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Artigos Recentes

21
fev

Ina Schoenenburg: um mergulho no entorno familiar

 

 

Ao longo de cinco anos, a fotógrafa alemã Ina Schoenenburg dedicou-se a fotografar as pessoas de seu entorno familiar mais próximo – suas relações com a filha e com seus pais. As imagens, no entanto, escapam de uma descrição de sua rotina diária. Ina busca uma abordagem que de alguma maneira dê conta da subjetividade presente no seu olhar, que possa trazer à tona algo de mais íntimo dessa convivência.

 

 

 

 

 

“Uma história que nos fala de ser e se tornar adulto; sobre proximidade e distância em nossa família; sobre as aspirações, ansiedades enterradas, tensões não ditas – e claro, sobre o estranho e único amor que os pais sentem pelos filhos e vice-versa”, conta a fotógrafa. São esses aspectos dificilmente representáveis que orientam o ensaio.

 

 

 

 

 

Em meio ao desenvolvimento da série, a memória e a reflexão sobre raízes familiares ganha um papel central. “A família está profundamente arraigada dentro de nós, por vezes, mais do que gostaríamos. Na companhia de familiares você recorda de onde veio e relembra os dias tranquilos da infância. Mas você também pode se lembrar de conflitos e da falta de entendimento”, conta Ina.

 

 

 

 

 

Nascida em 1979, em Berlim, onde vive e trabalha, Schoenenburg tem formações em arquitetura e fotografia, realizadas ao longo dos anos 2000. Desde 2013, participa de exposições individuais e coletivas com seu trabalho, que explora um envolvimento íntimo com quem é retratado, além de um interesse pelas paisagens rurais da Alemanha.

 

 

 

 

 

14
fev

Josh White e os subterrâneos de Seul

 

 

O olhar de um canadense em meio às multidões da capital sul-coreana. O fotógrafo Josh White (também conhecido como JT White) fez uma mudança repentina em sua vida: abandonou o curso de direito e foi dar aulas de inglês para crianças em Seul. Com a fotografia, encontrou uma maneira de se conectar com as pessoas e a cultura de sua nova residência.

 

 

 

 

 

Seguindo a tradição da street photography, as fotografias em preto e branco mostram fragmentos do dia a dia da cidade e dão indícios da postura do fotógrafo nas capturas. Revela-se a imersão de White no cotidiano de Seul, em busca de instantes que sugerem momentos de intimidade e de solidão na rotina agitada da metrópole.

 

 

 

 

 

Em entrevistas, o fotógrafo conta que seu interesse em fotografar os personagens anônimos de Seul nasceu da experiência incômoda de ser estrangeiro num país totalmente diferente de sua terra natal. Segundo conta, com sua câmera, White passou a entender melhor o lugar onde vivia e a se conectar mais com as pessoas ao seu redor. Junto a isso, encontrou uma linguagem para se expressar e para traduzir sua experiência em contato com uma nova e surpreendente realidade.

 

 

 

 

 

Josh White cresceu na ilha de Newfoundland, no leste do Canadá, onde foi jogador de hóquei na adolescência. Viveu um ano nos Estados Unidos, no estado de Winsconsin, e retornou ao Canadá para concluir o Ensino Médio. Iniciou a faculdade de direito e mais tarde foi viver na Coreia do Sul. Sua inspiração vem do desejo de contar histórias e dos encontros que a fotografia lhe propicia.

 

 

 

 

10
fev

Reza Deghati: aulas de fotografia para refugiados sírios

 

 

Fotógrafo membro da National Geographic Society, Reza Deghati (que assina somente com seu primeiro nome, Reza) possui uma vasta trajetória no fotojornalismo. Para além de seu trabalho para publicações internacionais, no entanto, está sua atuação em oficinas de fotografia para mulheres e crianças que enfrentam condições precárias em zonas de pobreza e conflito. Nosso post de hoje traz algumas de suas imagens mais conhecidas e também fotos de pessoas às quais Reza ensinou os fundamentos da fotografia.

 

Foto: Reza Deghati

 

Foto: Reza Deghati

 

Foto: Reza Deghati

 

Em 2015, com curadoria de Reza, uma exposição com fotos obtidas por refugiados sírios acampados no norte do Iraque foi apresentada em Paris. As imagens foram feitas por 20 crianças e adolescentes, com idade entre 10 e 17 anos, que viviam no campo de Kawergosk, visitado de forma recorrente pelo fotógrafo desde 2013.

 

Foto: Reza Deghati

 

Foto: Reza Deghati

 

Foto: Reza Deghati

 

“Quero mostrar suas vidas para o mundo inteiro em uma linguagem universal. Essas crianças perderam o paraíso da infância”, conta o fotógrafo em matéria do jornal The New York Times. Para esse projeto, Reza trabalhou em parceria com o jornalista sírio Mohammad Qaddri, que vivia no campo de Kawergosk no período de desenvolvimento do projeto. A cada duas ou três semanas, Reza enviava a Qaddri as tarefas que deveriam ser feitas pelas crianças – fotografar o café da manhã, por exemplo.

 

Foto: Reza Deghati

 

Foto: Amama Husien

 

Foto: Deliar Zeynal

 

Embora os exercícios fossem extremamente simples, as imagens obtidas pelas crianças revelaram uma sensibilidade muito particular às situações extremas vividas no campo de refugiados. Depois de analisar uma a uma, o fotógrafo enviava seus comentários para as crianças. No contexto dos refugiados, Reza compara a câmera fotográfica a uma boia que salva aqueles que se jogam no mar em busca de melhores condições de vida. Uma iniciativa que, embora não tenha o poder de retirar os jovens daquela situação, pelo menos reestabelece um pouco da dignidade perdida.

 

Foto: Mohamad Ali

 

Foto: Maya Rostam

 

Foto: Solim Qasem

 

Nascido em 1952 em Tabriz, Irã, Reza é franco-iraniano e tem uma carreira de mais de 30 anos no fotojornalismo. Em 2001 fundou no Afeganistão a ONG Aina, que incentiva o ensino de noções de fotografia e outras formas de comunicação para pessoas em condições precárias de vida. Autor de mais de 25 livros e ganhador de diversas distinções por seu trabalho social, Reza atualmente vive em Paris.