruir o país destruído. E essa energia que transparece nas fotografias que fez da ilha nos últimos anos.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Em 1994, quando a demanda por roupas baratas no Ocidente já era insaciável, McCurry retratou uma gigante fábrica na Birmânia, com sua assustadora demanda de trabalho. A imagem materializa a sensação do fotógrafo de que as costureiras faziam parte de uma imensa máquina, acentuada pelas camisas cor-de-rosa que eram obrigadas a vestir.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Para a foto de um menino correndo em Jodhpur, na Índia, McCurry conta que ficou encantado com a luz de uma ruela ao entardecer, repleta de cores e tons de azul. Parou por ali e começou a clicar as pessoas passando, esperando pelo momento perfeito. Sua foto predileta foi a do menino pelo fato de que, em suas palavras, ele está “voando”: tem os dois pés acima do chão.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.