Skip to content

Artigos Recentes

17
jan

Janne Körkkö: cenas de Serra Leoa pós-Ebola

 

 

O ensaio Money State Community do fotógrafo finlandês Janne Körkkö mostra o dia a dia de um lixão em Freetown, capital de Serra Leoa. O local revela consequências não só da pobreza como também da recente epidemia de Ebola no país.

 

 

 

 

Ao longo de um mês, Körkkö conviveu com os frequentadores e habitantes do local – muitos deles, moradores de rua e ex-combatentes infantis em conflitos da região. O trabalho é repleto de perigos devido ao contato com o lixo e também pelos crimes que acontecem no local.

 

 

 

 

A vida de muitas dessas pessoas se dá a maior parte do tempo no lixão, sendo normal os encontros para consumo de drogas à noite – momentos de uma “folga” em um lugar absurdo para se viver. A rotina dos habitantes do lixão ainda tem outro componente sórdido: cadáveres são levados ao local por famílias que não têm condições de pagar um enterro. Tudo isso somado ao temor de novas contaminações pelo Ebola.

 

 

 

 

Além de fotógrafo, Janne Körkkö também produz vídeos documentais. Seus trabalhos focam principalmente em questões de vulnerabilidade social.

13
jan

Javier Corso: o lado sombrio da Finlândia

 

 

Admirada por seus elevados padrões de bem-estar e igualdade social, a Finlândia possui um lado menos conhecido internacionalmente, mas vivido de forma intensa por seus habitantes. É essa faceta de tons mais sombrios que o fotógrafo espanhol Javier Corso apresenta na série Fishshot [nome de uma bebida popular no norte da Europa].

 

 

 

 

“É um documentário sobre a solidão, o isolamento emocional e repressão dos sentimentos na sociedade finlandesa”, define o fotógrafo. “Esses problemas aumentam quando as pessoas começam a beber para enfrentá-los. O consumo excessivo de álcool está presente em mais da metade dos casos de suicídio, homicídio e violência de gênero”, relata.

 

 

 

 

No documentário homônimo ao ensaio, dirigido por Lucía Pérez de Souto, com fotografia de Corso, especialistas falam especialmente sobre a dimensão do alcoolismo na sociedade finlandesa – e sobre como o consumo excessivo de álcool surge como companhia para muitas pessoas que vivem sozinhas e não buscam ajuda para tratar de suas questões mais íntimas. É esse universo subjetivo que o fotógrafo busca retratar em suas imagens.

 

 

 

 

Nascido em 1989 na Espanha, Javier Corso é diretor e fundador da agência de documentários OAK stories. Seu trabalho fotográfico visa aspectos da condição humana em microescala e já foi publicado em espaços como o site Lighbox, da revista TIME, VICE e El País.

 

10
jan

A sopa de resíduos plásticos de Mandy Barker

 

 

A “sopa” a que se refere a série Hong Kong Soup: 1826, da fotógrafa britânica Mandy Barker, diz respeito a uma expressão em chinês para uma realidade catastrófica: a imensa quantidade de resíduos plásticos à deriva nos mares. Essa é a matéria-prima de seu trabalho, que retrata materiais coletados em mais de 30 praias de Hong Kong desde 2012.

 

 

 

 

As imagens remetem ao cotidiano e também a tradições, eventos, à natureza e à cultura de Hong Kong a partir dos objetos e fragmentos coletados: brinquedos, seringas, restos oriundos de festas populares, entre outros, organizados cuidadosamente em cada fotografia. Nesse sentido, algumas camadas de significado são melhor interpretadas por quem domina os códigos e os circuitos referentes a cada conjunto de objetos.

 

 

 

 

Na visão da fotógrafa, a série apresenta “uma contradição entre a atração estética inicial e a tomada de consciência de responsabilidade social”. De fato, à primeira vista as fotos beiram a abstração, por vezes fazendo lembrar constelações espaciais. Aos poucos, no entanto, vamos nos dando conta do trabalho meticuloso da fotógrafa em sua reflexão sobre nossas lógicas de consumo e sobre nosso futuro enquanto espécie.

 

 

 

 

Nascida no Reino Unido, Mandy Barker fez mestrado em fotografia na De Montfort University, na Inglaterra. A série que apresentamos no post de hoje foi publicada em mais de 25 países, em periódicos como as revistas TIME e National Geographic, rendendo à fotógrafa inúmeros convites para eventos e exposições relacionados a questões do clima.