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22
jun

Nick Knight: ampliando as fronteiras visuais de moda

 

 

Um rápido olhar para as fotos de Nick Knight é suficiente para se ter noção de como seu trabalho se destaca na fotografia de moda. Não é à toa que suas imagens dão a cara de campanhas de marcas como Dior, Swarovski, Levi Strauss, Calvin Clein e Yves Saint Laureant. Além disso, nomes ilustres como Yohji Yamamoto, John Galliano e Alexander McQueen já foram clientes de Knight, considerado um criador que ampliou as fronteiras visuais da moda. No post de hoje, vemos suas cores vivas, figuras misteriosas e formas inusitadas.

 

 

Em entrevista à revista Ponystep, o fotógrafo fala sobre o ambiente que o inspirou no início de sua carreira. “Me pareceu tão fascinante o mundo da moda internacional nos anos 1980, tão diferente de tudo que qualquer pessoa estava vendo, que eu achava uma pena apenas seis pessoas em uma sessão de fotos poderem ver o que estava acontecendo”, lembra.

 


“Naomi Campbell tinha 16 anos na época, e Prince havia lhe dado uma fita de seu novo álbum. Então ela veste uma jaqueta escarlate incrível de Yohji Yamamoto… e o jeito como ela se move! Pensei: tanta gente deveria ver isso, porque é uma incrível obra de arte, moda, teatro, como você queira chamar”, completa Knight.

 

 

O fascínio pelo mundo da moda, no entanto, é acompanhado por uma postura crítica do fotógrafo em relação às noções hegemônicas de beleza. “Meu objetivo sempre foi forçar os limites do que é e não é belo”, conta o fotógrafo ao jornal britânico The Independent.

 

 

 

 “Ao invés de ser ampliada, nossa percepção de beleza se torna cada vez mais estreita. Para fazer dinheiro, a indústria gradualmente se limita ao mínimo denominador comum. No visão de quem lidera as grandes empresas, qualquer coisa que fuja ao ordinário vai assustar as pessoas. Mas qualquer um que tenha cérebro sabe que é a estranheza e imperfeição de uma pessoa que atrai as demais”, defende o fotógrafo.

 

 

15
jun

Frederick Sommer (1905 -1999), um artista entre a imaginação e a disciplina

Retrato de Frederick Sommer.

Em sete décadas de carreira, Frederick Sommer (1905 – 1999) criou pinturas, desenhos e colagens, bem como um número relativamente pequeno, mas de excelente qualidade, de fotografias. Inicialmente atraído pela fotografia de paisagens, inclinou-se posteriormente para o registro de formas abstratas, abusando de técnicas experimentais como colagem, sobreposição, superexposição, distorção e manipulação de negativos. De acordo com o próprio, seu objetivo com essas imagens era mostrar as conexões entre as formas do universo, em constante mudança, e reforçar a importância da imaginação dentro da prática artística.

Foto: Frederick Sommer.

Foto: Frederick Sommer.

Nascido na Itália e criado no Brasil, onde expôs alguns de seus desenhos na adolescência, Sommer viajou para os Estados Unidos em 1925 para estudar Arquitetura e Paisagismo na Cornell University. Em 1930, foi diagnosticado com tuberculose e viajou para realizar o tratamento. Confinado em um centro de recuperação na Suiça, passou a estudar Arte e Filosofia, interessando-se, também, por Fotografia. Quando retornou ao país, estabeleceu-se em Prescott, no Arizona. Tornou-se cidadão americano em 1939.

Foto: Frederick Sommer.

Foto: Frederick Sommer.

Em 1935, influenciado por Alfred Stieglitz e Edward Weston, que se tornariam seus amigos, começou a levar a prática fotográfica à sério. Seus cliques idiossincráticos de objetos cotidianos mergulhados na podridão têm não apenas elegância formal, mas profundidade psicológica. Para muitos, suas imagens são marcadas por essa beleza fora do comum combinada com uma abordagem filosófica — muitas vezes até mesmo com um toque de humor. Por casarem seu brilhantismo técnico com sua imaginação surrealista, as fotografias de paisagens do Arizona, onde trabalhou em completo isolamento, são consideradas sua mais pessoal criação — além de estarem entre suas obras mais famosas. Sem marcadores de escala, esses registros panorâmicos são como intermináveis e imensuráveis extenções de espaço.

Foto: Frederick Sommer.

Foto: Frederick Sommer.

Mesmo sem muita experiência no campo dos retratos, Sommer não perdeu a oportunidade de fotografar a jovem menina Livia no verão de 1948, dando origem a uma de suas mais famosas obras. Para compor a imagem, posicionou-a em frente a um painel revestido com material orgânico seco, criando um constraste entre a rusticidade do material e a ternura angelical da modelo. O olhar de Livia sugere que Sommer se levantou antes da exposição. Embora ela tenha permanecido imóvel, seus olhos o seguiram. Outra de suas mais famosas imagens é, também, um retrato, mas repleto de experimentalismo. Para registrar a essência do artista e amigo, Marx Ernst, Sommer sobrepôs dois negativos em uma única folha.

Livia. Foto: Frederick Sommer.

Marx Ernst. Foto: Frederick Sommer.

O fotógrafo gaúcho Felizardo Furtado trabalhou com Sommer nos Estados Unidos em 1984. Da experiência, trouxe não apenas sua conhecida necessidade de excelência, mas intenso aprendizado intelectual. Em um dos textos publicados em sua coluna na revista Aplauso, Felizardo conta que o fotógrafo possuia uma ótima teoria: “A arte não é arbitrária. Uma grande pintura não surge por acidente. Não aparece por sorte. Nós somos sensíveis às tonalidades. A mínima modificação da tonalidade afeta sua estrutura. Algumas coisas ficam melhor grandes, mas elegância é a representação das coisas em suas mínimas dimensões”. Essas observações se referem ao perfeccionismo de Sommer no laboratório fotográfico, que Felizardo afirma ter absorvido no período em que conviveu com ele.

Foto: Frederick Sommer.

Foto: Frederick Sommer.

Sua reputação cresceu na década de 1950, auxiliado por amigos como Ernst, Aaron Siskind, Edward Steichen e Minor White, que mostraram seu trabalho em praças importantes como The Museum of Modern Art (MoMA), Institute of Design de Chicago e a revista Aperture. Sommer teve uma carreira docente ativa, lecionando no Institute of Design e em Prescott College. Depois de se aposentar, permaneceu trabalhando em uma grande variedade de mídias até um ano antes de sua morte, em 1999.

8
jun

Peter Van Agtmael, um fotógrafo americano

Retrato de Peter Van Agtmael

O fotógrafo da Magnum Peter van Agtmael se vê como um “documentarista da América moderna”. Aos 31 anos, já era um veterano repórter das guerras no Iraque e no Afeganistão, mas não tinha interesse em se tornar propriamente um fotógrafo de guerra. Seu trabalho, como mostram as imagens presentes nesta seleção, também enfatiza a “guerra em casa”, os efeitos que esses conflitos têm em seu país natal e a realidade pouco mostrada dos Estados Unidos.

Foto: Peter Van Agtmael

Foto: Peter Van Agtmael

“Minhas fotografias são principalmente sobre contradições, a coexistência simultânea e infinita entre beleza e destruição, amor e ódio.”
Peter Van Agtmael  

Foto: Peter Van Agtmael

Foto: Peter Van Agtmael

Van Agtmael tornou-se membro pleno da Magnum Photos no ano passado, mas já integrava o plantel da agência desde 2008. Nascido em 1981, graduou-se em História na Yale University em 2003. Depois de se formar, já decidido pela fotografia, passou um ano na China com uma bolsa da Charles P. Howland Fellowship fotografando os efeitos da construção da Hidrelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo. Tornou-se oficialmente um fotógrafo freelancer no fim de 2004.

Foto: Peter Van Agtmael

Foto: Peter Van Agtmael

Como muitos de seus contemporâneos, após o 11 de Setembro sentiu-se compelido a cobrir os esforços de guerra dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão. Mas assim que começou seu trabalho, viu a percepção que tinha do mundo perder completamente o sentido. “Muitas das minhas crenças se provaram equivocadas, e eu comecei a questionar de onde elas tinham surgido, como tinham se enraizado tão fortes em mim”.

Foto: Peter Van Agtmael

Foto: Peter Van Agtmael

Crente no poder do fotojornalismo em zonas de conflito, e principalmente da imprensa como um todo, trabalhou por seis anos com foco nessas guerras, construindo sua assinatura e sentindo sua rotina como “sedutora e também um pouco viciante”. Quando começou a sentir suas fotos se repetindo, saiu da zona de combate. Queria viver uma longa vida, afirma.

Foto: Peter Van Agtmael

Foto: Peter Van Agtmael

Van Agtmael já ganhou inúmeras distinções por sua obra. Em 2008 ajudou a organizar o livro Battlespace (2008), um compilado do trabalho inédito de 22 fotógrafos no Iraque e no Afeganistão. Um ano depois, publicou o celebrado 2nd Tour Hope I don’t Die (2009). As fotos presentes neste post são de sua série de ensaios chamada USA, dividida em American Days, American Nights, American Interiors.

Foto: Peter Van Agtmael

Foto: Peter Van Agtmael