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2
dez

Brenda Biondo: paisagens do oeste norte-americano

 

 

A série Remnants & Revival [Remanescentes e revitalização], da fotógrafa norte-americana Brenda Biondo, busca inspiração na tradição de documentação do oeste norte-americano no século 19, antes da chegada massiva dos colonizadores europeus, como também nos fotógrafos que, ao longo do século 20, acompanharam as relações entre homem e natureza na região.

 

 

 

 

As imagens da série mostram áreas com plantas remanescentes e locais onde há esforços para a recuperação de ecossistemas. “Tendo escrito sobre assuntos ambientais por nove anos, como jornalista freelance, quis usar a fotografia para examinar questões a respeito do uso e preservação da terra no oeste norte-americano”, conta Biondo.

 

 

 

 

Os dípticos combinam fotos de plantas (nativas, invasivas ou introduzidas) com imagens de paisagens do estado do Colorado onde as plantas eventualmente podem ser encontradas. “Ao focar em aspectos micro e macro do ambiente natural, os dípticos aludem não apenas a objetivos estéticos como também à funcionalidade dos ecossistemas”, explica a fotógrafa.

 

 

 

 

Nascida em Nova York, em 1963, Brenda Biondo estudou jornalismo na Universidade James Madison. Seu trabalho fotográfico, ao longo de mais de 30 anos, tem como foco três áreas: imagens abstratas, questões de preservação da natureza e a forma como artefatos culturais adquirem diferentes camadas temporais. Além de inúmeras exposições, suas fotografias já foram publicadas em periódicos como The Wall Street Journal e The Washington Post e fazem parte de coleções privadas e públicas, como a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

 

 

 

 

29
nov

A Islândia onírica de Agnieszka Sosnowska

 

 

Deslocamentos marcam a vida da fotógrafa Agnieszka Sosnowska. Nascida na Polônia, mudou-se aos três anos para os Estados Unidos. Décadas mais tarde, casou-se com um islandês, com quem se mudou para uma região rural do país de origem do marido. Em meio à diversidade das paisagens locais, Sosnowska encontrou na fotografia uma aliada para se relacionar com as particularidades culturais e climáticas de sua nova residência.

 

 

 

 

 

As imagens de Sosnowska são variadas: vão dos autorretratos a fotografias de familiares e outras pessoas de seu convívio, sempre com um forte caráter pictórico. A fotógrafa constrói uma narrativa repleta de referências às mitologias locais e à história da arte. Em relação a seus autorretratos, Sosnowska comenta: “Frequentemente, nossas experiências requerem uma linguagem universal para serem comunicadas. A minha é a terra. Esses autorretratos começaram 17 anos atrás e seguem aumentando. São silhuetas públicas que expressam histórias privadas de relacionamentos, segredos e memórias.”

 

 

 

 

 

Sosnowska também retrata o cotidiano da região, especialmente atividades relacionadas à caça e à agricultura, mas a atmosfera onírica se mantém nas fotografias. “Muitos anos atrás aprendi que uma fotografia pode contar histórias sem responder questões – são as questões que motivam minhas histórias. De certa forma, convido o espectador a completar minhas sentenças”, reflete.

 

 

 

 

 

Agnieszka Sosnowska estudou fotografia na Massachusetts College of Art, nos Estados Unidos e possui mestrado pela Universidade de Boston. Já realizou diversas exposições individuais e coletivas nos Estados Unidos, na Islândia e na Polônia.

 

 

 

25
nov

Memórias e paisagens nas calçadas de Porto Alegre, de Vera Carlotto

 

 

“Para mim, muitas vezes, caminhar olhando para baixo é um ato de reflexão. Nesse caminhar me deparei com desenhos sob meus pés. Sempre digo que a pedra me escolheu, e eu pude ver os grafismos contidos nela.” Assim a fotógrafa Vera Carlotto descreve a gênese do projeto que deu origem à exposição Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, em cartaz nas Salas Negras do MARGS até 15 de janeiro.

 

 

 

 

 

A mostra apresenta 27 imagens que revelam grafismos – “camadas de rastros, respirações, pulsações, memórias, cores, linhas e formas”, nas palavras da fotógrafa – encontrados em superfícies de pedra basáltica das calçadas de Porto Alegre. Fora do MARGS, as fotografias que compõem a série também foram instaladas em calçadas da Praça Germânia, do Instituto Ling e do bairro Petrópolis (nas ruas Cel. Corte Real, Dario Pederneiras e Professor Langendonck).

 

 

 

 

 

Ao longo de cinco anos, percorrendo em torno de cinquenta ruas da cidade, foram capturadas mais de três mil imagens. “Os desenhos na superfície são fósseis, frutos da penetração de elementos da natureza na rocha, da riqueza de minerais que ela possui, da forma de extração e da exposição a intemperes”, descreve. As fotografias se dividem em três eixos: Natureza – remetendo a trabalhos de artistas chineses de diferentes séculos –, Rupestres – fazendo alusão a desenhos pré-históricas – e Curvas – linhas e fragmentos com inspiração na obra da artista Tomie Othake.

 

 

 

 

 

A fotógrafa destaca o desenvolvimento dos primeiros passos do trabalho durante o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul. “A discussão com colegas e professores foi muito rica e impulsionou meu projeto. A partir daí passei a buscar mais imagens nas calçadas”, relembra Vera. Entre outros momentos, ela destaca a sugestão dos professores para explorar arquivos de imagens antigas que havia produzido, bem como as inúmeras sugestões de referências e abordagens. Nascida em 1962, em Porto Alegre, Vera Carlotto é formada pelo Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul (2014). Nos anos 1990, viveu em Londres, dedicando-se à escultura e a estudos na Richmond Adult & Community College. Já realizou exposições como Portonírico (2012), na sala J.B. Scalco do Solar dos Câmara, e Mosaicografia (2016), no largo Glênio Peres, ambas na capital gaúcha, entre outras mostras.

 

Calçadas – Pedras, memórias e pulsações, de Vera Carlotto
Salas Negras do MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega, s/n° – Centro Histórico de Porto Alegre)
Até 15 de janeiro, sempre de terça-feira a domingo, das 10h às 19h