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Artigos Recentes

11
ago

Christian Åslund: congelado no tempo

 

 

Questões sociais e ambientais são os principais focos do trabalho desenvolvido pelo fotógrafo sueco Christian Åslund. No post de hoje, apresentamos imagens da série Frozen in time [Congelado no tempo], feita no arquipélago de Svalbard, entre a Noruega e o Polo Norte, mais especificamente em uma localidade chamada Pyramiden [Pirâmides], um campo de mineração soviético desativado em 1998 – o arquipélago atualmente pertence à Noruega.

 

 

 

O lugar é testemunha tanto das transformações ambientais que resultam no degelo de calotas polares quanto da antiga influência soviética na região. Hoje em dia, uma cidade fantasma de largas avenidas recebe os curiosos por lugares abandonados.

 

 

 

O nome “Pirâmides” refere-se a uma montanha próxima da cidade, cuja exploração de carvão iniciou em 1910, a partir de uma expedição sueca. As ilhas foram anexadas pela Suécia e, mais tarde, em 1927, foram vendidas aos russos. A partir de 1941, com o desenrolar da 2a Guerra Mundial, o local foi evacuado, voltando a funcionar somente em 1948.

 

 

 

Entre os anos 1960 e 1980, o trabalho em Svalbard era bastante popular, devido às atividades culturais e esportivas propiciadas pelo governo soviético aos trabalhadores – uma piscina, um centro cultural e uma livraria com mais de 50 mil títulos estavam entre as atrações.

 

 

 

As fotos de Åslund mostram alguns desses espaços de convívio, bem como outros detalhes da arquitetura e do que restou das décadas gloriosas do local – uma espécie de cápsula do tempo de uma parte da história do século 20.

 

 

 

Vivendo atualmente em Estocolmo, Christian Åslund atuou como fotógrafo de diversos jornais e revistas, retratando situações relacionadas a conflitos sociais e ambientais. Já trabalhou junto a diversas ONGs, inclusive em projetos desenvolvidos pelo Greenpeace.

 

 

 

4
ago

Evgen Bavcar: o que há entre o fotógrafo e a fotografia?

 

 

Fotografia e visão parecem inseparáveis. Remetem-se uma a outra, seja quando falamos sobre a captura de imagens, seja quando as observamos. Há, no entanto, fotógrafos que se dedicam a esse ofício mesmo sem a capacidade de enxergar (ao menos no sentido mais estrito e físico desse verbo). No post de hoje, apresentamos um deles, Evgen Bavcar, talvez o mais famoso dessa fascinante linhagem de fotógrafos.

 

 

 

Esloveno naturalizado francês, Bavcar perdeu a visão gradualmente, ao longo de um período de oito meses, quando tinha apenas 12 anos. A cegueira decorreu de uma queda, que o deixou cego do olho esquerdo, e, mais tarde da explosão de uma mina, que feriu o direito. O início como fotógrafo se deu aos 16 anos, portanto, quando Bavcar já era cego.

 

 

 

“Narciso morreu afogado porque não compreendeu que entre ele e a imagem existe a água. Eu sei que entre eu e a imagem há o mundo, há a palavra dos outros, uma grande distância. Entre as imagens reais que tenho. Há uma distância intransponível de 40 anos de minhas recordações da Eslovênia”, conta o fotógrafo à revista Trópico.

 

 

 

Entre o fotógrafo e a imagem, o mundo, os outros, as palavras. De forma poética, Bavcar explica seu processo de trabalho – que nos leva a refletir sobre infindáveis questões relacionadas à fotografia. Com a ajuda de outras pessoas, Bavcar obtém informações sobre o que está acontecendo diante de sua câmera. Costuma trabalhar à noite, usando holofotes, de modo a facilitar o uso do foco automático – mesmo assim, nessa e em outras situações, consegue medir distâncias usando as mãos.

 

 

 

Nascido em 1946, Evgen Bavcar já participou de diversas exposições ao redor do mundo. No Brasil, tem um livro sobre a sua obra publicado pela Cosac Naify (Memórias do Brasil, 2003), organizado por Elida Tessler e João Bandeira. É também um dos entrevistados do documentário Janela da Alma (2001), dirigido por João Jardim e Walter Carvalho. Em seus depoimentos e nas análises a respeito do seu trabalho, ganham evidência reflexões em torno do olhar e da representação na fotografia.

 

28
jul

O cotidiano inusitado da guerra, por Shamil Zhumatov

Correspondente da agência Reuters, nascido no Cazaquistão, Shamil Zhumatov realiza coberturas na Ásia Central e em países da antiga União Soviética. No Afeganistão, acompanhou missões do exército norte-americano. As imagens que apresentamos aqui fazem parte desse trabalho e mostram o olhar do fotógrafo para detalhes inusitados do front.

Shamil Zhumatov

Shamil Zhumatov

Situações de uma convivência curiosa entre soldados e a população local ganham espaço nas imagens. Com frequência, o que se vê são momentos de espera e expectativa, intervalos entre os conflitos armados.

Shamil Zhumatov

Shamil Zhumatov

Crianças são personagens desconcertantes de algumas das fotos. Agem imersas em seu cotidiano e contrastam com as posições adotadas pelos soldados. Assim, compõem enquadramentos formados por elementos tão díspares quanto um carrinho de mão coberto de capim, levado por um menino afegão, e rifles empunhados pelos militares.

Shamil Zhumatov

Shamil Zhumatov

Da curiosidade entre locais e soldados aos objetos carregados pelos militares, Shamil apresenta uma realidade em que a guerra já é uma presença constante. As fotos também mostram um cotidiano de tons um tanto surreais, que parece, no entanto, ser inevitável para quem vive no contexto do conflito.

Shamil Zhumatov

Shamil Zhumatov