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26
jul

Sandro Miller: Malkovich, Malkovich, Malkovich


Numa época saturada de imagens, a série Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homage to photographic masters [Homenagem a mestres da fotografia] aparenta ser, à primeira vista, uma brincadeira feita com manipulação digital. Basta, no entanto, um olhar mais atento para percebermos que se trata de um trabalho realizado com excelência não só pelo fotógrafo Sandro Miller, como também pelo ator John Malkovich.

 


 

 

Nada de “memes”, portanto, e sim de uma releitura de imagens icônicas, com personagens reinterpretados por um grande ator, que domina sua expressão como poucos. O resultado é também fruto de uma longa amizade e parceria profissional entre Miller e Malkovich, que se debruçaram sobre imagens de fotógrafos como Richard Avedon, Diane Arbus, Dorothea Lange e Andy Warhol.

 




Antes de fazer os retratos, Miller estudou por um ano a história por trás de cada uma das 41 imagens produzidas. Quando possível, entrevistou os autores das fotografias, para obter mais detalhes dos bastidores. A atenção de Miller dirigiu-se também às impressões originais, para que as releituras fossem ainda mais parecidas com as cópias físicas.

 

 


 

As fotografias foram todas realizadas em estúdio – foco total na captura das imagens, com mínimos retoques digitais. O projeto foi lançado em livro neste ano e está sendo exposto em diversos museus e galerias da Europa. Da parte de Malkovich, a série permitiu questionar uma afirmação que marcou sua infância. “Venho de uma família de jornalistas e sempre ouvi que a câmera não mente. Vi esse projeto como uma chance de explorar isso”, conta o ator.

 



 

Nascido em Elgin, Illinois (EUA), em 1958, Sandro Miller possui uma vasta trajetória como fotógrafo de publicidade, tendo atuado em campanhas de marcas como Coca-Cola, Nike e Microsoft. Em 2001, foi convidado pelo governo cubano para retratar os atletas do país – a primeira colaboração desse tipo realizada desde o embargo comercial imposto pelos EUA. Miller também atua em iniciativas de caridade.

 

 

22
jul

Matjaz Krivic: Cavando o futuro

 

“Quero mostrar como as crianças ocidentais brincam no Playstation, enquanto as crianças nascidas no lado errado do mundo estão morrendo por isso.” O paralelo traçado pelo fotógrafo esloveno Matjaz Krivic é consequência de seu contato com mineiros de Burkina Faso, na África, na série Digging the Future [Cavando o futuro] – mais especificamente da região próxima à cidade de Bani, onde cerca de 15 mil trabalhadores, dos quais um terço é composto por crianças, se expõem aos perigos da mineração.

 


 

 

“Às vezes, leva-se duas semanas até que seja encontrada a quantidade de ouro usada em um smartphone. Concessionários autorizados pelo governo fazem vistas grossas para as crianças das minas, que sofrem e morrem sonhando com seu próprio Eldorado, ao custo de nossos telefones”, conta o fotógrafo.

 

 


 

Krivic relata ainda que a maioria das crianças exploradas na mineração nunca foi à escola – muitas delas, inclusive, não têm onde morar, e dormem amontoadas ao lado das minas. Ou seja, mais um exemplo de escravidão no mundo contemporâneo, com o agravante dos riscos imediatos e dos problemas de saúde que a longo prazo são comuns entre os mineiros.

 



 

Além de serem inalados no interior das minas, os metais pesados estão presentes na água utilizada pelos trabalhadores para consumo e higiene. O contato com essas substâncias ocorre também no processo de extração do ouro – que, por fim, ainda poluem o solo.

 

 


 

Ao longo de mais de 18 anos, Krivic retratou comunidades nativas de diversas regiões do planeta. Desde que passou a se dedicar à fotografia, viaja pela Ásia e pela África em busca de novas histórias. Seu trabalho também tem como foco as paisagens urbanas de países em desenvolvimento.

 



 

Os projetos multimídia e as instalações de Krivic são exibidas ao redor do mundo desde 1999, com mostras individuais realizadas em países como China, Rússia, Tibet, Croácia e Eslovênia, além de exposições coletivas apresentadas na Europa, na Austrália e nos Estados Unidos.

 



19
jul

Ethan James Green: a juventude de Nova York

 

 

Desde os 14 anos, quando vivia em Michigan, Ethan James Green queria ser fotógrafo de moda. Em seguida, tendo a carreira de modelo como uma oportunidade, Green mudou-se para Nova York. Em meio a seus contatos profissionais, conheceu o fotógrafo David Armstrong, com quem passou a trabalhar – e cujos retratos passou a admirar. Inspirado pelos ensaios de Armstrong – que viria a falecer em 2014 –, Green concebeu a série Young New Yorkers [Jovens nova-iorquinos].

 

 

 

 

Os retratos de Green dialogam com a produção de Armstrong – que era amigo de Nan Goldin e que, como ela, retratou de forma crua o cotidiano de jovens de Nova York. “Me apaixonei pelos personagens que Armstrong tinha fotografado”, conta Green. “Ao passo que Armstrong me contava histórias do passado, decidi buscar equivalentes nos dias de hoje”, explica.

 

 

 

 

Pouco a pouco, Green estabeleceu uma rede de amigos para seus retratos, tendo suas contas no Instagram e no Tumblr como apoio para divulgar o projeto. Seus personagens incluem pessoas das comunidades queer e transexual de Nova York, além de frequentadores da vida noturna e cultural da cidade.

 

 

 

 

Green relata que, com o uso das redes sociais, tornou-se mais fácil para jovens de diversas localidades dos Estados Unidos fazerem contatos com moradores de Nova York, tendo assim a oportunidade de descobrirem a metrópole e se libertarem de suas rotinas e cidades natais. São esses novos personagens que tornam a cidade uma fonte inesgotável de histórias para os retratos de Green.